Accessibility Tools
Professores universitários de todas as regiões do país vão se reunir em Belém (PA), de 28 de janeiro a 2 de fevereiro, para o Congresso do Andes. O encontro sindical define as prioridades e o calendário de atividades do movimento docente para 2019.
Em uma conjuntura adversa para a educação, o professor e diretor da Adufrj, Felipe Rosa, espera que temas relacionados à defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade sejam bastante discutidos no evento.“Impedir a possibilidade de cobrança de mensalidades é uma questão mais urgente”, explica Felipe.
Repetindo uma fórmula que tem dado certo nos últimos anos, a Adufrj estará representada por uma ampla e variada delegação de 24 professores, entre apoiadores e opositores da atual diretoria.
A Adufrj tem direito a 13 delegados, ou seja, representantes com direito a voz e voto, além de 11 observadores – apenas com direito a se manifestar –, durante o congresso. A lista completa da delegação pode ser conferida abaixo.
O Congresso também vai marcar o início da celebração pelos 40 anos da Adufrj, em abril deste ano. A diretoria vai levar camisetas comemorativas e materiais utilizados nas últimas campanhas da seção sindical. Outras seções sindicais também festejam quatro décadas em 2019 e terão um espaço de exposição.
Para Felipe Rosa, a iniciativa aumenta a visibilidade do movimento docente e da atuação das próprias seções sindicais. “Quanto maiores formos, mais chances teremos de lutar contra medidas deletérias contra os professores e contra a universidade”, completa o docente do Instituto de Física.
DELEGAÇÃO
São delegados: Maria Lúcia Werneck Vianna (pela diretoria); Ligia Bahia; Eduardo Raupp; Maria Paula Araújo; Fernando Duda; Tatiana Sampaio; Felipe Rosa; Tatiana Roque; Marinalva Oliveira; Luis Acosta; Luciana Boiteux; Glaucia Lélia; Ana Claudia Tavares. São observadores: Ricardo Medronho; André Uzeda; Helio de Matos Alves; Maria Cristina Miranda; Jorge Ricardo Santos Gonçalves; Elidio Alexandre Marques; Fernanda Vieira; Luciano Coutinho; Sara Granemann; Walcyr Barros; e Janete Luzia Leite.

As universidades públicas foram citadas apenas uma vez no discurso de posse do ministro da Educação, o teólogo Ricardo Vélez Rodríguez. Mas não é só isso que preocupa a comunidade acadêmica. O dirigente cercou-se de nomes inexperientes na gestão pública para comandar uma das pastas mais importantes e complexas do país. Apenas o secretário de Educação Superior, Mauro Rabelo, e o presidente da Capes, Anderson Correia possuem, em seus currículos, atividades administrativas de porte. Mauro já foi dirigente no MEC e Anderson ocupou a reitoria do ITA. Entre os novos diretores da pasta, um general sem qualquer formação em Saúde assumiu a presidência da EBSERH.
Tem dois anos de experiência em gestão de educação. É formado em Engenharia Naval pela USP. Possui mestrado em Engenharia de Infraestrutura Aeronáutica e doutorado em Engenharia Mecânica, ambos pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica. Desde 2016, era vice-diretor-superintendente do Centro Paula Souza – autarquia com 223 escolas técnicas e 72 faculdades de tecnologia no estado de São Paulo.
LUIZ ANTONIO TOZI
Secretário-executivo
Tem dois anos de experiência em gestão de educação. É formado em Engenharia Naval pela USP. Possui mestrado em Engenharia de Infraestrutura Aeronáutica e doutorado em Engenharia Mecânica, ambos pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica. Desde 2016, era vice-diretor-superintendente do Centro Paula Souza – autarquia com 223 escolas técnicas e 72 faculdades de tecnologia no estado de São Paulo.
MAURO LUIZ RABELO
Secretário da Educação Superior
O único a ter experiência no MEC. Foi diretor de Desenvolvimento da Rede de Instituições Federais de Ensino Superior, em 2018. Foi parecerista e coordenador adjunto na análise de livros de Matemática do Programa Nacional do Livro Didático. Fez um pós-doutorado na Universidade de Stanford. É professor Associado do Departamento de Matemática da UnB, onde foi chefe de departamento. Também foi pró-reitor de Graduação.
MARCO ANTONIO BARROSO
Secretário de Regulação e Supervisão e Educação Superior
Um dos ex-alunos do ministro Rodríguez. É formado em Filosofia e possui especialização, mestrado e doutorado em Ciência da Religião pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Desde 2011, é docente da Universidade Estadual de Minas Gerais. Uma das suas pesquisas atuais é “Qual o impacto da Teoria da Evolução na crença dos estudantes do 2º e 8º períodos de Ciências Biológicas da UEMG/Ubá”.
