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Letras2Arquivo AdUFRJO Conselho Universitário modificou as regras de concursos para tornar mais diverso o corpo docente da UFRJ. As cotas agora serão aplicadas ao total de vagas ofertadas pela instituição em cada edital. Ou seja, não mais em um determinado setor, como era feito até hoje. A lei prescreve que a ação afirmativa só existe onde há disputa por três vagas ou mais, o que raramente ocorria no modelo atual.
O colegiado aprovou uma forma inovadora para destinar a reserva de vagas para negros (20%) e pessoas com deficiência (mínimo de 5%): as unidades e departamentos que apresentarem a menor proporção destes grupos terão prioridade. O levantamento ficará sob responsabilidade da pró-reitoria de Pessoal. A unidade que não disponibilizar os dados será considerada a de menor proporção entre todas. Em caso de empate, haverá sorteio público. “Inventamos um sistema que não existe em lugar algum. Vai dar efetividade às cotas”, comemorou Igor Alves Pinto, representante dos pós-graduandos no colegiado e relator do processo.
A resolução, tratada ao longo de várias sessões e finalizada no último dia 10, adequou a linguagem do texto anterior no que diz respeito ao gênero e também aperfeiçoou alguns dispositivos para ampliar a lisura dos concursos. Um dos exemplos é a formação das bancas avaliadoras, que deverá obedecer a critérios objetivos (de impedimento) e subjetivos (de suspeição). Ficam impedidos de participar de comissões julgadoras parentes até o 3º grau e orientadores de pós-graduação dos candidatos.
Quem integrar a banca e tiver produção intelectual com algum candidato poderá declarar-se suspeito. Houve alteração ainda no tempo da prova de aula, que será entre 40 e 60 minutos — pela regra anterior, de 2018, era de até 50 minutos.
A proposta também previa que a etapa da prova escrita se tornasse opcional para as unidades acadêmicas, o que foi rejeitado em apertada votação (20 contra 19), após bastante debate. “A prova escrita, em geral, não é a melhor forma de fazer a eliminação de candidatos. Devemos selecionar pelo currículo e colocar a prova de aula como ingrediente fundamental”, defendeu o professor Nelson Braga, representante dos Titulares do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza.
“O princípio da impessoalidade é ferido de morte com a retirada da obrigatoriedade da prova escrita”, disse o professor Flávio Martins, decano do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas. “Caberia à própria banca saber como vai aplicar a prova escrita. Se vai ter uma extensão maior ou menor, um grau de dificuldade maior ou menor. A banca tem autonomia para isso”, completou.
Ao final da sessão, o colegiado prorrogou por seis meses os editais de concursos de professores e técnicos-administrativos que ainda não foram realizados em função da pandemia. Como já foram abertos, eles serão regidos pelas regras anteriores.

WhatsApp Image 2020 11 14 at 00.58.252Os professores da Universidade Federal da Paraíba resolveram paralisar suas atividades por 24 horas, no próximo dia 18. Haverá atos e outras mobilizações na data. A decisão foi tomada nesta sexta-feira (13) em assembleia geral convocada pela AdUFPB, em resposta à intervenção do governo na instituição. A comunidade acadêmica da UFPB perdeu a paz desde que o presidente Bolsonaro nomeou o último colocado da lista tríplice para a reitoria da universidade, dia 5. Os estudantes imediatamente ocuparam a reitoria. No dia 11, o professor Valdiney Veloso tomou posse do cargo de reitor, mas a comunidade acadêmica deu posse simbólica à reitora eleita, professora Terezinha Domiciano. O reitor interventor foi recebido com chuva de ovos. Os sindicatos que representam docentes e técnicos veicularam nas emissoras de TV e rádios locais uma nota à população contra a nomeação. Veloso foi o último colocado da lista tríplice da UFPB e não obteve votos no colégio eleitoral. Já são 15 as universidades sob intervenção de Bolsonaro.

