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Um acervo amplo e essencial para o desenvolvimento da ciência brasileira. Assim pode ser definido o Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que completou 20 anos no dia 11 de novembro. A plataforma reúne e disponibiliza para instituições de ensino e pesquisa no Brasil o melhor da produção científica nacional e internacional, e é considerada uma das maiores bibliotecas virtuais do mundo. Ao todo, são mais de 49 mil periódicos em texto completo, 135 bases referenciais, 12 bases de patentes, material audiovisual, relatórios, enciclopédias, dissertações e estatísticas, entre outros documentos. Em 2019, a plataforma recebeu mais de 512 mil acessos por dia.
“Antes, cada instituição comprava as revistas científicas que podia para compor as suas bibliotecas”, lembra Ildeu Moreira, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Na UFRJ, onde Ildeu se formou doutor em Física, o acesso às publicações ainda era muito superior do que em outras universidades. “As pessoas que trabalhavam em outras regiões do país tinham uma dificuldade imensa, às vezes por falta de recursos, ou mesmo pelo atraso de chegada das revistas”.
O surgimento do portal da Capes proporcionou uma distribuição mais igualitária das pesquisas científicas. “Agora, uma pessoa da pós-graduação de qualquer região do país consegue ter acesso a grande parte dos periódicos que ela necessita”, conta Ildeu. Além disso, o professor destaca o papel fundamental do portal no crescimento da produção científica brasileira. “Ele estimula e atualiza os pesquisadores, que conseguem passar rapidamente de uma referência para a outra, sem precisar mais esperar meses pela chegada de uma cópia”, explica.
Ildeu comenta as transformações provocadas pela plataforma. “As pessoas iam muito mais nas bibliotecas. Hoje, os pesquisadores ficam nas suas salas e entram no portal para ver o que precisam”, diz. Ainda assim, ele acredita que a mudança também traz riscos. “Se a Capes não assinar com as editoras dos periódicos, a gente fica sem essa informação. Além de que o conhecimento digitalizado também pode ser perdido”, acrescenta. Por isso, Ildeu pondera a importância de se manter uma base física desse acervo.
O conteúdo completo é livre aos estudantes, professores e funcionários vinculados oficialmente a uma das mais de 400 instituições com programas de pós-graduação reconhecidos pela Capes. O acesso é autorizado a partir do registro do IPs da instituição, sem cadastros pessoais. Usuários de outras instituições podem acessar, por meio de qualquer computador, o conteúdo aberto e gratuito disponível no Portal, ou também se dirigir a uma instituição participante para verificar as condições de uso dos periódicos assinados pela Capes.
“O Brasil tem periódicos das mais diversas áreas que estão em situação muito difícil de sobrevivência”, aponta Ildeu. O professor ressalta que muitos desses periódicos têm uma repercussão internacional significativa, mas necessitam de políticas de apoio para se manter. “Mesmo os que passaram a ser exclusivamente digitais, evitando gastos com impressão, precisam de recursos para secretaria, tradução, edição, e assim continuarem a existir”, alerta.
As ameaças de cortes na Educação preocupam os pesquisadores. “É muito importante que o financiamento do Portal de Periódicos da Capes se mantenha, para possibilitar à comunidade acadêmica o acesso gratuito a essas bases de dados”, afirma Ariane Roder, superintendente acadêmica de Pesquisa da PR-2 da UFRJ. “Sem ele, o acesso de muitas pessoas vai ser inviabilizado, pois as assinaturas desses periódicos são caríssimas”, completa.
A UFRJ tem um portal com os periódicos produzidos dentro da própria universidade, mas que também já estão indexados no portal da Capes. “Todos os nossos periódicos já foram aprovados no padrão de qualidade da Capes”, destaca Paula Abrantes, coordenadora do Sistema de Bibliotecas e Informação da UFRJ (SiBI). Segundo ela, a UFRJ é uma grande defensora e difusora do portal da Capes.
“Nós fomos uma das universidades que mais colaborou com a criação desse portal. No início, ainda faltavam muitos títulos que não existiam em modo eletrônico, mas com a sua expansão, o portal hoje abrange todas as áreas do conhecimento”, pontua. Paula considera o portal imprescindível para a comunidade acadêmica. “Ele se transformou na principal ferramenta de pesquisa no Brasil, pois substituiu com qualidade as aquisições descentralizadas”.
