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Dados da Unesco revelam que apenas 28% dos pesquisadores do mundo são mulheres. Como forma de combater problema, o dia 11 de fevereiro é dedicado a mulheres e meninas na ciência Ser  cientista não é “coisa de menina”. Meninos é  que são bons em matemática. Repetidas frequentemente, frases assim ajudam a construir o estereótipo que afasta meninas e mulheres do campo científico. Dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) revelam que apenas 28% dos pesquisadores do mundo são mulheres. Para reduzir essa diferença, a Unesco criou em 2015 o ‘Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência’, celebrado em 11 de fevereiro. Segundo o relatório “Decifrar o código: educação de meninas e mulheres em ciências, tecnologia, engenharia e matemática (STEM)”, o interesse de meninos e meninas pelas ciências é praticamente o mesmo  na infância. É na adolescência que elas começam a se desligar de temas ligados à matemática e às demais ciências. O relatório destaca que professoras das áreas de ciência, matemática, tecnologia e engenharia influenciam positivamente no desempenho e envolvimento das alunas. Por outro lado, a aprendizagem é comprometida quando docentes questionam as habilidades a partir de estereótipos ou crenças machistas. Segundo a professora Tatiana Rappoport, do Instituto de Física da UFRJ, o afastamento da mulher do campo científico se inicia cedo. “Meninas são criadas para cuidar da casa e da família e isso faz com que, ao longo dos anos,  se interessem menos por matemática e ciências”, afirmou. Para a professora Viviane Gomes, do Instituto de Química, esse padrão educacional parte da família e da escola. A  professora Débora Foguel, do Instituto de Bioquímica Médica, elogia a iniciativa da Unesco. “É importante termos um dia para falarmos sobre e darmos mais visibilidade a esse tema”, disse. Segundo as pesquisadoras, políticas públicas e privadas implementadas nesse contexto são incipientes. “As ações são pontuais. Precisamos de mudanças no olhar que a família e a sociedade têm para com as meninas”, ressaltou Viviane. Tatiana, ganhadora do prêmio “Para Mulheres na Ciência”, em 2007, oferecido pela L’Oréal Brasil, em parceria com a Unesco e a Academia Brasileira de Ciências (ABC), concorda que o ensino deve ser mais inclusivo. “A ciência deve ser ensinada pensando na diminuição dessas diferenças”. Na UFRJ, projetos de extensão voltados para mulheres e ciência buscam incentivar alunas de escolas públicas do Rio de Janeiro a ingressarem nas áreas científicas e tecnológicas. “Queremos fomentar o interesse delas para que se sintam aptas a trabalhar nessas áreas”, explicou Viviane, coordenadora do projeto ‘Meninas na Química’. “A parte mais importante é poder apresentar possibilidades que não fazem parte do cotidiano delas”, reforçou Tatiana, co-criadora do projeto ‘Tem Menina no Circuito’.

A duas semanas do Consuni que decidirá sobre a sucessão na Reitoria da UFRJ, não está completa a Comissão Coordenadora da Pesquisa para cargos de Reitor e Vice-Reitor. Uma lista inicial foi publicada no boletim da UFRJ do dia 25 de janeiro, mas sem representantes de alguns centros, como o CCJE, e do Sintufrj. A comissão proporá ao Consuni regras do processo, e o Consuni decidirá. Algumas questões estão em discussão, como quem conduz a consulta à comunidade acadêmica e se ela deve ser paritária. Em dezembro, o MEC exigiu que a consulta repita os pesos do Colégio Eleitoral, no qual o segmento docente tem peso de 70%. Gerly Miceli integra a Comissão como representante dos técnicos no Consuni: “Alguns setores questionam a paridade, e estamos preocupados em mantê-la”, afirmou. O Sintufrj propõe que a consulta seja feita pelas entidades sindicais e estudantis, e não pela comissão, para evitar que o ministério questione o processo. Até a semana que vem, a Comissão deve estar completa.

