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- Nunca me esqueci daquela solenidade com os professores perseguidos pela ditadura. Ouvi esta frase já em 2004, quando voltou ao Brasil, para participar do Congresso Brasileiro de Energia, o economista francês Jean Marie Martin, um conhecido especialista em energia. Ele tinha vindo naquela ocasião para um seminário na Área Interdisciplinar de Energia da Coppe e assistiu à solenidade. Era ainda a época da ditadura militar. A primeira manifestação de grande repercussão, logo que fundamos a Associação dos Docentes da Ufrj (Adufrj), sob o governo dos militares, ocorreu no auditório do Centro de Tecnologia. Em um ato solene, demos o título de sócio da Adufrj a todos os professores afastados da Ufrj pela ditadura militar, especialmente pelo AI-5. Eram professores que nos davam orgulho. Coube-me ler seus nomes na solenidade em clima de grande emoção: - Darcy Ribeiro, Maria Ieda Linhares, Eulália Lobo, José Leite Lopes, Jayme Tiomno, Manoel Maurício Albuquerque, Miriam Limoeiro, Sarah de Castro Barbosa. Plínio Sussekind já tinha falecido, o citamos em memória. O auditório estava lotado com muita gente em pé, talvez com mil pessoas. Conduzimos a cerimônia como uma solenidade de posse em uma academia científica. Cada convidado era chamado e homenageado, recebendo o diploma de sócio honorário da Adufrj, embora todos eles ainda estivessem excluídos da Ufrj, pois isso ocorreu antes da anistia. Toda a imprensa noticiou respeitosamente. Demos uma bofetada na ditadura com luva de pelica. A luta de que participei na Sociedade Brasileira de Física e na Sbpc contra o Acordo Nuclear levou-me a ser envolvido na construção do movimento dos docentes, no fim da década de 70 e início dos anos 80. Este movimento crescia em várias universidades pelo país afora, principalmente nas universidades públicas, alastrando-se também para algumas universidades privadas. Devo dar precedência à Usp, onde havia uma antiga Associação dos Auxiliares de Ensino, da qual foi sucessora a Associação de Docentes (Adusp) criada em 1976, tendo como presidente e vice-presidente, respectivamente, nada menos do que o Modesto Carvalhosa e o Antonio Cândido de Mello e Souza. O reitor Luiz Renato Caldas, que era um distinguido pesquisador do Instituto de Biofísica e tinha uma postura aberta, apesar de ter sido nomeado na época do regime militar, convocou a Ufrj para debater uma reforma da universidade. Um conjunto de professores, ao qual eu pertencia, se organizou em torno deste debate e criou uma comissão, que ao longo do processo se tornou a comissão pró-fundação da Associação de Docentes (Adufrj). As reuniões iniciais da comissão foram realizadas na Coppe. Desta comissão faziam parte Liana Cardoso do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, Alexandre Magalhães da Silveira da Matemática, eu e Antonio Paes de Carvalho da Biofísica, que se afastou quando a comissão se tornou pró-Adufrj Houve um racha na fundação da Associação de Docentes, entre a comissão pró- Adufrj e o grupo liderado pelo professor Horácio Macedo, que veio a ser reitor da Ufrj. De uma maneira muito simplificada, nós podíamos ser identificados como próximos do que veio a ser o PT-light, enquanto o Horácio era mais próximo do Partidão. Nós, os do grupo que eu integrava, originado daquela comissão, ganhamos a hegemonia das primeiras diretorias da Associação dos Docentes da Adufrj, da qual fui o primeiro presidente em uma composição com grande parte da esquerda da Ufrj. Passados 40 anos, a História me ensinou que essas divisões já não fazem nenhum sentido em nossa realidade. Agora, nossa divisão é entre a esquerda e a direita liderada pelo atual governo federal. E precisamos de uma Adufrj forte e comprometida para enfrentar os duros anos que virão. Luiz Pinguelli Rosa PROFESSOR DA COPPE/UFRJ, FUNDADOR E EX-PRESIDENTE DA ADUFRJ

