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Concertista de piano e professora da Escola de Música da UFRJ, Sara Cohen se encantou há cerca de sete anos pelo som da cuíca. “Dizem que ela chora, que late ou que pode gargalhar. O que traz felicidade é tocar cuíca, chorando a cuíca para não pensar nesse quadro maluco que estamos vivendo”, disse a pianista. Sara tem participado de diversos desfiles na bateria das escolas com a sua cuíca, um processo que ocorreu gradualmente. Começou a tocar no bloco do mestre Odilon e no desfile da escola de samba Embaixadores da Folia e finalmente, passou a participar dos ensaios da Império da Tijuca, no Morro da Formiga, na Zona Norte do Rio. Depois, foi convidada para gravar o CD das escolas de samba no carnaval de 2015 e a desfilar. Neste mesmo ano, também passou a tocar na bateria da Paraíso do Tuiuti. Sua trajetória no mundo das escolas de samba retrata a conquista feminina de espaços antes predominantemente ocupados por homens. A cuíca ainda é um instrumento majoritariamente tocado por homens nas escolas de samba, mas as mulheres têm conseguindo entrar aos poucos. “A Vila Isabel tem uma mulher dirigindo a ala de cuícas. O Salgueiro, pela primeira vez, tem duas mulheres na cuíca. A Tatuapé, em São Paulo, teve uma ala só de mulheres cuiqueiras neste ano. Em geral, as alas de cuícas têm 24 integrantes e as escolas têm até quatro participantes mulheres. Essa ainda é a realidade”, afirmou Sara, que apresentou o projeto “Sambando Para Não Sambar”, semana passada, em roda de conversa promovida pela Adufrj. A entidade tem realizado eventos e debates sobre a participação feminina na sociedade por meio da campanha “Sem Mulher a Ciência fica pela Metade”. Silêncio na Academia Na roda de conversa do último dia 22, as professoras Jacqueline Leta, do IBQm, e Liv Sovik, da ECO, falaram sobre questões que envolvem as mulheres na Academia. Jacqueline apontou desigualdades de gênero nas carreiras da Academia, no Brasil e no mundo. Liv abordou a cultura machista dentro do ambiente universitário,  que ainda comporta casos de assédio sexual, por exemplo, e que necessita de maior debate dentro das instituições. Para ela, existe um silenciamento da Academia. “É um tema que começa a ser discutido, mas ainda de maneira muito tímida.”

Um novo corte nos adicionais de insalubridade, peri­culosidade, radiação ionizante ou trabalho com substâncias radioativas prejudicou aproximadamente dois mil servidores lotados no HU e no IPPMG Um novo corte nos adicionais de insalubridade, peri­culosidade, radiação ionizante ou trabalho com substâncias radioativas prejudicou aproximadamente dois mil servidores da UFRJ. Todos estão lotados no Hospital Universitário e no Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG). “A gente tem uma programação com as contas, ainda mais no início do ano, cheio de despesas extras como IPTU. Meu marido está falando em pegar empréstimo”, lamentou Maria Inácia Moreira (65), auxiliar de enfermagem no hospital, durante ato convocado pelo Sintufrj para a manhã desta segunda (25), em frente ao HU. Com vinte anos de trabalho naquela unidade, a técnica ficou perplexa com o corte. “No Centro Cirúrgico, a gente trabalha com todo tipo de risco: contaminação química, radiação e material cortante”, desabafa. Os funcionários foram recebidos pela pró-reitoria de Pessoal na sala dos colegiados superiores, no prédio da reitoria, depois de uma manifestação que percorreu a área administrativa do HUCFF. O pró-reitor Agnaldo Fernandes pediu desculpas pela exclusão das duas unidades (HUCFF e IPPMG) no pagamento dos adicionais. O dirigente confirmou a informação divulgada por nota, na sexta-feira (22), de “um erro humano” no lançamento da informação no sistema. Agnaldo informou que os valores retroativos constarão da folha de abril. “Como o governo não permite mais folhas suplementares, infelizmente, a correção só será possível na folha seguinte”, justificou. Citou, ainda, uma “reestruturação da equipe para que isso não aconteça mais”. O Sintufrj fez uma avaliação positiva da mobilização convocada pelo sindicato. “Havia um clima de insegurança entre as pessoas. Foi importante a administração esclarecer o que está acontecendo, assumir o próprio erro e firmar o compromisso de corrigi-lo”, disse a coordenadora-geral Neuza Luzia. “É um voto de confiança, mas tem o limite da próxima folha”, completou.

"Que esse ato seja transformado em manifestação de apoio à Universidade e à qualidade de sua produção de conhecimento para emancipação e resistência da juventude e do saber brasileiros". Foi com essas palavras que o dramaturgo e teatrólogo Amir Haddad retribuiu à UFRJ o recebimento do título de Doutor Honoris Causa. A solenidade ocorreu no Salão Pedro Calmon, no campus da Praia Vermelha, na noite de 20 de março.

A maior honraria da universidade foi concedida em reconhecimento à imensa obra do co-fundador do Teatro Oficina, em 1958: “O teatro é eternamente jovem e eternamente velho”, afirmou Amir, de 81 anos.

Durante o discurso, Amir Haddad também defendeu o ensino público, gratuito e de qualidade: "Sempre estudei em escola pública. Jamais tive que pagar para saber o que sei e ser o que sou”. Ele valorizou o papel da arte na vida das pessoas: "Essa arte que não se vende, que não se compra; que se realiza no encontro do artista e sua obra com todo e qualquer cidadão, em todo e qualquer lugar; sem distinção de nenhuma espécie”.

