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A apenas dez dias do prazo final para inscrição das chapas que irão disputar a reitoria, em 18 de fevereiro, a UFRJ está longe do consenso necessário para lançar uma candidatura única. Ana Beatriz Magno e Fernanda da Escóssia A apenas dez dias do prazo final para inscrição das chapas que irão disputar a reitoria, em 18 de fevereiro, a UFRJ está longe do consenso necessário para lançar uma candidatura única, que agregue os dois principais grupos políticos da universidade.   A cisão ficou explícita na plenária realizada na tarde de quinta-feira (7), no Centro de Ciências da Saúde. A reunião começou com a leitura de um esboço de programa da candidatura de uma Frente Ampla, elogiado e aceito por todos, mas, já no segundo ponto de pauta, a discussão de nomes expôs divisões que ameaçam implodir a unidade. O reitor da UFRJ, professor Roberto Leher, não disse claramente que é candidato — mas, para quem assistiu à plenária, ficou claro que seu grupo defende a reeleição e dificilmente abrirá mão da cabeça da chapa, o que dificulta a negociação. Pedro Lagerblad, professor do Instituto de Bioquímica Médica, explicitou o temor de que Leher não seja nomeado e a subsequente crise para a UFRJ: “A gente não vai conseguir confrontar as regras da eleição, os nomes, chamando o governo para o confronto no momento de sua maior força”, afirmou. Para Lagerblad, insistir com Leher é estratégia de alto risco. “Não acho que ele seja palatável para este governo. E não dá para a gente insistir com ele, dizendo ‘a unidade c’est moi’”, afirmou Lagerblad,  numa referência à  histórica frase do monarca francês Luís XIV, “o Estado sou eu”. COMISSÃO VAI MEDIAR NOMES Um dos nomes cogitados pela oposição é o da professora Denise Pires de Carvalho (Instituto de Biofísica), que foi derrotada por Leher na eleição de 2015, mas venceu entre os professores. Na tentativa de costurar um acordo com a reitoria, Denise chegou a retirar a candidatura. Seu grupo e setores da Coppe apresentaram, então, uma composição aos negociadores de Leher. Ela tinha José Carlos Pinto, diretor do Parque Tecnológico, como reitor, e Francisco Esteves, um dos responsáveis pela criação do campus da UFRJ em Macaé, como vice. A reitoria rejeitou. “Era uma chapa absolutamente ótima! Por que ela foi rejeitada pela reitoria?”, indagou a professora Ligia Bahia, diretora da Adufrj que ressaltou a posição genrosa da colega que abriu mão de concorrer.  Com a negativa, vários setores tem defendido o retorno de Denise à disputa. Do outro lado, a professora Selene Maia, da Matemática, foi uma das maiores defensores da chapa de Leher. Ela afirma que não é uma questão pessoal sobre José Carlos Pinto, mas que não vê nele perfil de reitor. Disse que não é possível, por medo ou covardia, barrar o nome de Leher. “Meu reitor é alguém que não se intimidou”, afirmou. O pró-reitor Agnaldo Fernandes, principal articulador político de Leher, disse que ainda não está decidido se o reitor vai ou não se lançar e que há espaço para negociar até “16 horas do dia 18”. Afirmou que não houve veto a nomes, mas explicitou a dificuldade das conversas: “Vamos falar com franqueza. A gente não se atura no dia a dia da UFRJ. A gente só está junto negociando porque está diante desse governo, mas na real a gente não se atura”, admitiu, provocando imediata reação da plateia. “É muito dificil começar uma negociação nos termos do ‘se aturar’. Precisamos estar à altura do nosso desafio”, criticou o professor Eduardo Raupp, do Coppead e diretor da Adufrj. “Consensos são construídos. Não podemos deixar nas mãos do governo uma solução para a UFRJ, por um erro nosso”, destacou. Ao final do encontro, foi criada uma comissão de mediação para tentar chegar a um acordo sobre candidatos. Há, inclusive, a possibilidade de que da Frente Ampla saiam duas chapas. Último a falar, o professor Roberto Medronho, diretor da Faculdade de Medicina, fez um apelo à unidade. Articulador da candidatura de Denise Pires de Carvalho e depois da chapa Pinto-Esteves, disse que  todos precisam abrir mão de algumas coisas.  “Precisamos definir três pontos: temos condição de bancar algo diferente do que diz a lei? Haverá segundo turno? Se tiver, será mantido um acordo de cavalheiros, pela não agressão?”, indagou. Medronho alertou para o risco de, sem acordo, a UFRJ eleger um reitor que não consiga tomar posse, numa vitória de Pirro — daquelas que causam tantas baixas que, ao final, têm sabor de derrota.

