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Adufrj reforça pressão pública pelo esclarecimento dos assassinatos da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista Anderson Pedro Gomes e Larissa Caetano* A pressão pública pelo esclarecimento dos assassinatos da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista Anderson Pedro Gomes ganhou reforço desde a semana passada. A Adufrj espalhou a campanha “Apuração Já” pela cidade, com seis outdoors, cinco anúncios em quatro linhas de ônibus, três galhardetes no campus do Fundão e três faixas nas janelas da Faculdade Nacional de Direito. “É como uma entidade comprometida com os direitos humanos e a defesa da paz que a Adufrj se insere nesta campanha. Queremos apuração”, afirma a presidente da associação docente, professora Maria Lúcia Werneck. Mais de um mês após os crimes, em 14 de março, os assassinos não foram identificados. Os outdoors podem ser vistos na Avenida Brasil, em frente à Fiocruz; em Bonsucesso; na Avenida Brigadeiro Tromposwski (entrada da Ilha do Governador); no Catumbi, próximo ao túnel Santa Bárbara e na Avenida Venceslau Brás, em Botafogo, ao lado do campus da Praia Vermelha. As artes são de autoria de André Hippert: “É possível fazer design engajado. Deu-me orgulho desenvolver esta iniciativa”, disse. As ilustrações partiram de um cartaz de uma passeata em homenagem a Marielle.   “AGORA EU SEI QUEM É MARIELLE” O Boletim da Adufrj foi às ruas para ouvir a população sobre a campanha “Apuração Já”. Estudante da Faculdade de Letras, Janaína Ligeiro elogiou a iniciativa: “Outras entidades deveriam tomar partido”. Ela revelou ter votado em Marielle na última eleição: “Ela, como mulher, negra, periférica, representaria o que a gente tá precisando nesse momento político”, destacou. Mestranda de Comunicação da UFF, Maria Beatriz Viana disse que este tipo de campanha faz parte do papel de uma organização da sociedade civil, mesmo não havendo professor ou funcionário da UFRJ como vítimas do crime: “Esse tipo de cobrança pressiona a polícia por resposta”. Ambulante no Piscinão de Ramos, Maria das Graças disse que, ao matarem Marielle, os assassinos tornaram suas ideias mais conhecidas: “O pessoal está conhecendo ela. Agora eu sei quem é Marielle”. *Estagiária e estudante da Escola de Comunicação

O dramático panorama da segurança pública foi discutido em debate promovido pela Adufrj, na quinta-feira, 26, com a presença de dois estudiosos da área, professores Luiz Eduardo Soares e Michel Misse. Antropólogo e ex-subsecretário de Segurança do Rio, Soares apresentou dados da criminalidade e mostrou que o sistema penal explicita distorções. “Temos 60 mil assassinatos por ano, mas só 12% dos presos são homicidas”, contou. “Por que não há indignação com essa chacina? Porque são vidas negras, pobres e da periferia”, avalia. Outra distorção, segundo Soares, é o trabalho policial. Por lei, a investigação cabe à Polícia Civil. “A Polícia Mililitar é instada a apresentar resultados à sociedade. Como não pode investigar, o mais imediato que pode apresentar é a prisão em flagrante”, explicou. “Quem é preso em flagrante? O pequeno operador do tráfico, o ‘aviãozinho’. Esse lota os presídios. Contabilizamos violência futura”. INTERVENÇÃO É ELEITORAL “Quando a intervenção iniciou, senti cansaço”, desabafou o sociólogo Michel Misse, professor do IFCS. “Como um quadro de cultura de violência e de corrupção policial poderia ser modificado pelas Forças Armadas?”, questionou. “Por melhores que sejam as intenções, militares não têm atribuição nem recursos para realizar investigações”, avaliou. Na visão de Misse, a intervenção é uma ação eleitoral. “A intervenção não é solução e, talvez, nem seja problema, porque não dura”, disse. “Os militares entraram a contragosto, numa situação emergencial, diante da perda política que seria para Temer não aprovar a reforma da Previdência”, justificou. “Por outro lado, ela responde à crise do estado do Rio, liberando recursos”, observou. A proposta da mesa “Intervenção: solução ou problema?” era um debate que contemplasse o contradório, com discussão entre defensores e críticos da intervenção decretada em fevereiro. A Adufrj lamentou a ausência de última hora do antropólogo e ex-diretor do Viva Rio Rubem César Fernandes, favorável à política. Ele faltou por problemas de saúde. “Acreditamos ser papel de uma entidade de base heterogênea contribuir para o melhor esclarecimento possível em temas complexos”, afirmou Maria Lúcia Werneck, presidente da Adufrj.