No encontro realizado em Belém (PA), diretoria e oposição se unem contra ataques do governo Bolsonaro à democracia, mas se dividem sobre método dos debates

Ana Beatriz Magno e Kelvin Melo

Foi um congresso diferente. O maior encontro dos 38 anos de história do Andes reuniu 599 docentes de 79 seções sindicais no simpático campus da Universidade Federal do Pará, de 28 de janeiro a 2 de fevereiro. Foram seis dias de debates com inusitado clima de unidade entre a diretoria do sindicato e a oposição sobre os grandes temas políticos, mas divergências quanto ao método dos debates. Historicamente, o grande desacordo entre os dois grupos é a avaliação dos governos liderados pelo Partido dos Trabalhadores. Críticos severos do que chamam de 14 anos de política petista de conciliação de classes, os diretores do Andes fizeram declarado esforço de negociação com o Renova, grupo liderado por setores do PT e que chegou ao congresso com 56 delegados, todos defensores entusiasmados da campanha Lula Livre. A prisão de Lula e a eleição de Bolsonaro foram a chave da união entre os dois lados. Diretoria e oposição aprovaram por unanimidade que o objetivo do movimento docente em 2019 é combater a reforma da Previdência, as privatizações e revogar a emenda constitucional 95. Também foi definida a participação do Andes em comitês que tenham “Lula Livre” como bandeira, tema que contrariou os grupos mais à esquerda, como os liderados pelo PSTU. “A conjuntura é muito grave, não podemos nos dividir. Não vamos abrir mão das caracterizações dos governos de conciliação de classe, mas a consigna Lula Livre não pode ser um impedimento”, ponderou o presidente do Andes, Antonio Gonçalves. “Não é o governo Lula que está sendo avaliado. A democracia está em jogo”, emendou Eudes Baima, da Universidade Estadual do Ceará e coordenador do Renova. “O Andes tem que sair da bolha e ir para a realidade. É a nossa liberdade que está ameaçada”. [caption id="attachment_22556" align="alignleft" width="300"] Parte da delegação da UFRJ no encontro[/caption] A Adufrj levou delegação de 24 professores. Todos participaram ativamente. O Congresso foi cansativo, com longos debates sobre a redação dos documentos e pouco aprofundamento sobre estratégias de enfrentamento ao governo. A última plenária terminou às 4h40 da madrugada de domingo, 13 horas após o que estabelecia o cronograma inicial. A situação recorrente inspirou a criação de uma comissão para rever a metodologia dos Congressos. “O método é muito cansativo e improdutivo. Fazemos grandes discussões sobre firulas e não priorizamos a temática docente", resumiu a professora Ligia Bahia, diretora da Adufrj. “Precisamos renovar o Andes”. NOTAS DO CONGRESSO Unila e UFV em suspense Criada há poucos anos, a Universidade Federal da Integração Latino-Americana, em Foz do Iguaçu (PR), aguarda a nomeação do primeiro reitor eleito. A votação ocorreu no fim de 2018, com o o critério de maior peso para os docentes (70%). Há receio de que o governo Bolsonaro não respeite o mais votado. Na Universidade Federal de Viçosa, a preocupação é a mesma: o reitor foi eleito após consulta paritária. Imprensa A equipe de reportagem da Adufrj foi convidada a se retirar de duas salas onde os jornalistas cobriam as discussões dos grupos temáticos do Congresso. Segundo a diretoria do Andes, os repórteres poderiam fotografar, mas não realizar cobertura jornalística, anotando falas e acompanhando os debates. A diretoria da Adufrj criticou a posição e destacou que os sindicalizados têm direito a ser informados e que a imprensa sindical livre é a melhor formar de garantir a qualidade informativa. A permanência foi permitida. 40 anos da Adufrj No Congresso de Belém, foram expostos materiais das seções sindicais que fazem  40 anos em 2019, como a Adufrj. “Chegamos à maturidade, buscando o equilíbrio e a ponderação. Nossas ações mostram isso”, afirmou a presidente da Adufrj, Maria Lúcia Werneck, delegada pelo segundo ano consecutivo no evento. Na entrada do auditório, a Adufrj montou uma barraquinha com boletins, calendários e peças das últimas campanhas realizadas, como a “UFRJ Sempre”. Conservadorismo à mostra Primeira negra a assumir a presidência da Seção Sindical dos Docentes da Universidade Federal de Viçosa (Aspuv) e ligada a movimentos sociais, a professora Júnia Marise Matos Sousa tem sofrido ataques. Listas eletrônicas que circulam na instituição questionam sua gestão – que começou em maio –, mas Júnia vê outras motivações: “É racismo, machismo. Não vamos abaixar a cabeça, pois não há nada errado na gestão”.  