RIBEIRO CORREIA
Presidente da Capes
Reitor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica desde 2016, onde cursou mestrado, Ribeiro se graduou na Unicamp. É pesquisador CNPq 1B e doutor em Engenharia de Transportes pela University of Calgary (Canadá). Integra o Conselho de Administração da Organização Brasileira para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Controle do Espaço Aéreo.
MURILO RESENDE FERREIRA
Coordenador do Enem
O economista, de apenas 36 anos, foi indicado por movimentos ligados ao combate à chamada “doutrinação ideológica” nas escolas. Tem como guru o escritor Olavo de Carvalho e fez parte do Movimento Brasil Livre. Foi professor visitante da Universidade Federal de Goiás e da Escola Superior Associada de Goiânia, por um curto período de tempo. Assumirá a Diretoria de Avaliação da Educação Básica.
OSWALDO DE JESUS FERREIRA
Presidente da EBSERH
A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, que gerencia hospitais universitários, será comandada por um general do Exército sem formação na área da saúde. O militar chegou a ser cotado para ser Ministro dos Transportes. É dele a frase “No meu tempo não tinha MP e Ibama para encher o saco”, referindo-se à construção da estrada Cuiabá-Santarém (BR-163) durante a ditadura militar.
Foto: Alessandro CostaMineiro de Araguari e carioca de alma. Amante da vida, das pessoas e da Ciência. Pesquisador brilhante, gestor comprometido com a instituição e professor dedicado aos seus alunos. São muitos os predicados de Luiz Eurico Nasciutti, que aos 75 anos recebeu o título de Emérito no último dia 8, no auditório do Quinhentão do Centro de Ciências da Saúde, cercado do carinho de colegas e familiares.
Bastante emocionado, o decano do CCS — até o fim de julho — declinou os princípios que guiaram a carreira até aqui. “Esta cerimônia simboliza o reconhecimento de uma trajetória em que ensinar e aprender foram atividades inseparáveis e que o conhecimento foi colocado a serviço da sociedade”, afirmou, entre soluços.
“Procurei aplicar a pedagogia dialógica, proposta por Paulo Freire, na qual estudantes e educadores constroem conhecimento coletivamente, relacionando aprendizagem e consciência política”, completou.
Nasciutti, formado em Ciências Biológicas pela UnB, chegou ao Rio na década de 70 para fazer o mestrado e nunca mais saiu da UFRJ. Mas, entre várias histórias, Nasciutti compartilhou com o público uma faceta artística pouco conhecida. “Quero compartilhar com vocês uma época importante da minha vida, que não está no Lattes. Logo que eu retornei do meu doutorado em Paris, encontrei um velho amigo que me levou para o grupo de teatro Aqui e Agora”, contou.
“Comecei então a vivenciar um momento que se mostrava muito próximo da minha atuação em sala de aula. No fundo, o professor é também um ator”, comparou. “Depois, vivi experiências de ser ator, diretor e professor do Teatro Tablado por mais de dez anos. Que foram muito relevantes para o aprimoramento das minhas atividades didáticas na universidade”.
O mestre agradeceu a antigos mestres, colegas do presente, alunos de todos os tempos, à família e à própria UFRJ, onde ingressou há mais de cinco décadas. “Muito obrigado à Universidade Federal do Rio de Janeiro por tudo que me proporcionou. Aqui construí minha vida acadêmica. Aqui sei que ainda posso continuar contribuindo”, concluiu.
HOMENAGENS
Para o reitor da UFRJ, professor Roberto Medronho, a solenidade teve um significado especial: “Luiz Eurico foi meu professor de Histologia em 1978, quando eu ainda era estudante de Medicina. Foi uma disciplina muito marcante na minha formação”, contou.
“A grandeza do professor Luiz Eurico não se limita ao seu currículo, por mais expressivo que seja. Mesmo com a trajetória científica reconhecida nacional e internacionalmente, nunca perdeu a simplicidade no trato, a escuta atenta e a disposição para o diálogo”, elogiou.
Também ex-aluno de Nasciutti e com mais de 20 anos de convivência com o homenageado, o professor Antonio Palumbo Júnior, do ICB, ficou encarregado pelo discurso de saudação da solenidade. “Quem o conhece sabe que sua vida não é feita apenas de Ciência, gestão acadêmica e de aconselhamentos. Existe também o Luiz Eurico da alegria, da resenha, dos bares e até do carnaval. Foi responsável por transformar inúmeros congressos científicos em lembranças inesquecíveis”, afirmou.