Há duas décadas, o portal da Capes foi criado com o intuito de unificar a organização do material de periódicos eletrônicos. “Na época, já havia um número considerável de editoras que ofereciam periódicos no meio digital”, conta Paula. “Com isso, as instituições de ensino e pesquisa pararam de gastar os seus orçamentos com as assinaturas, pois foi feita uma assinatura única em um portal acessível de forma democrática para as universidades”, conclui. O portal pode ser acessado pelo endereço https://www.periodicos.capes.gov.br/
Sete anos depois de a discussão ter sido suspensa na UFRJ, a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) volta a ser assunto na universidade. Diretores dos hospitais universitários que compõem o Complexo Hospitalar, asfixiados financeiramente e com dificuldades na gestão de pessoal, pediram à decania do Centro de Ciências da Saúde que solicite à reitoria a retomada das discussões e negociações com a empresa.
O pedido foi debatido e aprovado no Conselho de Centro do CCS, na segunda-feira (9). Por 21 votos favoráveis e 8 contrários
– sendo 2 de professores –, os conselheiros decidiram solicitar à reitoria a retomada do polêmico assunto.
A decisão do CCS repercutiu na última reunião do Conselho Universitário, no dia 12. O tema não estava na pauta, mas surgiu no momento do expediente. “A gente sabe que a Ebserh não deu certo nas universidades, tanto na precarização dos hospitais, quanto nas condições de trabalho dos servidores desses hospitais”, afirmou a estudante Julia Vilhena. “Retomar esse debate, ainda mais no governo Bolsonaro, é muito grave”.
A conselheira Ana Célia Silva, da bancada dos técnicos-administrativos, também se posicionou contra a empresa. Ela chamou de “debate monocrático” a proposta de reabrir as negociações. “Como servidora do hospital, acompanho muito preocupada essa movimentação usando os mesmos argumentos que foram derrotados em 2013”.
O Sintufrj se manifestou no colegiado. “Nós decidimos fortalecer nosso Complexo Hospitalar como alternativa à Ebserh”, disse Gerly Miceli, coordenadora do sindicato. “Somos contra a Ebserh e qualquer coisa que ameace a autonomia universitária. O general que hoje é presidente da Ebserh quer discutir a gestão plena dos hospitais universitários”.
Sem citar a empresa, a reitora Denise Pires de Carvalho afirmou que em breve o Consuni vai debater o novo regimento do Complexo. “Apresentaremos dados para que toda a comunidade discuta de maneira dialógica nosso Complexo Hospitalar, porque ele gera muito conhecimento para além dos atendimentos que são prestados à sociedade”.
Um dia antes do Conselho Universitário, as entidades que compõem o FORMAS (Fórum de Mobilização e Ação Solidária) – DCE, Sintufrj, APG e Adufrj – debateram o assunto. O grupo chegou a um consenso inicial de que a universidade, antes de avaliar a Ebserh, discuta a realidade concreta do Complexo Hospitalar, estude os dados e analise alternativas.
Ouvido pelo Jornal da AdUFRJ, o decano do CCS, professor Luiz Eurico Nasciutti, acredita que os gestores dos hospitais estão se vendo sem saída. “Estão com problemas seríssimos. Os diretores fizeram uma sequencia de reuniões, se inteiraram da situação de outros hospitais, fizeram um relatório detalhado sobre cada um dos hospitais da UFRJ. E a situação é realmente muito precária”, conta o decano. “Se não tivermos os recursos, hospitais podem fechar leitos a partir de janeiro”, afirma o dirigente.
Nasciutti é favorável ao pedido dos diretores. “Há mais de sete anos, o que nós tivemos foi a retirada do tema da pauta. Não houve uma decisão, nem que sim, nem que não. O debate precisa acontecer. A UFRJ tem que tomar uma decisão”, considera.
Em todo o Brasil, das 35 universidades que possuem hospitais de clínica universitários, apenas a UFRJ e as federais de São Paulo e do Rio Grande do Sul não aderiram à empresa.
