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Em 2016, Colégio de Aplicação da UFRJ aboliu o jubilamento. Até então, duas repetências dentro do mesmo ciclo - fundamental ou médio- significavam o cancelamento da matrícula escolar. A mudança foi realizada durante a gestão das professoras Maria Cristina Miranda e Graça Reis, reeleitas como diretora e vice-diretora até 2020. Durante a cerimônia de posse, nesta quinta-feira 19, no Teatro do CAp, ambas destacaram os desafios para a inclusão escolar. “Desde 2000 o CAp realiza o sorteio público de vagas. Em 2017, colhemos frutos, abolindo o jubilamento. Agora precisamos avançar em políticas institucionais de permanência”, frisou a diretora Cristina Miranda. Segundo sua colega e vice, Graça Reis, o foco da nova gestão para o próximo biênio é completar as mudanças no sistema de avaliação da escola para dar suporte aos alunos com mais dificuldades. "Nossa ideia é de que a escola seja cada vez mais inclusiva e democrática", declarou. Na mesa de posse, Cristina Miranda comemorou a formação do primeiro coletivo negro entre os estudantes. E listou como progressos alcançados nos últimos anos a ampliação da educação de jovens e adultos no turno da noite e projetos de extensão em parceria com escolas da rede pública. A diretora também fez críticas a Reforma do ensino médio e o projeto Escola sem partido, celebrando a realização de concurso para professores permanentes de Filosofia e Sociologia: “Nesse momento, em que são retiradas do currículo, é preciso pensarmos o lugar dessas disciplinas tão importantes na construção do conhecimento público, gratuito e laico”. A educação especial apareceu como outra meta para a gestão. Para Graça Reis, além de  equipamentos, "é fundamental a capacitação de professores para acompanhar alunos com deficiências". Em seu discurso, Cristina Miranda disse que o ingresso do primeiro aluno cadeirante no Colégio de Aplicação da UFRJ, em 2017, fez a escola “refletir sobre nosso o espaço e o que ele precisa para receber a todos”. Integração Na mesa da cerimônia, o reitor Roberto Leher e a decana do Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Lilia Pougy, defenderam a integração do Colégio de Aplicação da UFRJ com as demais instituições de ensino e, em especial, com a rede básica pública. “Não pode haver universidade democrática sem diálogo com a educação básica”, argumentou o reitor Roberto Leher. “Dois terços da população adulta não concluíram o ensino médio. Isso significa que a grande maioria da população não pode chegar à universidade. É grave a naturalização dessa triagem social”. Já para a decana, o CAp tem potencial agregador e protagônico: “Fortalecer o papel da educação básica em um contexto de esfacelamento da rede é uma tarefa urgente”, opinou a decana.    

“O que faz a UFRJ ser a UFRJ é a ousadia e a responsabilidade com o bem-estar dos povos” afirmou o reitor Roberto Leher, durante a aula magna de Esquivel. “A universidade pública é um espaço que requer a liberdade ilimitada. Para isso, precisa estar ao lado dos direitos humanos e comprometida com a ética pública”. O reitor defendeu a liberdade como bem inerente à universidade. Criticou o cerceamento aos trabalhos acadêmicos, como a censura do MEC aos docentes que oferecem disciplinas analisando a golpe de Estado contra a presidente Dilma. Lamentou ainda a condução coercitiva do reitor da UFMG, Jaime Arturo Ramirez, e os eventos que levaram ao suicídio do ex-reitor da UFSC Luiz Carlos Cancellier.

