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Imposta pelo Andes, a votação em cédula de papel restringiu a participação dos professores nas eleições da AdUFRJ. Todos que estavam afastados dos campi nos dias 10 e 11 por questões de saúde ou em missões acadêmicas ficaram automaticamente sem direito ao voto. Aposentados também foram prejudicados.
Destaque no noticiário brasileiro nas últimas semanas, a professora Tatiana Sampaio (do Instituto de Ciências Biomédicas e ex-diretora da AdUFRJ) fez o possível, mas não conseguiu votar. A docente estava em São Paulo para participar de reuniões e coletivas de imprensa sobre o desenvolvimento de um medicamento experimental: a polilaminina, que promete recuperar a mobilidade de pacientes que perderam movimentos por lesões na coluna.
Sampaio adiantou seu retorno ao Rio, mas perdeu a última urna aberta do Centro de Ciências da Saúde por apenas quinze minutos. “Foi uma decepção quando percebi que não daria tempo”, lamentou. Tatiana classificou como retrocesso o retorno ao voto em papel. “Acho lamentável que não se possa votar online. Isso me parece um enorme retrocesso e totalmente injustificável”, completou.
Já a professora Juliana Camacho, do Instituto de Bioquímica Médica, afastada para uma missão científica nos Estados Unidos, não pôde votar em si mesma para o Conselho de Representantes. “Uma votação online seria suficiente para aumentar a adesão de quem não pode estar presencialmente”.
Aposentado do IFCS e morador de Cabo Frio, o professor Paulo Baía chegou a preparar a ida a Macaé para depositar seu voto, mas teve que cancelar a viagem. “Eu queria ter votado. O sistema de votação pela internet era ótimo para mim e para vários colegas que são idosos e moram distante das urnas”, destacou o docente que chamou de involução o retorno ao voto presencial.
Confira a seguir os depoimentos de vários professores que não puderam exercer o direito de participar da escolha dos rumos do sindicato pelos próximos dois anos.
Fui a São Paulo para uma coletiva de imprensa e reuniões com o Laboratório Cristália, no âmbito da cooperação existente entre a UFRJ e a empresa. Depois, fui para Campinas planejar experimentos no acelerador de partículas do CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais). Como tinha diferentes destinos em São Paulo, optei por ir de carro.
Até adiantei a volta para chegar a tempo de votar. Teria sido melhor passar a noite em Campinas para poder estender as discussões no CNPEM e estar mais descansada na estrada, mas, quando eram 14h, interrompi a reunião para poder chegar a tempo. Ainda tive que parar na estrada para resolver por telefone um problema no laboratório e atrasei meia hora. Foi o que bastou! Cheguei ao CCS às 20h45 e já não pude votar.
Foi uma decepção quando percebi que não daria tempo. Ainda fui até o hall do Bloco A para ver se a banca de votação ainda estaria lá, mas ela já tinha sido desmontada. Foi triste. Acho lamentável que não se possa votar online. Não há necessidade de retornarmos a um sistema antigo de votação. Isso me parece um enorme retrocesso e totalmente injustificável.
Tatiana Sampaio
Instituto de Ciências Biomédicas
Não pude votar nas eleições da AdUFRJ em 2025 devido à decisão pouco democrática pelo voto impresso, em plena era digital. Não pude tampouco votar por procuração. Tive meu direito cerceado e me sinto excluída deste processo importante e que deveria ser cada vez mais democrático. Considero um retrocesso, pois diversos professores se afastam da sede para participar de congressos, bancas, dentre outras atividades acadêmicas rotineiras. Espero que, em 2027, possamos voltar a ter nosso direito ao voto garantido novamente. Afinal, a AdUFRJ deveria ser cada vez mais representativa da categoria e atender melhor as demandas dos seus filiados.
Denise Pires de Carvalho
Presidente da Capes, ex-reitora da UFRJ e professora do IBCCF
Chega a ser inacreditável que cheguemos em 2025, em pleno século XXI, com uma exigência do Andes de que o voto seja dado em papel. Isso lembra muito a exigência do Bolsonaro de que o voto deveria ser em papel, por ser assim “auditável”. Aliás, não é só neste assunto que tanto a extrema direita quanto a extrema esquerda coincidem em suas posições. Por exemplo, foi assim também com o REUNI e com as cotas; ambos os extremistas eram contra, mudando apenas os motivos que justificavam suas posições!
