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Roberto LeherEm 2020, celebramos a responsabilidade dos educadores diante de uma sociedade em que a desigualdade social é infame, a universidade é lançada no teatro de operações da ‘guerra cultural’ da extrema direita e a democracia está por um fio. Parabenizar a profissão com palavras melosas não seria ético. O reconhecimento dos extraordinários logros dos docentes exige, categoricamente, uma perspectiva política.
Nossa categoria tem realizado corajoso esclarecimento crítico sobre aspectos epidemiológicos, tecnológicos, clínicos e sociais da pandemia. Em ambientes virtuais, assumiu o compromisso de renuclear as/os estudantes para promover o acolhimento “ninguém solta a mão de ninguém” e dialogar sobre o que se passa no Brasil e no mundo. A universidade tornou-se um lugar das melhores esperanças no porvir.
Todas as atividades descritas exigiram confrontos com o negacionismo, o irracionalismo, o autoritarismo e a lógica mortal do “darwinismo social”, em um contexto de celebração do AI-5, de ameaças de fechamento do Congresso e do STF, de mapeamento de professores antifascistas, de desqualificação da universidade, de nomeação de reitoras/es sem legitimidade, e de sufocamento orçamentário politicamente orientado das universidades, do aparato de C&T e do PNAES, promovendo apartheid no acesso aos ambientes virtuais.
Pensar politicamente o 15/10 tem consequências. A democracia admitida, de baixa intensidade, não comporta uma cultura cívica em prol de uma nação em que caibam todos os rostos humanos. Os que defendem que a educação pública deve formar cidadãos insubmissos, como exortou Condorcet, e praticam a liberdade de cátedra, são “os outros” a serem combatidos pela estética e prática do medo na autocracia vigente.
A cidadania política abrange a defesa dos direitos sociais e coerência com posturas de real solidariedade. A contrarreforma da previdência de 2003 extirpou os direitos dos novos docentes que perderam a aposentadoria integral; as mudanças na carreira em 2012 se deram às custas dos nossos colegas aposentados que, na prática, foram rebaixados na hierarquia da carreira. Após o golpe, nova “reforma” da previdência piorou as condições da aposentadoria e grande parte da Constituição está “em suspenso” com a EC 95/16. A reforma administrativa mira a estabilidade, a redução salarial, a titulação, a DE e o concurso público. Não é possível separar o cidadão do cientista e do professor: o docente terá que ter, em si, a força de sua condição cidadã.
A defesa da universidade envolve a combinação de atuação institucional com audaciosa atuação sindical. Indiferenciar a institucionalidade e a auto-organização dos docentes em seu Sindicato Nacional é um erro. A simbiose enfraquece as administrações que passam a ficar identificadas com correntes oficialistas, gerando divisões, e retira a seiva democrática do sindicato. A conivência da maioria do aparato sindical oficialista diante da contrarreforma da previdência em 2003 e do solapamento da luta pela garantia da paridade entre ativos e aposentados na nova carreira docente atesta o quão deletério pode ser o oficialismo.
A grave conjuntura exige fortalecer a autonomia do Andes-SN como condição para tecer coalizões ativas capazes de combater de modo sábio as ameaças da autocracia em curso e criar inventivas metodologias para enfrentar a maior ameaça que as nossas gerações já conheceram. E que desafios seriam mais estimulantes do que esses para celebrarmos uma categoria construtora da democracia?
Roberto Leher
Ex-reitor da UFRJ (2015-2019),
ex-presidente da AdUFRJ (1997-1999),
Professor titular da Faculdade de Educação
Na semana dos Professores, a AdUFRJ tem a alegria de apresentar uma novidade. O programa “AdUFRJ no Rádio” estreia na próxima sexta-feira (16), com transmissão exclusiva pela Rádio UFRJ.
O programa é dividido em dois blocos. O primeiro discute as principais notícias da semana, sobretudo temas ligados à educação, ciência, cultura e política. O segundo bloco é o “Café com Ciência”, que convida um docente da UFRJ para falar sobre a sua rotina de trabalho e atuação científica. A atração vai ao ar todas as sextas-feiras, às 10h, com reprise às 15h, pelo site radio.ufrj.br.
A diretoria da AdUFRJ recebeu com energia o desafio. “Essa experiência da Rádio UFRJ é um modo de falarmos cada vez mais amplamente para a maior parte da sociedade” observa a presidente Eleonora Ziller. O professor Felipe Rosa, vice-presidente, que vai apresentar o quadro ‘Café com Ciência’, também celebra o momento. “É fácil estimar a importância de a UFRJ estar no rádio, dado o seu enorme alcance e penetração, sobretudo em setores da sociedade onde a universidade é praticamente desconhecida”, avalia. “Estamos muito orgulhosos de participar dessa iniciativa”.
A AdUFRJ participou da chamada pública feita pela Rádio, que teve o resultado divulgado no começo de setembro. “Foram 41 propostas. A maior chamada pública de que temos notícias em uma rádio universitária”, orgulha-se o professor Marcelo Kischinhevsky, diretor do Núcleo de Rádio e TV da UFRJ. Dos programas aprovados, 28 já fizeram sua estreia. O material é distribuído por agregadores de podcasts e plataformas de streaming como Spotify, Deezer e Google Podcasts.
A UFRJ segue seu calvário por mais recursos financeiros. Há 15 dias, a reitora, professora Denise Pires, solicitou uma agenda com o ministro da Educação, Milton Ribeiro, para pedir suplementação orçamentária. O encontro ocorreu presencialmente, em Brasília, na última terça-feira, 6. Denise foi acompanhada do diretor do hospital, professor Marcos Freire. Os dois levaram documentos mostrando que a receita da universidade acaba em novembro e que não há dinheiro para pagar as despesas até o final do ano. A preocupação da reitora, no entanto, não sensibilizou o ministro. O Ministério da Educação disse que a universidade já recebeu todo o recurso de custeio de 2020 e que não há mais verbas para enviar à UFRJ.
Museu Nacional - Foto: André Luiz MelloO projeto Museu Nacional Vive abriu processo seletivo para a contratação de 13 consultores especializados, que contribuirão para o desenvolvimento da nova museografia da instituição. A coordenação do processo seletivo é da representação da Unesco. Há oportunidades nas áreas de:
pesquisa de conteúdos para exposições de Ciências Naturais e Antropologia, incluindo culturas indígenas e afro-brasileiras; assessoria em cooperação nacional e internacional para novas aquisições e
assistência de gestão.
Mais informações no site da UFRJ.
Muito ligada à família, amiga alegre e profissional dedicada à UFRJ. Estas eram algumas características de Marisa Silva, que a universidade perdeu esta semana. A morte da funcionária técnico-administrativa, que trabalhou em diversas pró-reitorias ao longo da carreira, deixou uma lacuna na centenária instituição. Ex-pró-reitor de Pessoal, Roberto Gambine conviveu com Marisa e guarda lembrança dela como uma servidora com opiniões fortes. “Não era uma pessoa dissimulada. Pelo contrário”, elogiou. Gambine também destacou o lado solidário da colega, que orientou muitos jovens funcionários por onde passou. “Era muito amiga. Numa época de muitos concursos, ela já veterana tinha uma ótima relação com os novos servidores, enturmava todo mundo”, relatou o ex-dirigente.