“Você jamais será esquecido. Tenho a absoluta convicção de que não sou exceção. Somos muitos. Muitos que foram acolhidos, muitos que foram orientados, muitos que foram incentivados. Você não passou por nossas vidas. Você ajudou a transformá-las”, completou.
Diretora do ICB, a professora Patrícia Dias Fernandes reforçou: “A homenagem que hoje prestamos não se destina apenas a um pesquisador de excelência ou a um professor dedicado. Ele reconhece uma vida inteira construída dentro da universidade pública, marcada pela perserverança, competência, compromisso com a formação de pessoas e com a produção de conhecimento”.
“Tive o privilégio de compartilhar com o professor Luiz Eurico a gestão do Centro de Ciências da Saúde. Experiência que me permitiu testemunhar de perto sua extraordinária capacidade de trabalho, sua dedicação institucional, seu profundo compromisso com a UFRJ e sua alegria”, disse a companheira de decania, professora Lina Zingali. “Ele chegou aqui com 25 anos e não nos abandonou desde então. E não nos abandonará. Por isso, concedemos este título. Para que ele continue entre nós”, brincou.
LUTO: DORIS ROSENTHAL, 93 ANOS, DEIXA LEGADO DE AMOR À CIÊNCIA
Durante a solenidade de emerência, Luiz Eurico fez uma menção especial à professora Doris Rosenthal, do Instituto de Biofísica, que faleceu dois dias antes. “Agradeço a uma pessoa muito querida, muito importante na vida e que, infelizmente, nos deixou anteontem”, disse. “Nós fazíamos seminários conjuntos de histologia e fisiologia para os alunos de Medicina”.
Exemplo de compromisso com a ciência e a educação, agraciada em 2023 com a Medalha Minerva do Mérito Acadêmico, Doris foi pioneira nos estudos de fisiologia endócrina. Integrante honorária da Academia Nacional de Medicina, a docente inspirou a formação de centenas de endrocrinologistas e pesquisadores.
A UFRJ precisou se desdobrar nos últimos dias para pagar empresas terceirizadas da limpeza e da segurança, depois que o governo federal bloqueou R$ 23,6 bilhões do orçamento da União, no fim de maio. Sem o repasse mensal, a reitoria remanejou R$ 3 milhões das receitas próprias da instituição, depositadas em uma conta da fundação Coppetec, para evitar a paralisação dos serviços.
Não foi um corte orçamentário, foi um bloqueio e o recurso pode retornar até o fim do ano. “Mas o que receberíamos este mês, o duodécimo, acabou não sendo repassado. E isso trouxe um problema grave não só para a UFRJ, mas para todas as universidades”, afirma o reitor Roberto Medronho. O duodécimo da universidade equivale a pouco mais de R$ 30 milhões.
“Pegamos a verba dos nossos recursos próprios para passar à pró-reitoria de Finanças para que ela proceda aos pagamentos dessas firmas terceirizadas e esses trabalhadores não sejam penalizados”, completou o reitor.
A mesma estratégia foi utilizada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul para dar conta de seus compromissos mais urgentes. A UFRGS destinou R$ 1,1 milhão dos recursos de arrecadação própria para assegurar o pagamento da folha salarial da empresa Multiservice, que responde pelos serviços de portarias, recepções e garagistas na universidade gaúcha, informou a página da instituição.
“Paralelamente, a Administração Central mantém diálogo com o Governo Federal para obter informações sobre a regularização dos repasses e organizar o planejamento financeiro das próximas semanas”, diz nota da reitoria local.
MEC SEM R$ 1,6 BI
O Decreto nº 12.990, de 29 de maio, estabeleceu em R$ 23,6 bilhões o total de recursos bloqueados no Orçamento da União deste ano. Entre os órgãos atingidos, destaca-se o Ministério da Educação (MEC), com R$ 1,605 bilhão – terceira pasta mais afetada, atrás apenas dos ministérios da Defesa e das Cidades. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) teve R$ 490,1 milhões bloqueados.
Além do bloqueio, o governo adotou restrições temporárias para a liberação de recursos, mecanismo conhecido como “faseamento de empenho”. A medida funciona como um controle de fluxo de caixa. Se a arrecadação ficar abaixo do esperado, o governo não autoriza o gasto de recursos antes de confirmar a entrada de novas receitas.