Ações judiciais movidas pela Adufrj e pelo Sintufrj garantiram adicionais ocupacionais Os adicionais ocupacionais vão voltar a ser pagos no próximo mês. É o que garante a Pró-reitoria de Pessoal. A próxima prévia do contracheque, disponível a partir do dia 20 deste mês, já apresentará os adicionais de insalubridade, periculosidade ou radiação ionizante. Os valores são consideráveis e podem chegar a 20% do salário-base de professores e técnicos-administrativos. A Adufrj e o Sintufrj entraram com ações judiciais exigindo a recomposição imediata dos benefícios. Mais de seis mil servidores — desses, 1.300 docentes— tiveram os percentuais suspensos. A Justiça concedeu liminar favorável aos sindicatos, o que obrigou a UFRJ a cadastrar todos os beneficiários num sistema de ações judiciais. Pedro e Sá, superintendente da PR-4, contou que foi formada uma força-tarefa para que este cadastro fosse finalizado ainda nesta semana. “O prazo permitiu que desse tempo de os adicionais entrarem na próxima prévia”. Em paralelo, a PR-4 continua a realizar laudos periciais para inserir no sistema Siape-Saúde. Até o momento, cerca de 400 servidores tiveram suas informações passadas, em definitivo, para o novo sistema. A suspensão dos adicionais se deu porque a UFRJ não cumpriu o prazo de oito meses dado pelo Ministério do Planejamento para  migrar as informações para o novo sistema. Quem seguir com o problema deve enviar e-mail para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

A duas semanas do Consuni que decidirá sobre a sucessão na Reitoria da UFRJ, não está completa a Comissão Coordenadora da Pesquisa para cargos de Reitor e Vice-Reitor. Uma lista inicial foi publicada no boletim da UFRJ do dia 25 de janeiro, mas sem representantes de alguns centros, como o CCJE, e do Sintufrj. A comissão proporá ao Consuni regras do processo, e o Consuni decidirá. Algumas questões estão em discussão, como quem conduz a consulta à comunidade acadêmica e se ela deve ser paritária. Em dezembro, o MEC exigiu que a consulta repita os pesos do Colégio Eleitoral, no qual o segmento docente tem peso de 70%. Gerly Miceli integra a Comissão como representante dos técnicos no Consuni: “Alguns setores questionam a paridade, e estamos preocupados em mantê-la”, afirmou. O Sintufrj propõe que a consulta seja feita pelas entidades sindicais e estudantis, e não pela comissão, para evitar que o ministério questione o processo. Até a semana que vem, a Comissão deve estar completa.