RELEMBRE O IMBRÓGLIO
A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, vinculada ao Ministério da Educação, foi criada em dezembro de 2011, no primeiro governo Dilma Rousseff. A ideia era melhorar a gestão de pessoal dos hospitais universitários, além de centralizar seu financiamento e compras. As discussões na UFRJ começaram em 2012 e se intensificaram em 2013. Em março daquele ano, a gestão do professor Carlos Levi fez uma rodada de audiências públicas por toda a universidade sobre a adesão à empresa. Esses debates se estenderam até maio. A partir dali seriam iniciadas as sessões do Conselho Universitário que analisariam a minuta de contrato entre a Ebserh e a universidade.
A primeira sessão do Consuni para deliberar sobre o tema aconteceu em 13 de maio, mas as comissões permanentes do Consuni avaliaram que o tempo era insuficiente para que produzissem pareceres sobre o assunto, uma vez que a própria Ebserh não teria apresentado dados suficientemente claros para que houvesse uma decisão.
Nova sessão foi marcada para 23 de maio. Depois de horas de discussão, os conselheiros chegaram à conclusão de que não poderiam aprovar ou recusar a empresa sem conhecerem a situação dos hospitais universitários. Foi aprovada a criação de uma comissão que teria 60 dias para fazer um diagnóstico das unidades de saúde. O grupo só foi constituído em 11 de junho.
Em 22 de agosto, a comissão entregou o relatório da situação dos hospitais. Paralelamente, um grupo de conselheiros subscreveu uma proposta alternativa de gestão para os hospitais da UFRJ, com apoio da AdUFRJ, do Sintufrj, do DCE e da APG. A Fasubra – federação nacional que representa os técnicos-administrativos – também apresentou uma proposta para gestão dos HUs.
Em 29 de agosto, houve nova sessão do Consuni para debater as propostas alternativas. Estudantes realizaram atos do lado de fora e dentro da sala do conselho. Não houve decisão. Dia 5 de setembro, as comissões permanentes apresentaram pareceres sobre as diversas propostas apresentadas ao colegiado. Não houve consenso. A sessão tumultuada foi interrompida com o início de agressões físicas e verbais. O reitor Carlos Levi saiu vaiado.
Com o desgaste, o reitor decidiu marcar uma nova sessão sobre o tema apenas para o dia 26 de setembro. Desta vez, no auditório do CT. Mais de mil pessoas acompanharam a reunião. O então pró-reitor de Pessoal Roberto Gambine surpreendeu com outra proposta para a gestão de pessoal dos hospitais. A discussão mais uma vez não chegou a uma conclusão. O reitor Carlos Levi, ao final da sessão, se comprometeu a construir um modelo de gestão que “atendesse às necessidades atuais graves” dos hospitais e que “unificasse e ampliasse” o entendimento na universidade. A gestão do professor Levi terminou em julho de 2014, sem que houvesse uma definição sobre a Ebserh. O tema também não foi discutido na gestão do professor Roberto Leher, que deixou a reitoria em julho de 2018.
Alguns problemas marcaram a primeira eleição virtual para a direção do Andes-SN. Diante das dificuldades apresentadas pelo inédito modelo de votação telepresencial, o quórum nacional caiu (leia mais AQUI). Na UFRJ, por outro lado, uma notícia positiva: a participação dos docentes no pleito cresceu 40%. De 542 votantes, em 2018, para os 762 de agora.
“Nacionalmente, o processo é preocupante. O quórum e o universo de sindicalizados caíram”, afirmou a presidente da AdUFRJ, professora Eleonora Ziller. “Mas, do ponto de vista da UFRJ, estamos muito felizes. A vitória de uma ou outra chapa é o menos importante. O mais importante é que fomos eleitos com uma proposta de fortalecer o Andes na UFRJ. E nós conseguimos aumentar muito o quórum em relação à eleição anterior”, completou.
Presidente da Comissão Eleitoral Central, a professora Raquel Dias Araújo minimizou a redução do número de votantes. “O total diminuiu, mas superou nossas expectativas. Esses 13 mil são o segundo maior resultado de eleição do Andes, nos últimos 20 anos. Só fica abaixo exatamente das últimas eleições, de 17 mil”, disse. Raquel considerou que o período curto entre a decisão pelo retorno do processo eleitoral (durante o 9º Conad Extraordinário, em 30 de agosto) e a votação pode ter contribuído para a queda. Além da organização de infraestrutura para uma eleição “absolutamente nova para todo mundo”.