“Trinta e sete anos de trabalho em um lugar só. História é o que não falta”, diz Belini Souza, o funcionário mais antigo em atividade na associação docente da UFRJ. Dono de uma voz grave bastante conhecida entre os associados, o secretário recorda que foi convidado a falar no carro de som, durante uma manifestação da categoria. O objetivo era convocar os professores para a mobilização. “O rapaz do carro de som por algum motivo não compareceu. Daí disseram: você tem uma voz boa, vamos lá, vai dar certo! E eu comecei a chamar o pessoal aqui (no Fundão), na Praia Vermelha e tudo mais”. Belini atende os professores da universidade, ao vivo ou por telefone, desde 1º de abril de 1982. Para ele, a entidade pode ser carinhosamente chamada de “consultório sentimental”: “Os professores vêm aqui, sentam e desabafam com a gente”, argumenta. Do fundo da memória, o secretário cita os responsáveis por sua contratação: os ex-diretores Ericksson Almendra e Eliane Falcão. “Eles é que são os culpados de eu estar aqui até hoje”, brinca. Da época em que foi contratado, Belini recorda de uma estrutura bem mais simples. O trabalho ainda funcionava com auxílio de mimeógrafo. O público da universidade também era outro. “Quando eu entrei aqui, era difícil você ver um professor negro. E hoje você tem. Era difícil ver um aluno negro também. Hoje você tem alunos negros. Isso é bom. Isso é ótimo”, exemplifica. “Acho que esse negócio de cotas deu uma oportunidade boa para o pessoal chegar aqui”.

Na manhã de segunda-feira (15), um assalto voltou a assustar a comunidade da UFRJ. Patrizia di Trapano, professora da EBA, foi assaltada e sofreu um sequestro relâmpago no estacionamento da Reitoria. A docente foi levada pelos bandidos até a Linha Amarela, onde foi libertada. Os criminosos roubaram o carro – um Honda HR-V marrom –, a aliança e o relógio de pulso, ambos de ouro. Até o fechamento desta edição, eles não haviam sido presos. O crime ocorreu quando Patrizia chegava à Reitoria para uma reunião, às 10h. Ao estacionar, uma SUV branca parou logo atrás. Quando a professora saiu do carro, dois homens com armas curtas a abordaram, enquanto outros três, com armas maiores, acompanharam a ação do outro veículo. Logo em seguida, a professora foi forçada a entrar na SUV. Alguns dos assaltantes levaram seu carro na frente, seguindo pela portaria 3, em direção à Linha Amarela. Os assaltantes estavam com máscaras ninja e se comunicavam por rádio com outros, que estariam vigiando a saída do campus. “Eles disseram: ‘A gente vai soltar a senhora quando sair do campus. Assim, a senhora não dedura a gente para a polícia antes da gente sair do Fundão”, contou Patrizia. A professora registrou a ocorrência na 37ª DP, na Ilha. Lá, mais um transtorno para a vítima. Sem sistema, o boletim foi feito em papel. O documento só computado mais de 24h depois do assalto. A professora manifestou indignação com a falta de tranquilidade no campus, acreditando ser decorrente do corte de verbas. “Não tem dinheiro, corta na segurança”, criticou. “O estacionamento está largado às traças. Tudo acontece no Fundão e não tem um policiamento efetivo”, ressaltou. Por meio da assessoria, o prefeito universitário Paulo Mario Ripper afirmou que só poderia se pronunciar sobre o assalto após o feriado da próxima terça-feira (23).

