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WhatsApp Image 2026 04 09 at 19.01.43Foto: Fernando SouzaHá trinta e seis anos, Alexandre Padilha visitou a UFRJ pela primeira vez, ainda como estudante. No dia 7 de abril, o agora ministro da Saúde retornou para dar uma aula magna que misturou lembranças, uma ode ao Sistema Único de Saúde (SUS) e notícias muito boas para a maior federal do país, em um lotado auditório do Quinhentão, no CCS.
O paulista tinha apenas 19 anos, em 1990, quando participou do Encontro Científico de Estudantes de Medicina. “Tenho uma lembrança muito feliz porque saí daqui como presidente da Direção Executiva Nacional de Estudantes de Medicina”, recordou. “A UFRJ era a linha de frente da resistência à privatização das universidades públicas, projeto de Collor, derrotado graças a essa resistência e hoje estamos aqui, com uma plateia cheia de estudantes pretos, pretas, com maioria de mulheres. Isso é o que mais me alegra e é a mudança mais visível”.
Durante o evento, Padilha assinou uma portaria com a liberação de R$ 9 milhões para os institutos de saúde da UFRJ que não fazem parte da gestão da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). “Este é nosso compromisso com a universidade pública”, afirmou Padilha, ao lado do reitor Roberto Medronho.
O novo convênio insere os institutos de Psiquiatria, de Ginecologia, São Francisco de Assis (HESFA), de Doenças do Tórax, de Neurologia e do Coração no Programa Nacional de Qualificação e Ampliação dos Serviços Prestados por Hospitais Universitários Federais Integrantes do Sistema Único de Saúde (PRHOSUS).
O programa prevê para este ano o investimento total de R$ 1,4 bilhão em hospitais e institutos de atenção à saúde de universidades federais. “O Ministério da Saúde coloca este ano 90% a mais dos recursos que foram aplicados em 2022 nos HUs federais”, destacou Padilha. “Esse repasse é feito via Ebserh. Ocorre que esses institutos da UFRJ, por não estarem inseridos na Ebserh, não estavam recebendo esses valores. Agora vão passar a receber mesmo sem a contratualização com a empresa”, explicou o ministro.
Outra notícia dada em primeira mão durante a aula magna foi a formalização do registro dos profissionais sanitaristas. A cerimônia de concessão do primeiro registro de sanitarista do Brasil, entregue à pesquisadora Maria Cecília Minayo, aconteceu no mesmo dia, à tarde, na Fiocruz, com a presença do ministro. A profissão foi regulamentada pelo Decreto nº 12.921, publicado no Diário Oficial da União na manhã do próprio dia 7.
Os interessados em solicitar a emissão do registro profissional de sanitarista devem preencher um formulário eletrônico no site do Ministério da Saúde, pasta que regulará o registro profissional. A solicitação também deve acompanhar o diploma de graduação, mestrado, doutorado, ou especialização lato sensu nas áreas de saúde coletiva ou de saúde pública.

Números do SUS
Padilha falou sobre os avanços e os desafios do SUS, que completa 36 anos em setembro. Desde sua implantação, o sistema reduziu a mortalidade infantil em 72%. “Foi a maior redução de mortalidade infantil em todo o mundo”, destacou Padilha. “Atingimos, no ano passado, o menor patamar do nosso país: 12,1 óbitos a cada mil nascidos vivos”, revelou o ministro. A introdução da vacina que previne a bronquiolite – doença que é uma das principais causadoras de morte até dois anos de idade – no calendário de imunizações de gestantes também foi destaque. “A gestante toma a partir da 28ª semana. Já foram vacinadas 750 mil e a meta é chegar a 2 milhões de imunizadas”.
O ministro apresentou também alguns recordes em atendimentos e procedimentos. Em 2025, o SUS alcançou 14,9 milhões de cirurgias eletivas. Um aumento de 40% desde 2022. “Todo dia há um Maracanã cheio de pessoas realizando cirurgias eletivas em algum hospital do país”, comemorou. As quimioterapias saltaram para 4,7 milhões, um incremento de 20% desde 2022. Outra boa notícia é sobre a realização de transplantes: o país realizou 30,9 mil procedimentos, registrando também um aumento de 20% em comparação com 2022. Os exames saltaram para 1,3 bilhão realizados, aumento de 37% na comparação com o mesmo ano. “Conseguimos registrar aumento em todas as vacinas do calendário infantil com a retomada das campanhas. Outro dado fundamental, é que somos o maior país do mundo a eliminar a transmissão vertical do HIV”, celebrou Alexandre Padilha. “Se conseguimos com o HIV, precisamos conseguir com a Sífilis e com a Hepatite B”, disse.
Padilha recordou a 8ª Conferência Nacional de Saúde, que completa 40 anos em 2026. “Foi um momento muito importante e estratégico para o SUS. Naquele momento, em 1986, a sociedade civil brasileira construiu as bases do que foi aprovado na Constituinte e, dois anos depois, na Lei Orgânica do SUS”, disse. “Com o SUS o Brasil vive mais. É, sem dúvida, a política pública de maior capilaridade e de maior impacto no enfrentamento das desigualdades do país. Todos os indicadores que estão relacionados à vida no Brasil melhoraram com a criação do SUS”.
O ministro destacou que nenhum país com mais de 100 milhões de habitantes assumiu o compromisso de garantir saúde pública como direito a todos os seus cidadãos. “Nenhum país ousou colocar na sua Constituição a ideia de um sistema nacional de saúde que fosse universal, onde todas as pessoas tivessem o direito de serem atendidas”, afirmou. O SUS foi inspirado principalmente em sistemas públicos de saúde de três países: Canadá, Inglaterra e Cuba. Todos têm menos de 60 milhões de habitantes, enquanto o Brasil possui 213 milhões.