Nova e problemática. A demora para acessar o sistema de votação, dificuldades de comunicação entre a comissão local e a comissão central, sindicalizados precisando votar em separado e o atraso na apuração tiraram a tranquilidade dos professores. “A gente especula que a experiência de votação no primeiro dia de uma parcela considerável dos docentes foi muito ruim. No período da manhã, fiquei 50 minutos esperando para votar e não consegui”, relatou o professor Jackson Menezes, diretor da AdUFRJ e presidente da Comissão Eleitoral Local.
Confira abaixo as entrevistas com os professores Jackson e Raquel.
Como foi o trabalho da Comissão Eleitoral Local?
Aos membros da comissão eleitoral não era permitido acesso às seções de votação. Como presidente da comissão, em nenhum dia consegui entrar nas salas para prestar esclarecimentos. Quando eu entrava no sistema, já aparecia uma mensagem que eu tinha votado e não me direcionava mais (para as salas). Houve fiscais também que não conseguiram acessar as salas. Fomos uma Comissão Eleitoral Local quase sem função. No final de cada dia, a gente se reunia para discutir relatos de pessoas. Não havia dados para trabalhar.
Como foram formadas as mesas virtuais de votação da AdUFRJ?
Foi solicitado para a comissão local enviar uma lista de mesários, indicando os presidentes e secretários. Na comissão local, definimos que para cada mesa de votação sempre teria um indicado pela chapa 1 e um pela chapa 2. E haveria revezamento: por exemplo, no turno da manhã, a presidência seria da chapa 1; no turno da tarde, da chapa 2; à noite, retornaria para a chapa 1; no dia seguinte, começaria ao contrário e assim sucessivamente. A informação que chegou no dia 2 de novembro foi que a gente deveria reformular aquela planilha, pois não teríamos a possibilidade de colocar uma pessoa que exerceu a função de presidente no turno da manhã como secretário à tarde. A eleição começou na terça com uma lista que sinceramente não sei qual foi. No primeiro dia de votação, a Comissão Eleitoral Local solicitou esclarecimentos sobre o processo de escolha e até agora não obtivemos nenhuma resposta.
E quanto aos votos em separado?
As pessoas chegavam para votar e o nome não estava na lista de votantes. Nós tivemos 21 votos em separado, nos dias 3 e 4. E 30 votos, nos dias 5 e 6. No total, 51 votos (ao fim, 13 não estavam aptos). A comissão local recebia uma listagem para validar. Para o segundo bloco, publicaram uma circular dizendo que iriam nos enviar a lista até 22h e até meia-noite, teríamos de responder. Até meia-noite, a gente não tinha recebido a lista dos dias 5 e 6 e não nos avisaram nada. Recebemos a lista às 00h55 do dia 7, trabalhamos até 1h51 e enviamos para eles. Só fomos informados depois que o prazo havia sido estendido.
O professor Roberto Leher, que foi presidente do Andes, a reitora Denise Pires de Carvalho, por exemplo, votaram em separado...
Ficamos preocupados. Será que não colocamos esses nomes na lista de votantes? Eu fiz esse trabalho de pegar a lista que enviamos para o Andes e os nomes constavam. Mas tivemos três ou quatro casos de sindicalizados que não estavam na nossa listagem inicial de votantes.
Alguma mensagem para quem participou da eleição?
Primeiro, é um agradecimento aos membros da Comissão Eleitoral Local. Mesmo sem muita informação do que a gente poderia fazer, todo mundo se empenhou o máximo possível. Agradecer a todos que compareceram a votar. Parabenizar a diretoria que nos deu todo o suporte. E agradecer aos mesários e aos fiscais que trabalharam e nos ajudaram nesse processo.
Por que houve tanto problema no início da eleição?
Tivemos dificuldade muito grande do envio, por parte das seções sindicais, dos dados dos sindicalizados. O segundo problema, maior que o primeiro, foi exatamente a lista dos mesários. Houve erro que impossibilitava o acesso ao sistema. Nós passamos o primeiro dia inteiro só resolvendo problema de dado de mesário que estava errado, como CPF, ou mesário que esqueceu a senha. Só a partir da metade do segundo dia que o sistema foi se estabilizando.