Dados da Unesco revelam que apenas 28% dos pesquisadores do mundo são mulheres. Como forma de combater problema, o dia 11 de fevereiro é dedicado a mulheres e meninas na ciência Ser  cientista não é “coisa de menina”. Meninos é  que são bons em matemática. Repetidas frequentemente, frases assim ajudam a construir o estereótipo que afasta meninas e mulheres do campo científico. Dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) revelam que apenas 28% dos pesquisadores do mundo são mulheres. Para reduzir essa diferença, a Unesco criou em 2015 o ‘Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência’, celebrado em 11 de fevereiro. Segundo o relatório “Decifrar o código: educação de meninas e mulheres em ciências, tecnologia, engenharia e matemática (STEM)”, o interesse de meninos e meninas pelas ciências é praticamente o mesmo  na infância. É na adolescência que elas começam a se desligar de temas ligados à matemática e às demais ciências. O relatório destaca que professoras das áreas de ciência, matemática, tecnologia e engenharia influenciam positivamente no desempenho e envolvimento das alunas. Por outro lado, a aprendizagem é comprometida quando docentes questionam as habilidades a partir de estereótipos ou crenças machistas. Segundo a professora Tatiana Rappoport, do Instituto de Física da UFRJ, o afastamento da mulher do campo científico se inicia cedo. “Meninas são criadas para cuidar da casa e da família e isso faz com que, ao longo dos anos,  se interessem menos por matemática e ciências”, afirmou. Para a professora Viviane Gomes, do Instituto de Química, esse padrão educacional parte da família e da escola. A  professora Débora Foguel, do Instituto de Bioquímica Médica, elogia a iniciativa da Unesco. “É importante termos um dia para falarmos sobre e darmos mais visibilidade a esse tema”, disse. Segundo as pesquisadoras, políticas públicas e privadas implementadas nesse contexto são incipientes. “As ações são pontuais. Precisamos de mudanças no olhar que a família e a sociedade têm para com as meninas”, ressaltou Viviane. Tatiana, ganhadora do prêmio “Para Mulheres na Ciência”, em 2007, oferecido pela L’Oréal Brasil, em parceria com a Unesco e a Academia Brasileira de Ciências (ABC), concorda que o ensino deve ser mais inclusivo. “A ciência deve ser ensinada pensando na diminuição dessas diferenças”. Na UFRJ, projetos de extensão voltados para mulheres e ciência buscam incentivar alunas de escolas públicas do Rio de Janeiro a ingressarem nas áreas científicas e tecnológicas. “Queremos fomentar o interesse delas para que se sintam aptas a trabalhar nessas áreas”, explicou Viviane, coordenadora do projeto ‘Meninas na Química’. “A parte mais importante é poder apresentar possibilidades que não fazem parte do cotidiano delas”, reforçou Tatiana, co-criadora do projeto ‘Tem Menina no Circuito’.

Congresso decide que próximas diretorias do Andes deverão ter no mínimo 50% de mulheres e cria comissão para reformular eventos sindicais O Congresso do Andes decidiu que que próximas diretorias do sindicato deverão ter no mínimo 50% de mulheres e cria comissão para reformular eventos sindicais. A seguir, quatro dos principais pontos tratados no encontro: METODOLOGIA Uma comissão foi formada para discutir o formato e o funcionamento dos Congressos e do Conselho do Andes (Conad) — uma segunda instância deliberativa do sindicato, realizada no meio do ano. A comissão vai contar com representantes das várias forças políticas que atuam no sindicato nacional. “Precisamos debater fraternalmente a metodologia do Congresso. Estamos aqui há seis dias, o terceiro de plenária, e não terminamos nenhum tema”, resumiu o professor Antônio Lisboa, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). PARIDADE Haverá ao menos seis mulheres no bloco dos 11 principais cargos, que compreendem presidência, secretaria e tesouraria do Andes. A participação feminina será de, no mínimo, 50% nos 72 cargos distribuídos em 12 estruturas do Andes no país. A professora Sara Granemann, da UFRJ, diz que o debate já está atrasado: “É um absurdo que ainda tenhamos de falar disso em 2019”. LULA LIVRE O Andes participará de comitês em defesa da democracia, incluindo os que tenham como lema a expressão “Lula Livre”. Isso não quer dizer que o sindicato vai se empenhar pela liberdade do ex-presidente. “A prisão de Lula mostra a seletividade da Justiça, o que é uma ameça para a democracia. Daí o esforço da diretoria pela unidade”, afirmou a professora Mariana Trotta, da Faculdade de Direito da UFRJ. Alguns docentes não concordaram com a deliberação: “Avalio que é o momento de uma unidade ampla. Lula nos divide”, afirmou a professora Marinalva Oliveira, da UFRJ. GOVERNO BOLSONARO Os professores manifestaram-se contra reforma da Previdência, privatizações e a emenda 95. “Temos uma agenda dificílima. Não podemos nos dispersar”, disse Felipe Rosa, da Adufrj. O Andes quer construir uma Frente Nacional Unitária para impedir ou revogar os retrocessos. O encontro repudiou uma entrevista do ministro da Educação à revista Veja desqualificando o sindicato.

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