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Enquanto o semestre não acaba, alunos, professores e técnicos equilibram as aulas com jogos da primeira fase da Copa do Mundo da Rússia. Muita gente assiste às partidas nos pátios e nas cantinas; o restaurante do diretório acadêmico da Escola de Química instalou um telão. Nos grupos de mensagens, um dos assuntos é a troca de figurinhas, na tentativa de completar o álbum. O professor Bruno Souza de Paula, do Instituto de Física (IF), organizou um bolão de apostas da unidade com a participação de 63 professores e ex-professores. Cada um pagou R$ 50 para apostar, e o prêmio do vencedor será uma TV de 49 polegadas de resolução 4K. Apaixonado por futebol, Bruno está confiante no hexa: “A seleção melhorou muito com o Tite”, afirma. “O time está organizado. Se o Neymar for bem, vai fazer diferença.” No entanto, diz que é preciso cuidado com o favoritismo exacerbado. “É um campeonato curto, muito mata-mata, um jogo pode mudar tudo.” Ele aponta Alemanha e França como outras postulantes ao título. Flamenguista fanático, o professor conta que o amor pelo futebol começou na infância, quando colecionava álbuns dos Mundiais. “O primeiro que completei foi o da Copa de 1990”, lembra Bruno, nascido em 1980. “Em 1994, não consegui, mas em 1998 e 2002 completei.” Na Copa de 2014, o professor assistiu a quatro partidas e destaca a integração entre as torcidas. “Foi divertido ver gente de outros lugares, menos os argentinos, acampados por todo lado”, brinca.

“Lugar de velho é em casa”. “Você não é tão negra assim”. “Índio tem muito privilégio”. “Nem parece trans”. Essas são algumas das mensagens deixadas nas lixeiras de “Recicláveis?”, obra instalada no Parque Tecnológico da UFRJ “Lugar de velho é em casa”. “Você não é tão negra assim”. “Índio tem muito privilégio”. “Nem parece trans”. Essas são algumas das mensagens deixadas nas lixeiras de “Recicláveis?”, obra instalada no Parque Tecnológico da UFRJ. Criada por Thales Valoura, estudante e técnico da Escola de Belas Artes (EBA), a peça oferece bastões de madeira para que quem passa registre falas e situações para serem depositadas nas lixeiras reservadas a Machismo, Racismo, LGBTTfobia e Outros. O fundo de cada lixeira é transparente para que todos possam ler o conteúdo. A iniciativa, que integra o segundo ciclo da Galeria Curto Circuito de Arte Pública do Parque Tecnológico da UFRJ, está dando o que falar. Renato Alves, doutorando de Informática, confessa que usou o “Por que você está brava, é TPM (tensão pré-menstrual)?” em casa com a mulher. O jardineiro Ivan Junior já brigou por falarem “Macaco!” no futebol. E a estudante Larissa Carneiro cansou de ouvir “Engenharia não é para mulher” e “A culpa é do decote”. “A gente espera outra postura numa universidade”, lamenta. Professora de desenho da EBA, Dalila Pinto reconheceu imediatamente o “lápis cor de pele”, deixado na caixa do Racismo: “Sempre disse aos estudantes que isso não existe. Mas era uma explicação técnica de que tons são combinações de cores. Agora tenho a dimensão política da coisa”. O autor da obra destaca quatro conceitos: crítica social, didatismo, desmistificação da arte e participação do público. E afirma que o título “Recicláveis?” não é aleatório: “Até que ponto é possível reciclar um preconceito?”, indaga Thales, que critica a forma como as chamadas minorias são representadas. “Muitas vezes, aparecem na mídia de forma vazia e carregada de estereótipos”, avalia. ‘DIVERSIDADE É A CHAVE’ Leonardo Melo, coordenador de Desenvolvimento Institucional do Parque Tecnológico, diz que a obra resume a ideia do curto-circuito de uma galeria pública no Parque Tecnológico. “Diversidade é chave para inovação na sociedade em geral e nas empresas”. O Parque, segundo Melo, aposta na aliança entre arte e tecnologia – e entre diferentes unidades – para promover criatividade e humanização. “Somos UFRJ. A consolidação da Galeria como extensão é prova disso”. O coordenador celebrou a visita da diretoria da Adufrj ao Parque Tecnológico na segunda-feira, 11. “Esse diálogo nos fortalece como universidade”, destacou. A diretora Maria Paula Araujo (Instituto de História), deixou seu “Abaixo a gordofobia!” na lixeira “Outros preconceitos”. “Vivemos a ditadura das dietas e do visual fitness. Que as pessoas possam descobrir a própria beleza!”, resume.

Larissa Caetano Tradicional publicação na divulgação científica do país, a revista Ciência Hoje está de volta. Um ano e meio após ter a circulação interrompida por dificuldades financeiras, a publicação renasceu neste mês de junho em formato digital e apostando na interatividade com os leitores. A proposta é chamar o público a opinar sobre os temas, tirando o o cientista da zona de conforto. “Usaremos as redes sociais para interagir com o público por meio de um vídeo e um resumo”, afirma a superintendente-executiva e diretora de Redação, Bianca Encarnação. “Queremos que o pesquisador escreva com base no interesse do público”, completa. Ildeu de Castro Moreira, presidente da SBPC, elogiou a iniciativa: “Trazer a divulgação científica para a comunicação pública, com leitores participando, é muito significativo. Vejo com satisfação a volta da revista em novos formatos”, diz. O formato impresso só será produzido para assinantes digitais que solicitarem. As assinaturas anuais variam de R$ 130 (só a versão para crianças) e R$ 480 (pacote completo impresso e digital). (Larissa Caetano).