Qual foi o critério para composição das mesas?
Não poderia haver dupla função, pois cada pessoa era registrada apenas uma vez no sistema. Só podia acessar se a função fosse informada. Quando a função não havia sido definida (pela comissão local), fomos preenchendo no primeiro dia, quando a pessoa entrava em contato.
Às vezes, os fiscais não conseguiam retornar para a mesma sala, quando caía a conexão. Por quê?
Essa foi uma definição na montagem do sistema. O acesso era por ordem de entrada. O primeiro presidente que logasse no sistema ia, digamos assim, para uma sala virtual número 1. O primeiro secretário que logasse não ia cair na sala 2, caía exatamente na sala 1. E o primeiro fiscal, caía na mesma sala. Se um fiscal da chapa 1 saiu porque caiu a internet e há outro fiscal da chapa 1 na fila, o que saiu vai cair em outra sala quando tiver espaço.
Por que professores sindicalizados há muito tempo votaram em separado?
Houve dois grupos de votos em separado: o tradicional, quando a pessoa não está lista; e o das pessoas que estavam na lista, mas foram desviadas para essas mesas nacionais de voto em separado. Se as mesas da seção sindical estivessem ocupadas, para agilizar a votação, a pessoa poderia ser direcionada para essas mesas.
Por que a apuração atrasou tanto?
Foi o problema do envio e, depois, da resposta (da validação dos votos em separado). Havia um volume muito grande de voto em separado. No último dia de votação, às 21h, havia 80 mesas com fila em todo o país. Até encerrar e gerar a lista de votos em separado, isso demorou mais tempo que o previsto. A gente mandou um comunicado às 4h30 (estendendo o prazo de validação).
2014
(chapa única)
3.290 aptos a votar
307 votantes
Chapa 1: 296 votos
Brancos e nulos: 11 votos
2016
(chapa única)
3.659 aptos a votar
456 votantes
Chapa 1: 416 votos
Brancos e nulos: 40 votos
2018
(duas chapas)
3.481 aptos a votar
542 votantes
Chapa 1: 295 votos
Chapa 2: 232 votos
Brancos e nulos: 15 votos
2020
(duas chapas)
3.847 aptos a votar
762 votantes
Chapa 1: 364 votos
Chapa 2: 396 votos
Brancos e nulos: 2 votos
UFMA aumentou pontuação das disciplinas de ensino remoto - Foto: divulgaçãoLevantamento exclusivo do Jornal da AdUFRJ mostra medidas adotadas por outras universidades sobre a avaliação dos professores durante a pandemia. Bônus para quem participa do ensino remoto, detalhamento da pontuação em atividades virtuais e dispositivos para não prejudicar quem não deu aulas (ou deu menos horas) no período são algumas das medidas aprovadas nos colegiados superiores de diferentes instituições. Na UFRJ, a Comissão Permanente de Pessoal Docente (CPPD) recolhe sugestões para elaborar uma proposta de resolução com normas semelhantes.
Na Universidade Federal do Maranhão, a pontuação das disciplinas ministradas no calendário acadêmico 2020, por meio remoto ou de forma híbrida, terá um acréscimo de 25%. A resolução nº 229 do Conselho de Administração local, datada de 10 de julho, também detalha a pontuação para atividades complementares desenvolvidas pelos docentes no meio virtual.
A resolução nº 69 do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da Universidade Federal do Paraná, de 23 de outubro, especifica que o docente será considerado apto para progressão ou promoção pretendida se obtiver 80 pontos (que correspondem a oito horas por semana), no interstício de 24 meses. Os docentes impossibilitados de ofertar as disciplinas deverão apresentar justificativa, que será analisada pela CPPD local. A justificativa vai garantir ao professor completar o tempo mínimo exigido.
A Universidade Federal do Recôncavo da Bahia explicitou mais mecanismos para compensar os professores durante a pandemia. A resolução 003, de 14 de setembro, assinada pelo reitor, ad referendum do Conselho Universitário, entre outros dispositivos, concede um adicional de 30% na pontuação das atividades de ensino, pesquisa, extensão e administração em relação às atividades realizadas durante o período de vigência da resolução.