Mas por que eu sou a favor do voto eletrônico para decisões importantes como, por exemplo, eleições para a Diretoria da AdUFRJ? Em primeiro lugar, para permitir que os aposentados, que são cerca de metade dos filiados à AdUFRJ, votem. Muitos destes aposentados têm problemas de mobilidade e, assim, obrigar que eles se desloquem até uma urna para exercer o seu direito ao voto é uma exigência descabida. Em segundo lugar, porque, como todos sabem, os meses de setembro e outubro concentram muitos congressos fora do Rio de Janeiro. Logo, o voto em papel impede que professores que participam destes congressos votem. Eu, por exemplo, por estar no momento na Europa, fui impedido de votar.
Por tudo isso, apoio a ADUFRJ em sua defesa por votações eletrônicas, única forma de efetivamente democratizar as decisões por se ouvir a maioria dos filiados.
Ricardo Medronho
Emérito da Escola de Química
Fiquei superchateada. Queria muito votar na chapa 1, porque gostei das propostas e conheço as pessoas. Sei que são idôneas, éticas. Tinha evento marcado em Cruzeiro do Sul, no Acre, entre os dias 8 e 12 de setembro. O XVI Encontro Nacional da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica. Mas poderia ter votado online. Estava praticamente certa de que haveria essa possibilidade, porque já votamos outras vezes assim. Da mesma fora, em relação à eleição para o Conselho de Representantes, me senti desrespeitada e excluída, já que a votação remota é comum e esperada.
Valéria Vinha
Instituto de Economia
(aposentada)
Eu gostaria de ter participado, obviamente, e ter exercido meu direito de voto nos colegas com quem tenho trabalhado junto e apoiado nas iniciativas da AdUFRJ e do Conselho de Representantes.
Em função de uma viagem para participar de um congresso internacional da minha área de atuação na Engenharia Química, em Trondheim, Noruega, não estava presente à UFRJ durante os dias de votação e foi frustrante não comparecer às urnas para, inclusive, apoiar a chapa da qual eu participava.
Por essa razão e por entender que muitos colegas também podem estar ausentes em períodos de votação, eu defendo o voto online, pela sua praticidade, segurança e viabilidade de estimular maior participação da comunidade. Particularmente, apoio a ideia de se implementar um sistema de votação remota e assim garantir maior participação dos docentes nas eleições futuras.
Fábio Toniolo
Coppe
Eu fui a um Congresso em Foz do Iguaçu na semana passada, que estava marcado anteriormente, e fiquei impossibilitada de votar.
Mas, particularmente, achei muito complicado essa impossibilidade de votar online. Poderia ser presencial e online simultaneamente. Isso atrapalha muito a votação, a democracia. Limita nossas possibilidades de ampliar os votos e de ter uma ampla participação, como a AdUFRJ vem fazendo nos últimos anos!
Sem contar o fato de pessoas que se encontram acamadas ou que tiveram outros imprevistos e que, infelizmente, não puderam comparecer à votação. Vivemos no mundo em que fazemos tudo ou quase tudo online e exigir votos presenciais parece um contrassenso. Só o Andes mesmo para exigir que façamos isso!
Veronica Damasceno
Professora da Escola de Belas Artes
Sou representante e não pude votar em mim mesma. Bem antes da divulgação da data da eleição, solicitei afastamento por 20 dias para missão científica na Mayo Clinic, na Flórida. O afastamento de curto prazo para missão científica é um trabalho referente ao nosso ofício, como palestras, congressos e bancas de defesa. Uma votação online seria suficiente para aumentar a adesão de quem não pode estar presencialmente.
Sinceramente, não vejo o porquê de ainda haver discussão sobre votação híbrida, se isso contempla todos esses ofícios fora do local de trabalho que possuem permissão aprovada.
Juliana Camacho
Instituto de Bioquímica Médica
Estou em missão científica como professor visitante do departamento de Biologia de Sistemas da Harvard Medical School. É difícil acreditar que com a tecnologia atual e dentro de uma universidade do porte da UFRJ que tem dois núcleos de computação, TIC e NCE, não se possa realizar votação online. Há várias votações online de quadros importantes que ocorrem na UFRJ, não entendo por que a AdUFRJ não pode usar este mecanismo de grande inclusão. A ausência de 20% dos eleitores, que não puderam votar presencialmente, é bastante significativa e frustrante. Espero que na próxima eleição seja possível colher votos auditáveis online.
