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O continente americano, de norte a sul, vem sendo varrido nos últimos meses por um sopro de esperança. Na Bolívia, o ex-ministro da Economia de Evo Morales, Luiz Arce, foi proclamado presidente em 23 de outubro, abrindo caminho para restabelecer a democracia no país andino. Dois dias depois, quase 15 milhões de chilenos foram às urnas para sepultar a Constituição de 1980, redigida pela ditadura do general Augusto Pinochet. No próximo dia 3 de novembro, após as históricas manifestações antirracistas de junho, lideradas pelo movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam), os norte-americanos têm a chance de eleger o democrata Joe Biden como presidente, barrando um segundo mandato do nefasto Donald Trump, guru de Bolsonaro. Quem sabe esse sopro de esperança não chegue até aqui?
No Dia do Servidor Público (28/10), o Observatório do Conhecimento deu início à campanha “Educação tem valor: contra os cortes no orçamento das universidades”. A ação tem como objetivo principal combater os cortes de recursos para a Educação previstos no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), enviado pelo governo Bolsonaro ao Congresso Nacional. A iniciativa também vai lutar contra as intervenções do Executivo nas escolhas de reitores e diretores de instituições federais de ensino, e em defesa dos direitos dos servidores, já atingidos pela Reforma da Previdência e sob ameaça da Reforma Administrativa. Criado em abril de 2019, o Observatório do Conhecimento reúne associações e sindicatos de docentes de todo o país.
No Dia do Servidor Público (28/10), o último debate do III Cine Educação reforçou o compromisso pela defesa dos direitos da categoria. Pela primeira vez online, o festival de cinema do Sinpro-RJ homenageou os 100 anos da UFRJ e os 120 anos da Fundação Oswaldo Cruz. O filme ‘Resgates’ mostrou o trabalho de reconstrução do Museu Nacional. “Minha vontade ao assistir era colocar a máscara e ir para lá peneirar, catar as coisas. Nós temos uma história de compromisso em relação a esses prédios, a essa instituição”, afirmou no debate a presidente da AdUFRJ, Eleonora Ziller. Duda Quiroga, vice-presidente da CUT Rio, criticou o desmonte do serviço público, “que está aí para atender à população em geral do nosso país”. Marisa Araújo, do Sintufrj, e a professora Dione Lins, do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação, também participaram do debate.
O mecanismo por trás das redes sociais está em discussão. No dia 22, a Pró-reitoria de Extensão da UFRJ promoveu uma live centrada no documentário “O Dilema das Redes” (Netflix, 2020), que debateu questões como a proteção e a manipulação de dados, o algoritmo e a inteligência artificial. “As tecnologias não são apenas um instrumento a nosso serviço, elas são entidades que participam da tessitura da nossa sociedade”, apontou a professora Rosa Pedro, do Instituto de Psicologia da UFRJ. Ela lidera o Núcleo de Estudos de Ciência, Tecnologia e Sociedade da UFRJ, grupo de pesquisas que aprofundou os problemas abordados pelo filme. “Será que não é importante a gente inserir mais diversidade nas vozes responsáveis pela produção desses algoritmos?”, questionou o doutorando Lucas Gabriel, em sua apresentação “ Racismo Online”. O debate fez parte do Mês da Ciência e Tecnologia da UFRJ.
A escolha da reitoria da Universidade Federal de São Carlos virou novela. A 2ª Vara Federal da cidade paulista suspendeu temporariamente a lista tríplice indicada pela instituição. A sentença questiona o procedimento que antecedeu a formação da lista. Na ação ajuizada pelos docentes da chapa menos votada no pleito — não alcançaram sequer 10% dos votos —, o argumento é que seus nomes não foram incluídos na lista tríplice e que a consulta não respeitou o peso de 70% para o voto dos docentes. Cabe recurso. Mas, como o mandato da atual gestão termina em 8 de novembro, há o receio na UFSCar que Bolsonaro nomeie um interventor enquanto não se resolve a questão judicial.