Larissa Caetano* Pela primeira vez em 14 anos, duas chapas disputam a direção de um dos maiores sindicatos do Brasil, o Andes-SN, com 64.714 sindicalizados, entre professores ativos e aposentados de universidades públicas e privadas de todo o país. O pleito ocorre nos dias 9 e 10 de maio. A chapa 1, da situação, chama-se Andes Autônomo e de Luta. A oposição está representada na chapa 2, Renova Andes. A UFRJ tem o maior colégio eleitoral, com 3.481 docentes aptos a votar. As urnas serão espalhadas pelos campi. O material com propostas será distribuído para os sindicalizados nos próximos dias. Para a professora Ligia Bahia, vice-presidente da Adufrj e presidente da comissão eleitoral local, a eleição é importante exatamente por haver dois programas concorrendo. Ligia Bahia afirma que a comissão eleitoral está agindo para que o pleito transcorra da maneira mais ampla e transparente possível. Um debate foi planejado pela diretoria da Adufrj, mas em mensagem datada de 19 de abril e enviada para a direção da seção sindical, a chapa 1 declinou o convite, alegando falta de tempo para participar do evento. *Estagiária e estudante da ECO

Professora e antropóloga Rosana Pinheiro Machado, da Universidade Federal de Santa Maria, analisa opressão e sofrimento mental no ambiente universitário Um lugar de vaidades contínuas e humilhações cotidianas, onde a sensação de poder ilimitado de uns contribui para o sofrimento intenso de outros. Que lugar é esse? Acertou quem respondeu universidade. A análise é feita pela antropóloga Rosana Pinheiro Machado, uma estudiosa do ethos universitário, o modo como a instituição se constrói. Professora da Universidade de Oxford e professora visitante da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), Rosana palestrou na Faculdade de Letras da UFRJ. Ao longo dos últimos anos, ela observou o ambiente universitário no Brasil e no exterior. Sua palestra expõe depoimentos que soam como velhos conhecidos a quem batalha por um título acadêmico. “O professor falou que citar Foucault não era pra qualquer um não.” “Disseram que minha escrita acadêmica não é legítima.” Sem jamais esquecer os donos de Bourdieu, que se acham os únicos a entender o sociólogo francês. Para citar, quem diria, Bourdieu, o campo acadêmico escrutinado pela pesquisadora é marcado pela opressão de professores sobre alunos. “O ethos da universidade esmaga os estudantes”, diz Rosana. Ao mesmo tempo, formam-se redes de patronagem acadêmica, que incluem desde favorecimento dos pupilos até citações cruzadas em trabalhos científicos, num nepotismo acadêmico em que amigos citam amigos. Segundo Rosana, figuras comuns nesse mundo são os “fracos” – que não aguentam a pressão –  e os “fodas” –  que publicam, orientam e podem tudo. Para quem não se liga aos patronos nem é “foda”, mesmo sem ser fraco, a pós se torna difícil. Surgem depressão, sofrimento mental e suicídios tentados ou consumados. Estudo da Nature Biotechnology citado por Rosana aponta que 39% dos universitários têm depressão. “Fatores sincrônicos e diacrônicos fazem com que o mundo acadêmico seja uma bomba para estourar. É um lugar em ruínas”, afirma Rosana, que este ano lança o livro “Pequena História da Opressão Acadêmica”. Para tranquilizar quem leu até aqui, há, sim, orientadores generosos e orientandos disciplinados que escrevem uma página por dia. Afinal, até Max Weber procrastinava a entrega de textos e tomava ópio contra o bloqueio na hora de escrever.   ENTREVISTA ROSANA PINHEIRO MACHADO Antropóloga, professora da UFSM Por que a universidade, um lugar de conhecimento, se transformou nesse lugar de opressão apontado em suas pesquisas? Temos um sistema produtivo que se transformou e demanda mais produção acadêmica em tempo mais curto. Temos uma universidade, especialmente no Brasil, que incorporou novos grupos sem desenvolver capacidade de ampará-los. Ao mesmo tempo, mantém um ethos que não se modifica. Qual o papel do professor diante do sofrimento de alunos? De modo geral, o professor tem que tirar essa coisa de proteger, de modo privilegiado, seus alunos, seus pupilos, tornar isso uma questão metodológica, de didática. É papel dos professores ensinar a escrever bem, ensinar técnicas, ensinar a fazer um debate, quais os caminhos de emprego – coisas que os alunos têm que descobrir sozinhos. A outra coisa é o papel do orientador. Os orientadores, muitas vezes, não estão preocupados com orientandos, estão preocupados com seu currículo. Qual tem sido a reação da universidade? Entre estudantes, a reação é muito boa. Reações positivas, extremas, de chorar. Uma reação muito boa, profunda. Por outro lado, na universidade, dizem que, se quero emprego, fazer concurso, não deveria fazer esse debate.  