Congresso decide que próximas diretorias do Andes deverão ter no mínimo 50% de mulheres e cria comissão para reformular eventos sindicais O Congresso do Andes decidiu que que próximas diretorias do sindicato deverão ter no mínimo 50% de mulheres e cria comissão para reformular eventos sindicais. A seguir, quatro dos principais pontos tratados no encontro: METODOLOGIA Uma comissão foi formada para discutir o formato e o funcionamento dos Congressos e do Conselho do Andes (Conad) — uma segunda instância deliberativa do sindicato, realizada no meio do ano. A comissão vai contar com representantes das várias forças políticas que atuam no sindicato nacional. “Precisamos debater fraternalmente a metodologia do Congresso. Estamos aqui há seis dias, o terceiro de plenária, e não terminamos nenhum tema”, resumiu o professor Antônio Lisboa, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). PARIDADE Haverá ao menos seis mulheres no bloco dos 11 principais cargos, que compreendem presidência, secretaria e tesouraria do Andes. A participação feminina será de, no mínimo, 50% nos 72 cargos distribuídos em 12 estruturas do Andes no país. A professora Sara Granemann, da UFRJ, diz que o debate já está atrasado: “É um absurdo que ainda tenhamos de falar disso em 2019”. LULA LIVRE O Andes participará de comitês em defesa da democracia, incluindo os que tenham como lema a expressão “Lula Livre”. Isso não quer dizer que o sindicato vai se empenhar pela liberdade do ex-presidente. “A prisão de Lula mostra a seletividade da Justiça, o que é uma ameça para a democracia. Daí o esforço da diretoria pela unidade”, afirmou a professora Mariana Trotta, da Faculdade de Direito da UFRJ. Alguns docentes não concordaram com a deliberação: “Avalio que é o momento de uma unidade ampla. Lula nos divide”, afirmou a professora Marinalva Oliveira, da UFRJ. GOVERNO BOLSONARO Os professores manifestaram-se contra reforma da Previdência, privatizações e a emenda 95. “Temos uma agenda dificílima. Não podemos nos dispersar”, disse Felipe Rosa, da Adufrj. O Andes quer construir uma Frente Nacional Unitária para impedir ou revogar os retrocessos. O encontro repudiou uma entrevista do ministro da Educação à revista Veja desqualificando o sindicato.

A semana foi marcada por polêmicas relacionadas ao Ministério da Educação. Na segunda-feira (28), o ministro Ricardo Vélez Rodríguez afirmou, em entrevista ao "Valor Econômico", que “a ideia de universidade para todos não existe”. Rodríguez falou do ensino superior como desperdício de tempo e disse que "as universidades devem ficar reservadas para uma elite intelectual”. A repercussão da declaração levou o ministro a se explicar melhor em vídeo de 51 segundos no Twitter, na quarta-feira (30). Ali, nova polêmica. Vélez defendeu que: “A melhor coisa para democratizar a universidade é ensino básico de qualidade. Todo mundo se forma, todo mundo se habilita e todo mundo pode competir”. A mensagem deixou no ar se as ações afirmativas nas universidades federais, como sistema de cotas, estariam em xeque. Para o decano do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da UFRJ, Marcelo Correa e Castro, a abordagem ensino básico versus universidade não traz novidade e visa justificar a redução de investimentos públicos no setor. “Todos os países desenvolvidos - inclusive os usados como referência pelo atual governo, como EUA e Israel - ampliaram seus patamares de investimento em educação básica e superior. Não é um ou outro; é um e outro”.     Mero mérito Sobre competição pelas matrículas no ensino superior, Correa e Castro destaca que a política de acesso não deve se descolar da realidade socioeconômica brasileira.  “O problema do discurso do mérito é que está diretamente atrelado ao desenvolvimento social do país. Quanto melhores as condições de vida, inclusive de acesso à saúde e à educação, maiores as chances de ser selecionado”, afirma. Alfabetização não funcional Em suas manifestações, o ministro Vélez mencionou "uma virada brusca" na linha de ação do MEC, com prioridade para o Alfabetização Acima de Tudo. O programa será conduzido por Carlos Francisco de Paula Nadalim, defensor método fônico – baseado nos sons -em detrimento do construtivista. “O método fônico foi muito criticado nos anos de 1980. Ele parte do princípio do mais simples: o som, a letra, a sílaba, a palavra, a frase até chegar ao texto. Mas desconsidera as referências da criança”, explica professora de didática da Faculdade de Educação, Luciene Cerdas Vieira. Para a docente, o foco no “treino” em substituição ao processo de interpretação pode agravar o quadro de analfabetismo funcional do país. “Hoje as abordagens valorizam a compreensão dos textos dentro do uso deles pela sociedade. É claro que há problemas, mas o método fônico não deu certo anteriormente”, acrescenta. Segundo o Indicador do Alfabetismo Funcional (Inaf) 2018, três em cada dez jovens e adultos de 15 a 64 anos no País – 29% do total, o equivalente a cerca de 38 milhões de pessoas – têm muita dificuldade para entender textos curtos em situações cotidianas.

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