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Em entrevista exclusiva à Adufrj, Prêmio Nobel da Paz defende rebeldia contra injustiças e afirma que universidade não pode ficar omissa diante de ataques aos direitos humanos Adolfo Pérez Esquivel é defensor de uma paz ruidosa, de muitas e múltiplas vozes. No Brasil, a convite da UFRJ, o argentino detentor do Prêmio Nobel da Paz de 1980 teve intensa agenda pelos Direitos Humanos. Tirou o fôlego das plateias por onde passou, incitando “rebeldia intelectual e espiritual” frente às injustiças. “A Universidade deve ter um compromisso com o Estado livre. Aberta ao povo e não fechada em si mesma”, advertiu. Em ato na Faculdade Nacional de Direito, homenageou Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes e afirmou que “não pode haver paz sem justiça”. Também espalhou otimismo: “Apesar das dificuldades, é preciso ter alegria interior para continuarmos a luta”. Esquivel deu a aula magna da UFRJ no dia 18, no Centro de Ciências da Saúde, e anunciou o desejo de visitar o ex-presidente Lula na prisão, em Curitiba - visita que, até esta quinta-feira, não fora autorizada pela Justiça Federal. Esquivel falou com exclusividade ao Boletim da Adufrj. Confira a seguir:   Como o senhor vê o cenário dos direitos humanos hoje na América Latina? Hoje há um retrocesso enorme. As democracias estão em perigo, houve aumento da pobreza e da exclusão social. Vivemos golpes de Estado encobertos. Tentaram fazer com Hugo Chávez, na Venezuela; na Bolívia, com Evo Morales; com Rafael Correa, no Equador. Conseguiram com Manuel Zelaya, em Honduras, e Fernando Lugo, no Paraguai. Houve a experiência com Dilma Rousseff. Agora contra Lula, para tirá-lo do cenário. É uma política continental para evitar que partidos do povo voltem ao poder. O senhor move campanha internacional pela liberdade do ex-presidente Lula e pela indicação dele ao Nobel da Paz. Qual a expectativa desta articulação? Há solidariedade internacional a Lula em diversos países. Em pouco tempo, ultrapassamos 250 mil assinaturas. Lula retirou da miséria extrema 36 milhões de brasileiros e brasileiras. Nenhum outro governo conseguiu algo assim. O impedimento de sua candidatura a presidente é um fato importante para os direitos humanos. Esperamos reverter esse processo. Temos que tirar Lula do cárcere, sim ou sim. Ativistas como Marielle são a ponta mais frágil da luta pelos direitos humanos? Infelizmente, execuções de defensores dos direitos humanos e jornalistas são uma realidade constante. Essas mortes nos afetam a todos, pois os atentados visam à paralisação das organizações que lutam pelos direitos humanos. Marielle foi uma mulher extraordinária. E, para mim, é como dizem: uma semente viva. Qual o papel da universidade nesse tema? Gerar conhecimento e também valores. Se ela se omite no tema dos direitos humanos, não está cumprindo corretamente seu papel.

Tema será debatido por: Rubem César Fernandes, antropólogo e diretor do Viva Rio; Luiz Eduardo Soares, antropólogo e ex-secretário de Segurança do estado; e Michel Misse, sociólogo e professor do IFCS Tema será discutido por: Rubem César Fernandes, antropólogo e diretor do Viva Rio; Luiz Eduardo Soares, antropólogo e ex-secretário de Segurança do estado; e Michel Misse, sociólogo e professor do IFCS. Atividade está marcada para quinta-feira (26), a partir das 13h, na sala D220 do Centro de Tecnologia                