Já a resolução nº 59 do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da Universidade de Brasília, de 28 de julho, estabelece que, na impossibilidade de as disciplinas serem ofertadas de forma não presencial, fica suspensa a aplicação da exigência mínima de créditos por semestre.
CPPD DIALOGA COM ADUFRJ
Os professores Fábio Araujo e Daniella Vale, respectivamente o presidente e a vice-presidente da CPPD da UFRJ, foram os convidados especiais da reunião do Conselho de Representantes da AdUFRJ, no dia 11. Eles apresentaram o desafio de avaliar o conjunto dos professores da universidade durante a pandemia, com condições muito diferentes entre todos e com um ingrediente a mais: a adesão facultativa ao Período Letivo Excepcional. “Seria injusto publicar que a adesão é opcional e depois dizer que a pessoa não vai pontuar”, observou Fábio.
Daniella Vale apresentou a fórmula elaborada pela CPPD para não prejudicar quem não deu aulas ou deu menos aulas que o mínimo exigido e, ao mesmo tempo, recompensar quem conseguiu ensinar durante o PLE (veja reprodução nesta página). O cálculo considera a carga horária semanal do professor somada de 1 a “n”, sendo “n” o número de períodos obrigatórios mais a carga horária semanal do professor, somada de 1 a “p”, sendo “p” o número de períodos letivos especiais, dividido pelo número de períodos, de 1 a “n”, onde “n”, de novo, seria o número de períodos obrigatórios. “Soma-se toda a carga horária, mas se divide apenas pelo número de períodos obrigatórios”, disse Daniella. Esta proposta já tramita nos colegiados superiores da universidade.
Superada a questão do PLE, a CPPD começou a estudar formas de aperfeiçoar a avaliação dos professores no ensino remoto. Na proposta, cria-se um fator de multiplicação, por exemplo, para aulas assíncronas. A ideia é contemplar o esforço de preparar a gravação. Outro ponto é minimizar os danos de alguns grupos de docentes especialmente sobrecarregados durante a pandemia, como os pais e mães de crianças em idade escolar.
No Conselho de Representantes, entre várias sugestões, surgiu a preocupação com os “bônus” atribuídos às atividades virtuais, no pós-pandemia. O presidente da CPPD deixou claro que os eventuais acréscimos de pontuação serão limitados ao período em que não há liberação de atividades presenciais.
Presidente da AdUFRJ, a professora Eleonora Ziller valorizou o diálogo com a CPPD. “Estamos caminhando muito bem. O texto que vocês trouxeram nem parece um rascunho. Já conseguiram estruturar o problema”, elogiou. As reflexões do Conselho de Representantes vão ajudar a melhorar o documento. “É uma primeira coleta de opiniões para que, depois, o texto vire proposta e siga para o processo institucional de discussão. Isso garante a possibilidade de uma resolução mais sintonizada com os nossos desafios”, completou Eleonora.
MUDANÇAS JÁ APROVADAS
O Consuni já aprovou algumas mudanças na resolução nº 08, de 2014, que rege o desenvolvimento dos professores da UFRJ na carreira. Entre elas, foi revogado o dispositivo que permitia as progressões e promoções múltiplas. Na prática, uma situação que já tinha deixado de existir em função de proibição da Advocacia-Geral da União.
O primeiro processo eleitoral a distância do Andes levou à vitória a Chapa 1 – Unidade para lutar. A chapa, cuja presidência é da professora Rivânia Moura, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, obteve 7.086 votos (55% do total). O grupo lidera o sindicato desde a eleição do professor Roberto Leher, em 2000. A Chapa 2 – Renova Andes, de oposição à diretoria nacional, foi a escolhida por 5.658 docentes (44% dos votantes). A chapa trazia como candidata a presidente a professora Celi Taffarel, da Universidade Federal da Bahia. Brancos e nulos somaram 112 votos. O 10º Conad extraordinário, previsto para acontecer ainda de maneira remota no próximo mês, dará posse à nova diretoria.