José Garcia Abreu
Instituto de Ciências Biomédicas
Estou gestante e precisei tomar ferro venoso no hospital na quinta-feira, dia 12. O procedimento demorou mais que o esperado e por isso não consegui votar. Também saí um pouco cansada e necessitando ir diretamente para casa lanchar porque tenho diabetes gestacional e preciso controlar bem os horários das refeições. O voto online teria me ajudado muito nesse caso.
Cintia Pinheiro
Nupem
Tenho 74 anos e participo ativamente das assembleias da AdUFRJ e sempre votei na AdUFRJ. Atualmente, moro em Cabo Frio e, infelizmente, não pude votar. Eu queria ter votado. O sistema de votação pela internet era ótimo para mim e para vários colegas que são idosos e moram distante das urnas. Cheguei a me preparar para ir a Macaé, mas não consegui, dadas as dificuldades do dia a dia.
Portanto, critico muito essa involução. Essa reversão do voto digital via internet para o voto presencial, que impede e dificulta a mobilidade de quem é idoso, aposentado, mesmo quem mora nas cidades do Rio de Janeiro, Macaé ou Duque de Caxias.
Paulo Baía
IFCS (aposentado)
Foto: Fernando Souza“Nós e a natureza somos um”, cantou em mantra o professor de Psicologia Social da UFRJ João Irineu de França Neto na abertura do Festival do Conhecimento 2025 na quinta-feira (4). O evento, que acontece no Salão Nobre do Fórum de Ciência e Cultura entre esta quinta e sexta-feira, traz o tema “Re-amazonizar o Brasil”, com o objetivo de refletir sobre sustentabilidade, saberes ancestrais, inovações tecnológicas e o papel das universidades no desenvolvimento de um futuro socioambiental justo.
Ao longo das últimas semanas, o Jornal da AdUFRJ questionou as chapas sobre temas sensíveis para os professores da UFRJ. Carreira, condições de trabalho, propostas para aposentados, democracia, orçamento e financiamento das universidades estiveram entre os assuntos aprofundados pelos grupos a cada semana. Nesta última edição especial, queremos saber mais sobre como as chapas compreendem a política sindical e suas propostas para fortalecer a participação de professores na AdUFRJ. Veja abaixo as respostas encaminhadas pela Chapa 2 – ADUFRJ de luta: dignidade nas condições de trabalho e defesa da universidade pública.
As eleições para a diretoria e Conselho de Representantes serão presenciais e estão marcadas para os dias 10 e 11 de setembro em todos os campi. Haverá 22 urnas no Rio, Caxias e Macaé. Participe!
1. Há uma crise no movimento sindical? Por quê?
A organização de trabalhadoras/es é um desafio permanente. Poderíamos considerar numerosos aspectos que compõem a crise do mundo do trabalho e que atingem diretamente a organização sindical. Mas o aspecto que mais nos interessa, já que alcança parte importante dos sindicatos e centrais no Brasil, é sua perda de autonomia e conversão em transmissoras de demandas institucionais. Determinações fortes do afastamento das bases e da perda da capacidade de ouvi-las. A Adufrj é um caso agudo e, não à toa, tem sido apelidada de PR-8.
Por sua vez, o Andes-SN tem mantido sua autonomia a partidos e governos e estados e convoca a luta de acordo com o que a categoria decide. A pedagogia do respeito ao regimento não é uma formalidade, e respeitar formulações democraticamente construídas em fóruns coletivos garantem a independência decisória, inclusive, em relação à própria diretoria. A militância no ANDES tem atraído docentes que encontram seus direitos corroídos e percebem que só a luta histórica do sindicato conquistou vitórias. Entre 2023 e 2025, por exemplo, houve o aumento de uma Adufrj inteira em suas bases – foram quase 4 (quatro) mil docentes. As greves, além de alcançarem conquistas trabalhistas, reforçam os espaços decisórios coletivos.
As diretorias da Adufrj, pelo contrário, tem afastado a base, deixando a categoria entregue aos assédios e a doenças do trabalho. Segundo dados oficiais da seção, obtidos de relatórios dos Congressos do Andes, há uma tendência à redução de filiações, sobretudo se considerarmos que a base potencial de docentes tem aumentado com a realização de concursos – ainda que insuficientes. Ademais, a base da Adufrj tem diminuído seu impacto proporcional na base nacional, caindo aproximadamente 10% nos últimos 10 anos.