Proposta que altera resolução do Consuni sobre critérios de progressão e promoção provocou intensa polêmica entre professores. Pró-reitoria de Extensão defende a mudança Uma proposta de mudança na resolução do Consuni que trata do desenvolvimento na carreira docente provoca polêmica na UFRJ. O documento, que circula nas unidades e centros, mexe na parte de Extensão da universidade e muitos professores manifestaram preocupação com um possível cerceamento às atividades da área. Já a Pró-reitoria de Extensão (PR-5) argumenta que o objetivo é aperfeiçoar a legislação. A professora Denise Pires de Carvalho, do Instituto de Biofísica, estava no Conselho Universitário quando a resolução nº 08, de 2014, foi aprovada. Segundo ela, após muita discussão: “Tentamos que o texto ficasse o mais amplo possível, mas sem deixar muito livre. A UFRJ é muito grande, muito diversa”, afirmou. Denise não entende a iniciativa para reformulação do texto, sem demanda das unidades. Para a professora, a proposta restringe o número de atividades que hoje são consideradas de Extensão. Diretora do Instituto de Matemática, a professora Walcy Santos critica a obrigatoriedade de registro no sistema da PR-5 para a progressão na carreira. Ela deu como exemplo a palestra que fez em uma escola, a pedido de um colega que possui projeto na área: “Atualmente, essa atividade conta; não sei como ficará com as novas regras”, observou. Hoje quando um docente apresenta um relatório de progressão, a pontuação referente a projetos de extensão relativos à integração com a comunidade, como aulas em escolas públicas, pode ser aprovada tanto pela unidade quanto pelo sistema da reitoria. Com a mudança proposta, a pontuação só ocorrerá para projetos registrados na PR-5. A pró-reitora Maria Malta esclarece que haverá pontuação se o projeto estiver cadastrado no sistema e que isso é uma forma de dar transparência e institucionalidade ao processo. Segundo ela, o trecho da resolução está sendo discutido desde 2016 num fórum de coordenadores da área, a chamada Plenária de Extensão. “Estamos nos preparando para quando a discussão retornar ao Consuni”, disse. A proposta, formulada por uma comissão com um representante de cada Centro, foi distribuída às unidades em agosto, mas sucessivos pedidos de adiamento impediram uma definição. Em 7 de maio, será feito um novo cronograma. Maria Malta diz que os novos parâmetros, se aprovados, respeitam a diversidade das unidades.

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