A vitória da Chapa 1 acontece num cenário de queda tanto do colégio eleitoral geral, quanto de participantes. Apenas 12.856 professores votaram, o que representa 19,1% do universo de 67.268 docentes aptos. Para se ter uma ideia, em 2018, também com duas chapas na corrida, o Andes tinha 69.152 eleitores e 24,4% deles compareceram às urnas, ou seja, foram 16.887 votantes. Esta foi a segunda vez, em 16 anos, que a diretoria foi disputada por duas chapas.
No quadro nacional, o número de eleitores sofre queda desde 2016. De lá para cá, são menos 3.185 docentes filiados ao Andes. Embora tenha caído a participação geral, esta eleição demonstra uma tendência iniciada nas eleições de 2018. A oposição à diretoria nacional ganha espaço. No cenário nacional houve virada favorável à Chapa 2 em algumas seções sindicais, inclusive na UFRJ. Por isso, a distância entre as chapas diminuiu. Em 2018, 1.517 votos separavam os dois grupos. Neste ano, a diferença caiu para 1.428 votos.
O Jornal da AdUFRJ ouviu as duas chapas. “Acredito que a eleição exerceu a função de colocar o Andes em evidência. Sem dúvidas, o sindicato sai vitorioso de todo esse processo”, avalia a professora Rivânia Moura. “ Foi um processo eleitoral complexo que, de alguma maneira, criou obstáculos para que determinados setores vinculados ao Andes pudessem votar”, acredita sua opositora, a professora Celi Taffarel.
Tanto a presidente eleita quanto a candidata derrotada no pleito apontam para a necessária unidade do movimento docente e entre o conjunto de trabalhadores. Elas avaliam o resultado das eleições, a baixa presença nas urnas e apontam as tarefas mais urgentes do Sindicato Nacional para os próximos dois anos.
Jornal da AdUFRJ – Como avalia as eleições e a vitória nacional?
Rivânia Moura – O processo eleitoral, mesmo nesse período completamente excepcional, foi muito positivo. Os debates entre as chapas, as campanhas, tudo isso mexeu com a categoria, movimentou os professores. Acredito que a eleição exerceu a função de colocar o Andes em evidência. Sem dúvidas, o sindicato sai vitorioso. Também avaliamos o resultado de maneira muito positiva. Temos debatido muito sobre como o sindicato deva seguir com suas lutas e a categoria escolheu manter o Andes com suas características e concepções.
Quais são os desafios mais imediatos para a sua gestão?
Estamos vivendo uma conjuntura muito difícil, de muitas perdas. O nosso principal desafio é construir a unidade. Há um conjunto de ataques que abrangem todo o conjunto da classe trabalhadora. E construir a unidade é pensar em unidade na luta, que construa a resistência a essa conjuntura. A tarefa mais urgente é barrar a reforma administrativa. Para isso, precisamos atuar em dois âmbitos: a articulação dos servidores públicos, mas ir além e congregar os trabalhadores que não são servidores. Porque, ao destruir os serviços, a reforma atinge a população de maneira geral. Precisamos levar esse debate para a população usuária desses serviços. A reforma já está em tramitação e precisamos agir com urgência. Se ficarmos restritos aos servidores, será muito mais difícil. Conectada a esta pauta estão outras, como o corte no orçamento das universidades e das agências de fomento à pesquisa, que inviabiliza o funcionamento dessas instituições. Outra pauta que temos urgência em tratar é a do ensino remoto, que já está trazendo adoecimento e acumulando prejuízos para a categoria. Precisamos pensar numa regulação para este modelo tão precarizante de trabalho. Devemos pautar as condições de trabalho nas seções sindicais e fazer uma luta mais articulada e unificada pela regulamentação.
A senhora falou em unidade, mas, internamente, há várias correntes no Andes e muitas vezes uma dificuldade de entendimentos. Ter duas chapas é um reflexo, inclusive.
Sem dúvidas, a unidade precisa ser construída dentro do movimento docente também. Temos várias correntes e eu considero isso muito importante. Faz com que haja a crítica, o questionamento, com que o sindicato cresça. Temos muita convicção de que nossos inimigos não estão no movimento docente. Nossas diferenças não nos tornam inimigos, mas nos impulsionam. O sindicato tem esse desafio de construir as lutas, apesar das diferenças. Passada a eleição, precisamos de todos juntos.