"O que nos une nessas quatro décadas de história é a defesa da universidade pública, da liberdade de cátedra e a certeza de que precisamos de uma Adufrj autônoma e comprometida com os ideais democráticos", afirma diretoria A associação de docentes da Universidade Federal do Rio de Janeiro completa orgulhosamente 40 anos neste 26 de abril. Nascida na efervescência política provocada pela lei da anistia, a AdUFRJ-SSind participou das grandes lutas desde então: pela redemocratização, pela universidade pública gratuita e de qualidade, pela valorização da educação, por um país um pouco mais justo e menos desigual. Infelizmente, nessa jovem maturidade, a comemoração não pode ser esfuziante. Estamos vivendo um momento de duros ataques ao conhecimento e à educação, assim como à liberdade de associação. Entretanto, os mesmos tempos que demandam reserva e parcimônia também pedem afirmação e determinação, de modo que os 40 anos da maior associação de docentes do Brasil não podem passar em branco. Nesse sentido, estamos celebrando nosso aniversário com uma pequena cerimônia em homenagem aos ex-diretores de nossa associação, mas também com ações que levam a nossa marca de fazer da AdUFRJ uma entidade moderna, engajada e acolhedora. Estamos renovando nosso Boletim, que vai ficar maior, mais denso e (ainda mais) informativo. Aproveitamos para abrir nossas páginas e convidar todos os professores a escrever artigos e sugerir pautas. Desde esta edição, recuperamos a história da imprensa do sindicato e retomamos a numeração desde os primeiros jornais da Adufrj. Outra iniciativa recente que já dá resultado é o Observatório do Conhecimento. Lançado no começo de abril, ele é uma plataforma em formato de rede em defesa da educação superior pública e que já conta com mais de uma dezena de associações. Nas próximas semanas, vamos relançar também a campanha UFRJ SEMPRE que tanto sucesso fez nos campi. Seguimos atuando pautados pela convicção de que unidos somos melhores e reafirmamos aqui que, sobretudo nesse momento delicado, todas e todos são bem vindos à AdUFRJ-SSind. O que nos une nessas quatro décadas de história é a defesa da universidade pública, da liberdade de cátedra e a certeza de que precisamos de uma Adufrj autônoma e comprometida com os ideais democráticos. Enfim, gostaríamos de terminar dando os parabéns a tod@s @s associad@s. Os tempos estão difíceis, mas a verdade é que eles nunca foram fáceis, e cá estamos. Jamais nos esqueçamos disso. Parabéns, AdUFRJ, e que venham mais 40 anos! Confira fotogaleria dos 40 anos da associação docente

Comemoração resgata história do movimento docente na universidade com exposição fotográfica no Átrio do Palácio Universitário, na Praia Vermelha Fotos vão contar a luta dos professores da UFRJ em defesa da universidade pública e dos direitos democráticos no Brasil. A retrospectiva fotográfica será um dos atrativos da celebração pelos 40 anos da Adufrj. A exposição será inaugurada no dia 26 de abril, data de aniversário da associação, durante cerimônia no salão Pedro Calmon e no Átrio do Palácio Universitário, no campus da Praia Vermelha, a partir das 16h. O encontro vai reunir diferentes gerações que estiveram à frente da associação docente. Diretora da Adufrj e professora do Instituto de História, Maria Paula Nascimento frisa que “o período entre 1979 e 1988 foi marcado pela fundação de diversas associações docentes, como a Adufrj, que faziam parte de um quadro mais amplo de ações e de organização de movimentos sociais de oposição à ditadura”. Entre as mobilizações mais expressivas, a docente destaca as lutas pela anistia radical, contra a tortura e a carestia. “A Adufrj e, depois de fundado, o Andes, encamparam as Diretas Já e todas as mobilizações pela transição democrática”, completa. “Tudo isso”, acrescenta a docente, “culmina mais tarde no processo que permitiu a incorporação das diferentes modalidades de direitos, como os direitos das crianças ou dos indígenas, presentes na Constituição de 1988”. Para Maria Paula, o momento político do país reforça a importância do resgate da memória de resistência. “É fundamental marcar nossa presença social nessa história, que hoje o governo tenta apagar. Importante não só como estudantes ou professores, mas como cidadãos”, argumenta. “Lembrar da nossa história nos dá um horizonte. E mostra a Adufrj não como uma entidade qualquer, como as beneficentes, mas como uma entidade de caráter político nítido de defesa da democracia e dos direitos”. MARCA COMEMORATIVA A Adufrj ganha um selo especial em comemoração aos quarenta anos. A marca criada pelo designer André Hippert, atualiza a logo da entidade. “Toda concepção cromática é baseada no diferencial do símbolo da Adufrj, sua letra ‘D’, de ‘docente’”, explica o artista. Moderno e delicado, o logotipo estampará camisetas, banners, brindes e as placas que homenagearão os ex-presidentes da associação docente durante a cerimônia do dia 26. Também será utilizado em produtos e brindes da entidade até o próximo aniversário.

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