Comunidade acadêmica foi chamada a enviar propostas para alterar critérios da avaliação da Capes para programas de pós-graduação; sugestão frequente é equilibrar quantidade e qualidade A comunidade acadêmica vive a expectativa de mudanças no sistema de avaliação da pós-graduação feita pela Capes. Uma delas deve ser a inclusão de novos indicadores para mensurar a qualidade da produção dos programas. O sinal verde para modificações partiu da própria Capes, no fim do ano passado. O Conselho Superior da agência solicitou à comissão de acompanhamento do Plano Nacional de Pós-graduação 2011-2020 que fizesse uma consulta sobre o tema junto a entidades do meio científico e ministérios ligados à área. No último dia 12, a comissão apresentou resultados preliminares ao Conselho Técnico-Científico da Educação Superior (CTC-ES), que reúne diretores da Capes e professores representantes das grandes áreas do conhecimento. Realizado na sede da Capes, em Brasília, o encontro analisou sugestões de entidades como a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior no Brasil (Andifes); Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC); Academia Brasileira de Ciências (ABC); Finep e CNPq. Ao todo, foram recebidos 14 textos. “Identificamos dez pontos de convergência em dois terços das propostas”, afirmou Jorge Audy, da PUC-RS, que preside a comissão. “Agora analisaremos com profundidade”, completou, sem detalhar consensos nem divergências. Mas, segundo um docente ligado à Capes, um aspecto presente na maioria das sugestões foi justamente “um maior balanço entre indicadores quantitativos e qualitativos”. O relatório final do grupo será apresentado ao Conselho Superior da Capes em agosto.

Laboratórios da UFRJ estudam técnica, gestão e história do futebol. Ex-aluno da universidade, Parreira é professor de tática Fernanda da Escóssia e Gabriel Nacif Paes No país do futebol, ainda há quem pense que o esporte nacional não se aprende no colégio. Muito menos na universidade. Bola fora: o LabFut (Laboratório de Estudos das Ciências do Futebol de Campo, Futsal e Beach Soccer), criado em 2017 na Escola de Educação Física e Desportos (EEFD) da UFRJ, fez do esporte objeto de pesquisa científica e reúne pesquisadores que, para além de torcer, são também estudiosos do esporte trazido ao Brasil por Charles Miller. Idealizado pelos professores da EEFD José Fernandes Filho e Luis Antonio Verdini, o LabFut ganhou a parceria do Ministério do Esporte e da Autoridade de Governança do Legado Olímpico, o que deverá garantir ao projeto uma sala no Parque Olímpico, na Barra da Tijuca. O técnico do tetra, Carlos Alberto Parreira, vai coordenar a parte sobre técnica e tática de futebol. As pesquisas compreendem fisiologia, com foco em desempenho e rendimento, gestão e, claro, questões técnicas e táticas, como o esquema mais eficaz para a Seleção Brasileira abrir o “ferrolho” suíço no jogo de domingo (17/06), na estreia da Copa do Mundo da Rússia. “Criamos o LabFut porque a produção científica nacional sobre futebol não é proporcional ao peso do futebol no nosso país”, afirma Verdini, para quem isso se explica pela distância entre prática e o mundo acadêmico. “O futebol é um objeto difícil. Primeiro, por ser algo do qual todo mundo acha que entende. Outra dificuldade é que normalmente o cientista estuda algo com tempo para observar os resultados. No futebol, isso é simultâneo”, afirma. A UFRJ tem apostado na tabelinha entre ciência e futebol. Criou uma especialização que tem Parreira entre os professores. Vários ex-alunos disputaram Copas do Mundo como jogadores, técnicos ou membros da comissão técnica. O grupo, do qual fazem parte o técnico Antônio Lopes, Parreira e o fisiologista Paulo Figueiredo, professor da EEFD, foi homenageado este mês na escola. No Instituto de Psiquiatria, um projeto já usou o futebol como tratamento auxiliar. Um dos responsáveis pelo projeto era o psiquiatra Afonso Reis, ninguém menos que Afonsinho, craque que em 1971 conseguiu na Justiça o passe livre 27 anos antes da lei que garantiu o mesmo direito aos atletas. Na Copa, o LabFut estará em campo, no sentido científico, com softwares e especialistas para analisar técnica, tática, fisiologia e gestão do futebol. Objeto de estudo não há de faltar. Futebol também é história O futebol também ajuda a contar a história de um país, e este é um dos focos do Laboratório de História do Esporte e do Lazer da UFRJ. Ligado ao programa de pós-graduação em História Comparada, o projeto reúne pesquisadores de outras instituições, como Alvaro do Cabo, da Universidade Cândido Mendes. Ele estudou as representações da Copa do Mundo de 1978 em jornais do Brasil e Argentina daquela época. Victor Andrade de Melo, professor da UFRJ e um dos coordenadores do laboratório, diz que é necessário refletir sobre a atual Copa: “É muito importante por conta do protagonismo de Vladimir Putin”, afirma, destacando que a competição serve como instrumento político para o presidente.

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