Apesar das duas chapas, houve uma queda da participação geral de professores, se compararmos com 2018. A que a senhora atribui essa baixa presença nas urnas?
Atribuo a vários fatores: isolamento social, individualização do nosso trabalho. Essa foi a primeira vez que o Andes fez uma eleição na modalidade remota, telepresencial, algo que ninguém estava habituado. Além disso, está todo mundo cansado de trabalhar o tempo todo, há oito meses, de forma remota. Há um enorme desgaste. O modelo trouxe dificuldades de acesso e isso também precisa ser considerado. Mas, mesmo nesse contexto, houve participação de muitos professores e precisamos também valorizar este esforço.
Apesar da queda nacional, esse número aumentou em 40% na UFRJ. Além disso, houve uma virada, com vitória da Chapa 2, se compararmos com 2018. Como a senhora vê esse cenário?
Esse aumento demonstra que a AdUFRJ chamou a categoria ao debate e é isso que esperamos das outras seções sindicais: que se aproximem de sua base. A UFRJ teve uma boa campanha das duas chapas e isso precisa ser atribuído também à militância das duas chapas. Essa foi uma vitória para o sindicato e precisa ser reconhecida, porque fortalece o Andes. A Chapa 2 teve mais votos, mas foi uma votação próxima. O grande ganho é que houve um aumento do engajamento dos professores da UFRJ. É preciso destacar que o afastamento da categoria, baixa de sindicalizações, aumento de desfiliações é um revés enfrentado pelos sindicatos em geral. E por isso também esse aumento na UFRJ precisa ser valorizado.
Jornal da AdUFRJ – Com o resultado, desfavorável para a sua chapa, qual a mensagem que a senhora deixa para os docentes?
Celi Taffarel – Quero agradecer todos que compõem o movimento docente e, em especial, aos 82 professores que comigo apresentaram uma proposta para dirigir o Andes. Quero me dirigir também a todos os que foram para as urnas, independentemente se votaram na Chapa 1 ou na Chapa 2, porque quem sai ganhando é o nosso sindicato. O Andes vai ter que enfrentar batalhas dificílimas. Temos que derrubar o governo Bolsonaro, temos que barrar a reforma administrativa, lutar por nossos direitos. Essa é uma tarefa de todos e todas.
É a segunda eleição que o Renova Andes perde, apesar de ganhar mais espaço desde as eleições passadas. Como avalia esse momento?
Foi um processo eleitoral complexo que, de alguma maneira, criou obstáculos para que determinados setores vinculados ao Andes pudessem votar. Mas a eleição se procedeu, o resultado foi anunciado e daqui para frente nos cabe, enquanto cientistas, professores, pesquisadores, compreender a complexidade desse momento e nos unificar na luta para fazer face ao que está posto. E o que está posto é a destruição do sistema de fomento à ciência e tecnologia. Para fazer face ao negacionismo, ao obscurantismo, nós precisamos defender o que conquistamos até agora em termos de sistema nacional. Isso exige unidade e o fortalecimento dos instrumentos de luta, que são nossos sindicatos.
Quais os planos daqui para frente?
O Renova Andes vai continuar na sua tarefa de fazer críticas, apresentar proposições programáticas, compor, dirigir, acompanhar todos que quiserem tomar para suas mãos a tarefa de fortalecer os instrumentos de luta da classe trabalhadora. Quero parabenizar a comunidade da UFRJ, porque sei que tem bravos lutadores e lutadoras que vão contribuir para construir a unidade na luta.
2014
(chapa única)
66.532 aptos a votar
9.157 votantes
Chapa 1: 8.390 votos
Brancos e nulos: 767 votos
2016
(chapa única)
70.473 aptos a votar
9.807 votantes
Chapa 1: 8.891 votos
Brancos e nulos: 916 votos
2018
(duas chapas)
69.152 aptos a votar
16.887 votantes
Chapa 1: 8.732 votos
Chapa 2: 7.215 votos
Brancos e nulos: 940 votos
2020
(duas chapas)
67.268 aptos a votar
12.856 votantes
Chapa 1: 7.086 votos
Chapa 2: 5.658 votos
Brancos e nulos: 112 votos