A Associação Nacional dos Pós-graduandos manifestou preocupação com o bloqueio. “Esse cenário pode atrasar a contratação e a execução de projetos científicos estratégicos, chamadas públicas de fomento, convênios, manutenção de laboratórios e unidades de pesquisa, além de comprometer a previsibilidade necessária para universidades, institutos federais, centros de pesquisa e agências de fomento”, observou a entidade, em nota.
“Há ainda preocupação com possíveis repercussões sobre os pagamentos de bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado, especialmente aquelas executadas pelo CNPq. O enfraquecimento desses instrumentos significa menor capacidade nacional de produzir conhecimento, desenvolver tecnologias e responder aos desafios econômicos, sociais, sanitários, ambientais e produtivos do país”, completou a direção da ANPG.
A assessoria do MEC informou que o decreto do bloqueiomodificou o cronograma mensal de desembolso do ministério. “Em razão dessa alteração, houve necessidade de adequação dos fluxos de repasse financeiro às unidades do MEC. O Ministério informa que está ciente das demandas e tem realizado as gestões necessárias para regularizar os repasses financeiros”, respondeu, em nota à reportagem.
Foto: Alessandro CostaDepois de quatro anos fechado para reformas, o Museu da Geodiversidade do Instituto de Geociências da UFRJ reabriu no último dia 3 de junho com um mergulho nas “Memórias da Terra”. A fascinante exposição retrata as diferentes eras do nosso planeta. Cada sala revela origens e estruturas minerais - como um supergeodo de ametista do Sul do Brasil - e conta a história da evolução dos primeiros seres vivos, até chegar aos humanos. Reconstruções de dinossauros e de grandes mamíferos, além de exposições de fósseis reais são algumas das novidades da coleção que promete encantar todas as idades.
O espaço passou por uma ampla revitalização, com obras estruturais como a reforma dos telhados e calhas, além impermeabilização de paredes, pintura, readequação das saídas de emergência e construção de nova sala de exposição, voltada a atividades educativas e oficinas. Os recursos foram disponibilizados por meio de emendas parlamentares do deputado federal Chico Alencar, que é professor licenciado da UFRJ.
Logo na entrada, o meteorito Campinorte saúda os visitantes. Incorporado ao acervo da UFRJ em agosto de 2021, o Campinorte é terceiro maior meteorito do Brasil. Pesa aproximadamente 1,5 tonelada e tem cerca de 4,5 bilhões de anos. Ele foi descoberto em uma fazenda no município de Campinorte, a 300 km de Goiânia. Estima-se que tenha caído no planeta há mais de mil anos.
“Essa exposição é uma tentativa de resgatar a história desse planeta, desde a sua formação, e de refletirmos sobre os futuros possíveis”,
Foto: Fernando Souza afirma a diretora do museu, Adriana Vicente (foto ao lado), que recebeu a reportagem da AdUFRJ para uma visita exclusiva. “É um acervo científico riquíssimo, organizado numa exposição cenográfica. Nosso principal público é formado por crianças, então é uma exposição que tem acessibilidade, ludicidade e interatividade”, conta diretora, que é produtora cultural da universidade.
A Sala dos Mares mostra formações rochosas e estruturas de ferro. Algumas, com idade estumada de 2,7 bilhões de anos. Um quartzito com marcas de ondas, que se formou há cerca de 1,5 bilhão de anos, é uma das peças mais encantadoras. “Essa sala nos mostra que o sertão já foi mar no nosso país”, ilustra a diretora.
Coordenadora do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, instância à qual todos os museus da universidade são vinculados, a professora Christine Ruta comemorou a reabertura do espaço. “Os museus universitários têm uma importância ímpar no Brasil. Eles guardam parte fundamental da memória científica, cultural e educacional do país”, afirmou.
Foto: Alessandro CostaApesar da importância, ela destaca o reconhecimento e financiamento ainda aquém do necessário para a manutenção dos museus no país. “Infelizmente, ainda convivem com fomento insuficiente para que esses espaços, tão essenciais para a pesquisa, o ensino, a extensão e a formação cidadã, possam viver plenamente sua missão junto à sociedade”, disse. “Por isso, a reabertura do Museu da Geodiversidade é uma notícia tão importante. Revitalizar esse espaço significa reafirmar o compromisso da universidade pública com a preservação do patrimônio científico, com a democratização do conhecimento e com o diálogo entre ciência, educação e sociedade”.
SERVIÇO
O Museu da Geodiversidade funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, e fica localizado no Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (CCMN). A entrada é gratuita. Grupos podem agendar visitas guiadas pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. As visitas de grupos contam com mediação de estudantes do Instituto de Geociências.