Médico, cadeirante, tenista, atleta paralímpico. José Carlos Morais, professor da Faculdade de Medicina da UFRJ, é um dos precursores do tênis adaptado no Brasil e o primeiro brasileiro a participar de uma paralimpíada na modalidade, em Atlanta-1996. Graduado pela Universidade Católica de Pelotas, ele veio ao Rio fazer residência médica em Patologia na UFRJ, em 1972, quando um assalto alterou seus planos. “A minha vida ia ser estudar, casar com a namorada de adolescência e trabalhar. Um tiro mudou tudo”, diz. Ficou paraplégico, e durante o processo de reabilitação conheceu o esporte. Foi a três Paralimpíadas (em 1980, como jogador de basquete, 1984, como chefe da delegação brasileira, e 1996, como tenista) e nove mundiais. Treinava cinco vezes por semana. Mas se manteve em sala de aula: “Era puxado, mas conseguia conciliar”. Uma das principais lembranças é entrar em um estádio olímpico: “Escutar a plateia gritar ‘Brasil, Brasil!’ gera uma emoção indescritível”. Morais criou e coordena o projeto Cadeiras na Quadra, que ensina crianças e adultos paraplégicos a jogar tênis adaptado. “São 15 alunos. A idade mínima para iniciar é de 6 anos”, explica. Localizado em um centro esportivo em Itacoatiara, na região metropolitana de Niterói, o projeto fornece cadeiras, raquetes e todo material necessário. O professor quer criar mais unidades. Quarenta e cinco anos depois do assalto que o vitimou, Morais lançou o livro “Roda Vida, Memórias de Cadeirante”. “Tive uma história que deu certo. Não tive que superar, tive de aceitar e mostrar que a vida é possível”, explica.

Ações concretas para combater décadas de preconceito contra LGBTs. Assim alunos e professores da Faculdade de Medicina da UFRJ, uma das mais tradicionais do país, tentam reagir a uma rotina incômoda, que inclui de piadinhas a ameaças. O relato mais contundente veio do estudante Gustavo Amorim, que compartilhou nas redes o que viveu. “A humilhação era constante. ‘Veado não pode fazer urologia’, disse um professor. ‘Veado faz toque retal sem luva’, dizia o médico na aula prática. ‘Essas bichas dão o (*) e depois vêm reclamar que pegam HIV’, disse outro. ‘Você é muito afeminado. Se contenha na enfermaria’, disse meu preceptor de clinica médica. ‘Ainda bem que não veio aquele veado, senão tacaria fogo nele’, disse o anestesista durante um plantão na maternidade-escola. A cada ofensa, a dor aumentava”, escreveu ele num post. Diante da repercussão, Gustavo foi convidado para a reunião da Congregação da Medicina. Professores se solidarizaram. “Alguns sentem esse tipo de coisa, mas se calam. Todos sabem quem são os preconceituosos”, conta Gustavo, que, de modo informal, levou os nomes dos agressores à direção da Faculdade. A Congregação aprovou nota de repúdio contra qualquer forma de preconceito. O diretor da Faculdade, Roberto Medronho, disse que não compactua com casos assim e que, caso receba oficialmente os nomes dos responsáveis, será aberta sindicância – o que é difícil, pois os alunos temem retaliações. “O preconceito é inadmissível, ainda mais num lugar de Medicina e Educação. Um médico, que fez juramento para salvar pessoas, não pode ter esse tipo de comportamento”, afirmou Medronho. Antes e depois de Gustavo, outros alunos sofreram LGBTfobia – e puxar o fio das histórias é desenrolar um novelo de humilhações cotidianas, que doem de novo quando lembradas. “No bandejão, um cara me olhou. Outro disse: ‘Achou bonita? Espera tirar a roupa para ver o que tem’. Sofri no bandejão, no hospital, em todo lugar. Mas houve coisas boas, apoio de professores maravilhosos”, conta Helena Maria de Souza, que no ano que vem será a primeira trans a se formar em Medicina na UFRJ. Estudantes formaram o Coletivo Diversidade LGBT e estão alertas a novos episódios. A faculdade montou uma Comissão de Direitos Humanos para acompanhar violações e está criando um site para denúncias anônimas. Um inédito workshop sobre saúde LGBT está previso para o dia 3 de maio no IPUB (Instituto de Psiquiatria), na Praia Vermelha, com apoio da professora Erotildes Leal. “LGBTs têm demandas de saúde, mulheres trans usam hormônios. Queremos estudar isso”, diz um dos organizadores do workshop, o aluno Laerte Fontes, membro do coletivo LGBT. Outra possibilidade é uma disciplina de saúde LGBT – para que o debate não se encerre, cobra a aluna Rachel Oliveira, bissexual: “Isso deu visibilidade ao problema. Mas preconceito não acaba da noite para o dia.”   MEMÓRIA: ESQUADRÃO FAZIA TROTE VEXATÓRIO A Faculdade de Medicina já teve uma fraternidade, o Esquadrão de Bombas, que comandava o trote vexatório, com humilhações dos calouros. As calouras eram submetidas a assédio constante. Uma canção popular na faculdade dizia que “Medicina não é coisa de menina”. O Esquadrão ameaçava LGBTs e, nas festas, proibia casais do mesmo sexo. Em 2013, calouros foram obrigados a entrar numa piscina com urina. O trote vexatório e o Esquadrão foram proibidos. NOTA DE REPÚDIO DA FACULDADE DE MEDICINA O documento, aprovado em 12 de abril, lembra a Declaração Universal de Direitos Humanos e o papel da educação. Alguns trechos: ”A Congregação da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro manifesta seu mais profundo repúdio a qualquer manifestação de discriminação seja de que ordem for a qualquer membro de seu corpo social (docentes, discentes e técnicos-administrativos). Não é concebível que uma instituição cuja missão envolva a Educação e a Saúde seja palco de comentários que exponham, ridicularizem e ofendam quem quer que seja. Mais intolerável ainda quando os responsáveis por estas atitudes se encontram numa função em que detêm algum poder sobre aqueles que são alvo de seus comentários. Esta Faculdade empreenderá todos os esforços para que isto não mais ocorra e tomará todas as medidas cabíveis para a punição de quem assim o fizer. “