Nobel da Paz defende rebeldia contra injustiças e aponta retrocesso nos direitos humanos na América Latina, destacando papel da universidade no pensamento crítico: "A pior monocultura é a das mentes. Não se deixem dominar " Em aula magna na UFRJ, o prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel pediu liberdade para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba depois de condenado na Operação Lava-Jato. “Para mim Lula não é nenhum delinquente, é um preso político”, afirmou Esquivel, aplaudido pelo auditório Quinhentão, no Centro de Ciências da Saúde, na manhã desta quarta-feira (18). Esquivel, preso e torturado pela ditadura argentina nos anos 70, lembrou como conheceu o ex-presidente, num tempo em que Lula era líder sindical e os dois ainda tinham cabelos pretos _ hoje estão ambos, Lula, 72, e Esquivel, 86, de cabelos brancos. Esquivel disse que, saindo do Rio, partiria para Curitiba para tentar visitar o ex-presidente. Professor catedrático da Universidade de Buenos Aires, Esquivel destacou o desafio da universidade na construção de espaços de liberdade e de um pensamento crítico: “Todos têm direito de compartilhar de uma universidade aberta ao povo”, afirmou ele, que citou o educador brasileiro Paulo Freire como um mestre que ensinou a pensar a educação como uma forma de alcançar a liberdade. Esquivel defendeu que a preocupação com os direitos humanos seja transversal e faça parte das preocupações de várias disciplinas. Adolfo Pérez Esquivel ganhou o Prêmio Nobel em 1980, por seu trabalho de combate à ditadura argentina. No Rio, tratou de liberdade e democracia num tempo que, segundo sua análise, é marcado pelo retrocesso nos direitos humanos e pela volta de governos autoritários na América Latina. “Vivemos em governos autoritários e repressivos na América Latina. Não há democracia perfeita, somos uma sociedade de homens e mulheres com nossas luzes e sombras. Podemos melhorar muitas coisas se compreendermos o próximo. Devemos construir a rebeldia frente às injustiças e ao sofrimento de nosso povo. Devemos trabalhar para a vida e para construir uma nova sociedade.” O ativista lembrou o assassinato de Marielle Franco, a quem chamou de líder extraordinária, e disse que se emocionou ao ouvir relatos de famílias de vítimas da violência no Rio. Sempre relacionando a situação brasileira com a latino-americana e a mundial, afirmou que é preciso construir democracias mais participativas, nas quais o povo não entregue todo o poder e tenha mais ferramentas de ação. Ao final da aula magna, Esquivel mais uma vez defendeu a liberdade de Lula: “Cuidem da palavra. Com uma palavra podemos amar e destruir, a palavra pode ser tão destrutiva como uma arma. Antes nos diziam que a luta era contra o comunismo. Depois disseram que era contra o terrorismo e o narcotráfico. Hoje dizem que é contra a corrupção. Por isso prenderam um inocente como Lula, justificando o justificável”, afirmou. Esquivel encerrou a aula magna de modo emocionante, lembrando que, na agricultura, a monocultura destrói a diversidade da vida. E completou: “A pior monocultura é a das mentes. Não se deixem dominar. Desejo-lhe muita força e esperança para construir uma nova sociedade.”

Objetivo do evento internacional, que será realizado em maio, é aproximar pesquisadores e população. Temas da Ciência serão apresentados em ambientes descontraídos, numa linguagem mais acessível Objetivo do evento internacional, que será realizado em maio, é aproximar pesquisadores e população. Temas da Ciência serão apresentados em ambientes descontraídos, numa linguagem mais acessível.    

Vencedor do Prêmio Nobel da Paz participou de debate na Faculdade Nacional de Direito ao lado de representantes de movimentos sociais; Esquivel fará amanhã aula magna da UFRJ   Democracia não é um presente, é uma conquista que vem como fruto da Justiça _ e o cenário brasileiro está ligado a um quadro de retrocesso em toda a América Latina. Assim o Prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel abordou a luta dos movimentos sociais e as ameaças aos direitos humanos hoje no continente latino-americano. Esquivel participou ontem da homenagem do Fórum de Direitos Humanos à vereadora Marielle Franco e a seu motorista Anderson Gomes, nesta segunda-feira, 16, na Faculdade Nacional de Direito (FND) da UFRJ. “A democracia não é um presente dado. Ela é uma conquista permanente. E paz também não é algo que se ganha, ela é uma relação dinâmica. E não a ausência de conflito”, afirmou Esquivel, que ganhou o Nobel em 1980. “A única forma de encontrar a paz é como fruto da justiça”, completou, de um salão nobre lotado na FND. O ativista argentino conectou o cenário político brasileiro a um quadro mais amplo de retrocesso de direitos na América Latina e defendeu a integração regional. “É preciso pensar que tipo de país queremos, porque vivemos em um sistema que privilegia o capital financeiro acima da vida dos povos”, enfatizou. E advertiu: “Os governos que pensam serem amigos dos EUA se enganam. Os EUA não têm aliados. A América Latina deve unir-se”. Movimentos sociais e ONGs ligadas aos direitos humanos deram destaque ao agravamento dos assassinatos de ativistas. “Mais de cem lideranças do campo foram assassinadas nos últimos dois anos”, relatou Marina dos Santos, da Direção Nacional do MST. Segundo Alice de Marchi, da ONG de direitos humanos Justiça Global, o Brasil, México e Colômbia encabeçam o ranking de países com mais mortes de defensores de direitos humanos. “Essas posições têm relação direta com a política de militarização e guerras às drogas”, frisou a pesquisadora. Muito emocionadas, as viúvas da Marielle e Anderson, Monica Benício e Agatha Reis, receberam flores e abraços do Nobel argentino no encerramento da atividade. “Desejo às famílias muita força e muita esperança. Até a vitória, sempre”, estimou Esquivel. O ativista de direitos humanos fará amanhã a aula magna da UFRJ. ____________ Serviço: Aula magna com Adolfo Pérez Esquivel Local: Auditório Rodolpho Paulo Rocco (Quinhentão), Centro de Ciências da Saúde, Cidade Universitária (Ilha do Fundão) Horário: 10h30

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