Ao final da cerimônia, o grupo “Tá na Rua”, fundado pelo dramaturgo em 1980, fez uma apresentação especial para saudar o homenageado da noite.

Ministro de Ciência e Tecnologia faz discurso que agrada à comunidade científica em defesa da pesquisa, mas apresenta pouco do trabalho à frente do ministério

Num contexto de ataques à universidade pública e aos servidores, o ministro de Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, abriu o ano letivo da Coppe, na sexta (22). Mas pouco de concreto foi falado sobre o trabalho à frente do ministério. A aula inaugural transcorreu de forma diferente das que costumam ser realizadas na Academia. Predominou o tom de palestra motivacional, baseada em sua história de vida: o garoto pobre de Bauru que virou piloto, engenheiro e, depois, astronauta.

"Que vocês tenham um grande sonho. Nós queremos criar o caminho para vocês. Essa é nossa função aqui", disse o ministro. Em dois momentos da aula inaugural, quando se referiu a momentos delicados de sua carreira, a produção do encontro chegou a soltar uma trilha sonora suave no ambiente do auditório.

Em dois telões, foram veiculados flashes de sua trajetória pessoal e até mesmo um breve vídeo com declarações inspiradoras do piloto Ayrton Senna, falecido em 1994. Ou frases como "Semeie um caráter e você colherá um destino".

Pontes chegou a explicar por que deixou a NASA e, temporariamente, a possibilidade de voar novamente em um foguete espacial – Marcos Pontes realizou uma missão de 10 dias no espaço, em 2006 – para assumir o ministério: "Isso é missão para o país. Está acima do meu sonho. Por isso estou aqui. É muito mais dor de cabeça, mas estou aqui para ajudar".

O discurso do ministro agradou à comunidade acadêmica: Pontes reconhece a falta de recursos, os contingenciamentos, a ausência de concursos e equipamentos. "Ciência e Tecnologia é uma das coisas mais importantes que existem em qualquer país. Por que deixamos C&T de lado?", questionou.

Pontes também mostrou serenidade quando alunos da Associação de Pós-graduandos da UFRJ exibiram uma faixa em defesa da universidade pública e gratuita, dizendo que "Ciência não é Mercadoria". "Concordo. Podem ficar aí, podem ficar à vontade", disse, quando alguns assessores tentaram retirar o protesto do local.

Segundo ele, é importante convencer os políticos sobre a importância da pesquisa científica e seus retornos para a economia e para a qualidade de vida das pessoas. "Precisamos mostrar isso. Não basta eu pedir recursos. Os ministros das outras áreas também estão pedindo", afirmou.

No que depender do que viu na UFRJ após a aula inaugural, Pontes terá bastante material para mostrar aos parlamentares: passeou no MagLev, um trem de levitação magnética; conheceu uma parte da exposição "Exploradores do Conhecimento"; e andou num ônibus híbrido elétrico-hidrogênio. No Parque Tecnológico da universidade, visitou o tanque oceânico que ajuda nas pesquisas da extração do petróleo em alto mar e conheceu uma técnica de dessalinização por membranas.

A eventual adesão da UFRJ à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares  (Ebserh) foi um dos temas da apresentação dos candidatos à reitoria, durante Congregação da Faculdade de Medicina, dia 20. A Ebserh foi criada no final de 2011 como uma empresa pública vinculada ao MEC para gerenciar os hospitais universitários. O objetivo era resolver problemas de infraestrutura física e de pessoal, com contratação via CLT. Hoje, apenas as unidades hospitalares da UFRJ e da Unifesp não são administradas pela empresa. Candidato a reitor pela chapa 20, “Minerva 2.0”, o professor Roberto Bartholo falou em “retirar do limbo” e “desbloquear” a discussão sobre a Ebserh. “Sabemos que houve, à época, um posicionamento favorável nos colegiados”, disse o docente. “Muito foi dito. E hoje eu pergunto: qual universidade privatizada pela Ebserh? Nenhuma”. O professor ainda propõe um programa de gerenciamento de risco para que “uma nova tragédia anunciada não ocorra no hospital universitário”. Bartholo não descartou a possibilidade de construção de um novo edifício para o HU. Denise Pires de Carvalho, candidata a reitora pela chapa 10, “A UFRJ vai ser diferente”, qualificou como “um erro” a forma como foi conduzida a discussão de adesão da universidade à Ebserh. Mas sublinhou que “pessoal não é o principal problema do Hospital Universitário”.  A docente falou em “discutir sem tabu” com a comunidade o que fazer para avançar na captação de fontes de recurso para manutenção, obras e abertura de leitos no HU. E propôs uma mudança de foco para a administração: “Hoje, o recurso chega e a universidade ainda não tem projeto”, criticou a docente. “Nossa gestão vai priorizar os projetos executivos para que, quando o recurso chegue, sejam feitas as licitações. Com planejamento, a UFRJ vai ser diferente”. Pela chapa 40, “Unidade e Diversidade pela Universidade Pública”, o candidato a reitor Oscar Rosa Mattos reafirmou o argumento, apresentado em outros debates, de que, sem aumento orçamentário, não haverá boa gestão que resolva os problemas estruturais da universidade. “Não podemos jogar a toalha e achar que não é possível aumentar o orçamento”, enfatizou.  Em relação à Ebserh, o docente disse que o assunto “já foi discutido na universidade”, mas que  “nenhum debate será interditado”. Ao último Boletim da Adufrj, a chapa respondeu que considera o modelo de gestão "negativo".

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