cineadA relação entre universidade e as transformações sociais nas telas do cinema esteve em debate no CineAdUFRJ, uma parceria do sindicato com o Grupo de Educação Multimídia da Faculdade de Letras (GEM), no dia 4/11. “A universidade aparece como uma grande provocadora da autoconsciência da sociedade”, avalia Alexandre Pilati, docente do Instituto de Letras da UnB.
Para o pesquisador, a representação da instituição na sétima arte reflete uma inquietação natural sobre o futuro. “A ideia de um projeto nacional que vá além de uma realidade social, cada vez mais degradada, não pode prescindir da universidade”, opina. “E a universidade não pode descartar seu papel para a construção de um projeto de país soberano e popular”, completa.
Dois longas e três curtas-metragens conduziram as reflexões: “Os Sonhadores” (Bertolucci), “Barra 68 - Sem Perder a Ternura” (Vladimir Carvalho), “Universidade em Crise” (Renato Tapajós), “Escola de Comunicação” (Miguel Freire) e “Cabeças Falantes” (Natasha Rodrigues). Os filmes abordam de formas distintas potencialidades e limitações dos espaços acadêmicos para criar mudanças.
“Se houve uma revolução na universidade brasileira, ela chama-se cotas”, avalia a pró-reitora de Extensão da UFRJ, Ivana Bentes.  Os avanços e obstáculos para as ações afirmativas são tratados em “Cabeças Falantes”. A partir do filme, a professora da Escola de Comunicação compara o maio de 1968 francês às políticas públicas de inclusão no ensino superior brasileiro. “Não podemos esquecer que lá o foco também estava nas minorias: mulheres, negros e operários de fora da universidade”, argumenta.
Ivana destaca o impacto da renovação do público universitário para a produção de conhecimento. “Mesmo quando radicalizado, o protagonismo de mais sujeitos na universidade é extremamente rico e importante tanto no que se refere às formas de expressão quanto em termos de temas e conteúdo”, afirma.
Mais cético, o professor e pesquisador do Núcleo Interdisciplinar para o Desenvolvimento Social da UFRJ (Nides), Flávio Chedid, questiona uma “crença na universidade como motor de transformações sociais”. Sua crítica se apoia no trabalho do catedrático da Universidade de Coimbra, Boaventura de Sousa Santos – que aponta para o esvaziamento da influência da instituição nas últimas décadas.
O Cinedebate AdUFRJ/GEM é um evento quinzenal que sempre aborda temas da agenda política atual.  O encontro do dia 4/11 foi o segundo consecutivo com reflexão sobre educação e transformações sociais.


WhatsApp Image 2020 11 14 at 00.58.25A diretoria da AdUFRJ lamenta o falecimento da professora aposentada Maria Cecília Viana de Barros, da Escola Politécnica, no último dia 9. A centenária professora foi uma das homenageadas na edição especial do Jornal da AdUFRJ, que comemorou os cem anos da UFRJ, em setembro.
Nascida em 1920, ela foi testemunha das transformações do país no último século e acompanhou o desenvolvimento da maior e mais antiga universidade do país. Foi uma das primeiras mulheres a se tornar professora na Engenharia, numa época em que o ofício e a academia eram praticamente exclusividade masculina. A docente também foi funcionária da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais, com atribuições de Serviço Geológico do Brasil.
Relembre aqui a história de dona Cecília.
https://bityli.com/9JYPx

PROFESSOR EMÉRITO
Antonio Gianella Neto, professor aposentado do Programa de Engenharia Biomédica da Coppe, é o novo professor emérito da UFRJ. A atuação do docente foi destacada no Conselho Universitário, dia 12. Gianella foi o primeiro bolsista brasileiro do CNPq a atingir o nível 1A, de absoluta excelência. Também foi o primeiro doutor brasileiro em Engenharia Biomédica. Fundador e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Engenharia Biomédica, o professor também foi um dos fundadores da AdUFRJ e fez parte de sua primeira diretoria.

PESAR POR LUIZ SENISE
O Consuni aprovou moção de pesar pela morte do professor Luiz Senise, da Escola de Música. Concertista reconhecido nacional e internacionalmente, era um expoente do piano brasileiro. O docente faleceu no dia 11, aos 73 anos, em decorrência da covid-19.