Este apequenamento da Adufrj significa que a maior Instituição Federal de Ensino Superior do país não tem atuado junto às lutas nacionais e sequer estimula docentes a participarem das formulações dos rumos do sindicato em seus Grupos de Trabalho. A política atual da Adufrj está diminuindo o potencial de formulação e solidariedade que a UFRJ possui!
2. O que a AdUFRJ pode fazer para fortalecer o movimento sindical docente no país e ampliar a articulação com entidades nacionais sindicais e científicas?
A Adufrj pode fazer muita coisa, mas precisa de outra direção. O potencial de ação, formulação e capilaridade do movimento docente na UFRJ é proporcional ao tamanho de nossa universidade. Porém, ao construir uma atuação isolada, na forma de lobby junto a instituições, mandatos, reitorias e governos, as diretorias da Adufrj esvaziam este potencial. O resultado – inevitável – desta política tem sido perdas, derrotas e aumento da precarização das nossas condições de trabalho:
Internamente, é necessário estimular a realização dos Grupos de Trabalho do ANDES, capazes de ecoar a pluralidade de saberes e lutas da UFRJ: ciência e tecnologia, comunicação, artes, educação, seguridade social, políticas de memória (e a comissão da verdade do sindicato), etc. Os GT são abertos para receber as contribuições de nossas/os colegas docentes a partir de seus estudos e pesquisas para que o sindicato formule sua intervenção política. O Conselho de Representantes deve servir como termômetro sobre as demandas, avaliações e insatisfações docentes. A participação docente em Congressos e Conselhos do Andes deve ser ampliada. Isso demanda muito trabalho organizado: assembleias, proposição de textos e resoluções, debate dos temas que são preocupações dos/das docentes em todo o Brasil. Isto significa, acolher docentes que desejam conhecer, participar e incidir, de forma organizada pela seção sindical, nas principais instâncias do ANDES para a superação das dificuldades nas Universidades públicas.
3. Que ações a AdUFRJ pode realizar, continuar ou retomar para aumentar a sindicalização e a participação sindical dos professores da UFRJ?
Conforme indicamos nas respostas anteriores, a prática atual de recuo e isolamento e a opção por campanhas performáticas de lobby no Congresso Federal, repetem um estilo condenado pela prof Maria Lúcia T. Werneck Vianna em seu importante livro “A Americanização (perversa) da seguridade social no Brasil”. Este modelo estadunidense de lobby junto ao parlamento tem por resultados orçamentos secretos e afastamento dos interesses das maiorias das pautas do congresso, configurando um caráter substitucionista e antidemocrático, capaz de enterrar conquistas da classe trabalhadora.
Nas visitas que a Chapa 2 tem realizado a unidades de ensino é comum encontrar docentes que se desfiliaram da Adufrj por considerá-la um espaço despolitizado e sem perspectiva de atuação coletiva.
Para romper com este ciclo, as diretorias não devem temer trabalhar com os diferentes perfis docentes. A luta em defesa da categoria é a melhor receita para ampliar a sindicalização e participação de professoras e professores.
Foto: Fernando SouzaO canto vigoroso do Grupo Brasil Ensemble UFRJ, executando trechos da ópera moçambicana “O Grito de Mueda”, um hino contra o colonialismo e pela liberdade, abriu e deu o tom de uma noite de resistência e de celebração nesta segunda-feira, no Fórum de Ciência e Cultura, no Flamengo, Zona Sul do Rio. Resistência, aliás, foi a palavra de ordem mais repetida na cerimônia em homenagem aos 105 anos da UFRJ, que teve como lema “História que inspira, futuro que transforma”.
Ao longo das últimas semanas, o Jornal da AdUFRJ questionou as chapas sobre temas sensíveis para os professores da UFRJ. Carreira, condições de trabalho, propostas para aposentados, democracia, orçamento e financiamento das universidades estiveram entre os assuntos aprofundados pelos grupos a cada semana. Nesta última edição especial, queremos saber mais sobre como as chapas compreendem a política sindical e suas propostas para fortalecer a participação de professores na AdUFRJ. Veja abaixo as respostas encaminhadas pela Chapa 1 – UFRJ na luta pela Democracia e Conhecimento.
As eleições para a diretoria e Conselho de Representantes serão presenciais e estão marcadas para os dias 10 e 11 de setembro em todos os campi. Haverá 22 urnas no Rio, Caxias e Macaé. Participe!