Pesquisadores da UFRJ desenvolveram uma droga sintética que, em testes com ratos, mostrou capacidade de regenerar lesões gravíssimas. A pesquisa é coordenada pela professora Tatiana Sampaio Pesquisadores da UFRJ desenvolveram uma droga sintética, a polilaminina, que, em testes com ratos, mostrou capacidade de regenerar lesões de medula. A fase de estudos clínicos está começando agora, com pacientes dos Hospitais Souza Aguiar, no Rio, e Azevedo Lima, em Niterói, que tenham sofrido lesões medulares. Nos testes com animais, em caso de lesões moderadas, os movimentos foram totalmente recuperados. Quando o corte da medula foi completo, houve recuperação parcial dos movimentos. A polilaminina foi patenteada em 2007 no Brasil pelos pesquisadores do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular da UFRJ, mas só agora foi possível iniciar os testes clínicos. A pesquisa é coordenada pela professora Tatiana Sampaio, do Instituto de Ciências Biomédicas e diretora da Adufrj. O trabalho começou em 2000, quando a equipe sintetizou em laboratório a polilaminina, um biofármaco capaz de recompor a estrutura original da laminina, proteína existente no corpo humano. O segundo passo foi achar uma função para a polilaminina e saber em que tipo de terapia ela podia ser utilizada. O grupo descobriu que a droga era capaz de estimular a reconstrução espontânea da medula espinhal ou mesmo do cérebro. Pela primeira vez, chegou-se a uma droga sintética capaz de estimular um processo natural que, por alguma razão, estava bloqueado. Artigo recente publicado pelos pesquisadores no “Journal of Neuroscience”, prestigiado periódico científico, mostra que a laminina está presente em nichos no cérebro que abrigam células-tronco responsáveis pela formação de novos neurônios, a chamada neurogênese. A polilaminina, ao reconstituir a estrutura da proteína original, permite a recomposição da área afetada por lesões. O artigo foi escrito em colaboração com o pesquisador Marcos Assis Nascimento, do Instituto de Biofísica. Também participam do projeto pesquisadores da Universidade de Münster, na Alemanha. Os testes com pacientes envolverão mais de uma dezena de profissionais, inclusive equipes dos hospitais envolvidos. A descoberta foi noticiada com destaque no jornal O Globo no dia 19 de abril. Para os testes com humanos, Tatiana destaca que os candidatos devem se adequar a vários critérios, desde idade e questões de saúde até características do quadro clínico. A droga tem de ser aplicada em até três dias depois que a pessoa sofre a lesão _ por isso é preciso recrutar os pacientes em emergências, para que a droga seja aplicada num prazo curto.  “Vamos partir agora para a fase mais difícil, a clínica. Sabemos que isso abre caminho para buscar terapias para doenças que envolvem lesões de células nervosas, como o Alzheimer. É uma pesquisa de uma vida”, resume.   SERVIÇO: Interessados podem obter mais informações no site www.polilaminina.com.br      

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