WhatsApp Image 2020 11 10 at 20.55.42A vitória de Joe Biden na eleição presidencial norte-americana, confirmada pelos institutos de pesquisa e pelas agências de notícias no sábado (7/11), pode trazer novos ares às áreas de Ciência e Inovação nos Estados Unidos e em boa parte do mundo, com reflexo direto nas universidades, como produtoras e difusoras de conhecimento. Em discurso feito na segunda-feira (9/11) de seu gabinete de presidente eleito, em Wilmington, estado de Delaware, o democrata anunciou medidas radicamente opostas à prática de seu antecessor na Casa Branca, o republicano Donald Trump. Nomeou uma equipe de especialistas para combater a pandemia de covid-19 nos EUA, entre eles a pesquisadora brasileira Luciana Borio, garantiu que a vacina será gratuita, e reiterou a necessidade do uso de máscara, item ignorado por Trump. “Uma máscara não é uma declaração política, mas uma boa forma de unir o país”, disse Biden.
A disputa acirrada entre o democrata e o republicano deixou evidentes as severas diferenças entre dois campos. Enquanto Trump desacreditou a Ciência, promoveu aglomerações, não usou máscara publicamente e prometeu reconduzir o país ao “normal” em 2021, Biden se comprometeu desde o início da campanha a restaurar a confiança e a transparência do governo na Ciência, incluindo a recomendação para o uso da máscara em todo o país.
Para Luis Fernandes, professor do Instituto de Relações Internacionais e Defesa (IRID) da UFRJ e da PUC-Rio, a atuação geral dos governos democratas nos Estados Unidos é sempre mais aberta para acordos de cooperação científica e tecnológica. “Desde que essas tecnologias não sejam identificadas como tecnologias críticas ao interesse estratégico dos Estados Unidos”, pontuou.  Por exemplo, existe um embate na área de C&T sobre o desenvolvimento da fronteira entre Tecnologias de Informação e Comunicação que é o 5G. “Eu acho que o futuro governo Biden, assim como o governo Trump, insistirá muito para que o Brasil não adote tecnologia da Huawei para o 5G”, opinou o cientista político.
Luis acredita que o alinhamento automático da política externa brasileira com Biden será menor do que com o governo Trump. “Isso talvez crie mais margem de manobra para o governo brasileiro, para exercer mais amplamente a sua autonomia nessas negociações”, diz. O governo Bolsonaro cometeu um erro de alinhamento automático e de subordinação na sua política externa, afirma o professor. “Não digo a agenda externa dos Estados Unidos, mas a agenda político-ideológica do governo Trump”, explica. “Evidentemente esse contexto cria embaraços e dificuldades para que o governo atual lide com o governo Biden”, afirma.
Nos últimos anos, o orçamento enviado pelo Poder Executivo dos EUA ao Congresso Nacional sofreu cortes severos nas áreas de Ciência e Inovação. “O Congresso tem resistido. Ele rejeitou a proposta de Trump e aumentou o orçamento em relação ao ano anterior. A posição do Congresso norte-americano é de apoio ao desenvolvimento científico e tecnológico, e essa não era a mesma posição do presidente Trump”, explica o presidente da Academia Brasileira de Ciências e professor do Instituto de Física da UFRJ, Luiz Davidovich. Ele acredita que a vitória de Biden vai aumentar as possibilidades de envolvimento científico e tecnológico nos Estados Unidos, mas isso não necessariamente se refletirá no Brasil. “O orçamento para Ciência e Tecnologia no Brasil tem sido fortemente cortado. Então vai depender do que o nosso Congresso vai conseguir estruturar”, afirma.
Joe Biden prometeu levar os Estados Unidos de volta ao Acordo Climático de Paris, do qual o país se retirou sob o comando de Trump, que usou dados inconclusivos como justificativa. “Isso é uma questão que tem a ver com a civilização humana”, opina Davidovich. “A questão do clima é essencial, as mudanças climáticas vão afetar todo mundo. Acho importante que não só o Biden, mas que as lideranças dos principais países poderosos tenham uma atitude que vá além das fronteiras do país, no sentido de pensar na sobrevivência da humanidade”.
Já para Fernando Brancoli, professor do Instituto de Relações Internacionais e Defesa da UFRJ, as universidades norte-americanas, principalmente as públicas, viraram bastiões de resistência contra o governo federal: “Principalmente porque as principais estão em estados tradicionalmente democratas, de oposição ao Trump”, conta . Ele realizou seu doutorado em Santa Bárbara, na Califórnia, onde ainda mantém vínculos institucionais e é pesquisador, por isso está por dentro das estratégias de enfrentamento criadas por algumas universidades .
“Foram desenvolvidas tecnologias para tentar lidar com as fake news, por exemplo”, diz Fernando. Durante a eleição, algumas atitudes nefastas foram tomadas para tentar impedir que as pessoas votassem. “A mais explícita e mais bizarra foi com eleitores em Flint, no estado de Michigan, que tradicionalmente vota para os democratas. Os eleitores receberam ligações automáticas dizendo que havia muitas filas nos espaços de eleição e que era para ficar em casa e votar no dia seguinte, pois esses espaços seriam abertos novamente para eles votaram. Era mentira”, explica o professor. “Era basicamente alguém não querendo que os democratas votassem. Quem identificou isso mais rápido foi, basicamente, um software desenvolvido pela Universidade da Califórnia, que conseguiu lançar mensagens e encontrar as pessoas”, diz. “Esses espaços institucionais servem para que as pessoas sejam mais críticas e, em alguma medida, não acreditem tanto em baboseiras”, opina Brancoli.
Até o fechamento desta edição, Donald Trump ainda não havia reconhecido a vitória de Joe Biden, insistindo na tese de fraudes na eleição. Sem qualquer comprovação.

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