1. Há uma crise no movimento sindical? Por quê?
Os sindicatos, instituições imprescindíveis para a organização de sociedades democráticas, foram interpelados pelo neoliberalismo e seu cortejo de medidas pautadas pela austeridade e autoritarismo. Em meados da década de 1970, as elevadas taxas de crescimento económico, que tinham sido uma forma relativamente indolor de financiar a expansão dos serviços públicos, entraram em colapso. Choques nos preços do petróleo, sucedidos por uma “estagfação” (aumentos simultâneos na estagnação da economia, do desemprego e da inflação).
Críticas ao aumento das despesas públicas e a “captura” de instituições governamentais se tornaram esteio para a ascensão política e intelectual de reiterados questionamentos ao estado de bem-estar social. Mudanças políticas-ideológicas às quais estavam subjacentes o crescimento do eleitorado de classe média e encolhimento da classe trabalhadora, cujos membros passaram a manifestar apoios políticos voláteis em eleições. A expansão das despesas públicas expostas a um escrutínio mais intenso por parte de opositores e céticos estimulou colocou em questão a relação custo-benefício e a capacidade de resposta das grandes organizações de serviços públicos, acusadas também de ingovernabilidde.
Durante os anos 1980 e 1990, houve repetidas tentativas de “reformar” as instituições públicas. Em geral, as reformas buscaram reduzir o âmbito das atribuições governamentais e ampliar os mercados ou quase mercados e reduzir o poder dos sindicatos, reduzir a despesa pública e os níveis de tributação. No Reino Unido, o “inverno do descontentamento” (1978-1979) com as suas sucessivas crises e as greves dramatizaram uma narrativa de setor público desgovernado e ingovernável que repercutiu na eleição dos conservadores em 1979 e depois pela reeleição de Margareth Thatcher (1983 e 1987). A expressão TINA (there is no alternative) cunhada nesse contexto político de direita atravessou o oceano. Nos EUA, Reagan dizia que o governo era o problema, e não a solução.
Com o fracasso do neoliberalismo, as pressões sobre despesas públicas em resposta a mudanças demográficas, epidemiológicas e reestruturação dos mercados de trabalho se intensificaram. A insatisfação com acesso e qualidade de serviços públicos e programas sociais segue tensionando governos, partidos políticos e movimentos sociais. Os sindicatos retomaram parte de seu protagonismo e seguem mobilizados. No Brasil, sindicatos de servidores públicos ocupam papel relevante nas agendas públicas quando logram conjugar a valorização do trabalho de seus associados com alternativas para o desenvolvimento econômico, social, cultural e sustentável do país. É nesse sentido - o da atualização e conexão das pautas sindicais com a ciência, cultura, movimentos sociais e ampliação da participação dos professores da UFRJ nas decisões - que a Chapa 1 pretende contribuir para o fortalecimento da AdUFRJ.
2. O que a AdUFRJ pode fazer para fortalecer o movimento sindical docente no país e ampliar a articulação com entidades nacionais sindicais e científicas?
A AdUFRJ representa os professores de uma grande e qualificada universidade pública cujo âmbito de atuação é local, nacional e internacional; podemos e devemos atuar conjuntamente com entidades sindicais, cientificas, profissionais, entre as quais OAB, IAB e movimentos sociais. Diversas necessidades da prática docente dizem respeito a fundações estaduais de pesquisa e ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, como por exemplo editais, bolsas de pesquisa, recursos para infraestrutura. Nossa atuação em relação ao Ministério da Educação será firme e permanente. Recomposição orçamentária e progressividade da alocação de recursos da educação são cláusulas pétreas do nosso programa de trabalho. Adicionalmente, pretendemos avançar propostas e normas para a ampliação e estabilização de fontes do Sistema de Ciência Tecnologia e Inovação e obter condições favoráveis para o aporte de entidades filantrópicas e privadas.
3. Que ações a AdUFRJ pode realizar, continuar ou retomar para aumentar a sindicalização e a participação sindical dos professores da UFRJ?
O programa da chapa 1 contém ações de três naturezas. As primeiras são relacionadas diretamente a carreira e condições de trabalho, incluindo desde o salário de ingresso, espaços de trabalho e divisão da carga de trabalho, passando pelos suportes à vinculação a planos de saúde privados até a revisão das atuais regras para aposentadoria. As segundas estão vinculadas a vida associativa dos professores e compreendem atividades que propiciem convívio e interlocução. Por fim situa-se a mobilização de metodologias presenciais e remotas que assegurem a participação efetiva dos associados inclusive aposentados nas decisões da AdUFRJ.