Desafios
Como principais desafios para a manutenção e fortalecimento do SUS, o titular da Saúde apontou o envelhecimento da população brasileira e as mudanças climáticas. Hoje, o SUS é o único meio de acesso à saúde para 70% dos idosos do país. Um número que deve aumentar nos próximos anos. “São idosos que dependem exclusivamente do SUS. Em paralelo, temos incrementos importantes de doenças que representam enormes desafios para o cuidado”, apontou Padilha. O AVC, por exemplo, foi responsável por 47,5 óbitos por cem mil habitantes em 2025. A hipertensão já afeta 29,7% da população. Há estimativa de 781 mil novos casos por ano de câncer no país. Outro tema que exige atenção é a saúde mental: houve incremento de 70% nos investimentos e crescimento de 333% do chamado transtorno do jogo.
No âmbito das mudanças climáticas, o desafio é duplo: lidar com novas doenças que surgem em territórios onde antes não existiam e reconstruir unidades de atendimento impactadas por catástrofes ambientais. “A crise climática é um problema sobretudo de saúde pública. É necessária a adaptação dos sistemas de saúde de todo o mundo. Para lidar com esses desafios, precisamos de uma reforma institucional da atenção especializada, reincorporar novas tecnologias aos diagnósticos, atendimentos e tratamentos, e derrotar o negacionismo”.

WhatsApp Image 2026 04 09 at 19.01.43 1Foto: Alessandro CostaAos 36 anos, o professor Mychael Lourenço reúne perfeitamente a intensidade de um jovem pesquisador com a profundidade acadêmica esperada para um veterano. Desde 2018 como docente do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ, ele se destaca pela excelência de suas pesquisas que se propõem a investigar a doença de Alzheimer. Seus resultados e abordagens repercutem internacionalmente desde os primeiros anos de sua atuação como docente da UFRJ.
Conheça um pouco mais sobre esse jovem pesquisador da universidade.

Em 2019, o professor fez parte da descoberta que associou o hormônio irisina — produzido pelos músculos e pelo cérebro com a prática de atividades físicas — à preservação dos neurônios contra o Alzheimer. O achado ganhou projeção em todo o mundo. “A irisina ajuda a proteger das transformações pelas quais o cérebro passa com a doença”, contou ao Jornal da AdUFRJ, em 2023. Naquele ano, ele foi citado como um dos 11 jovens cientistas mais relevantes do mundo em sua área. A lista foi divulgada pela revista Nature Medicine.
Representante de uma nova geração de professores, ele afirma que formar cientistas de diferentes perfis e trajetórias acadêmicas é fundamental para enriquecer as abordagens acadêmicas. “A diversidade na ciência torna as abordagens de pesquisa igualmente diversas. O olhar é diferente, as buscas por soluções são diversas. A ciência só tem a ganhar”, defende.
Ele também defende que o Brasil deve se debruçar mais sobre sua população. No caso do Alzheimer, a diversidade e a miscigenação populacional podem trazer achados muito diferentes na comparação com populações europeias, por exemplo. “Há uma série de marcadores ambientais de risco para o Alzheimer que, já sabemos, não se aplicam completamente para a população brasileira. Outros que só aparecem na nossa população. A nossa constituição populacional é uma joia muito preciosa para a ciência. Precisamos ter mais estudos focados nos brasileiros”.
O docente coordena o Laboratório de Neurociência Molecular (LourençoLab) e se destaca também por importantes atuações nacionais e internacionais. Ele é pesquisador de produtividade 2 do CNPq, Jovem Cientista do Nosso Estado da Faperj, membro da Academia Brasileira de Neurologia e integrante do Comitê de Programa da Society for Neuroscience (SfN), responsável por planejar e organizar o maior encontro de neurocientistas do mundo. Também atua como editor e revisor para diversos periódicos internacionais, entre eles o Brain Research e a Alzheimer’s Dementia.
Botafoguense de coração, o futebol e a música são suas duas outras grandes paixões, além da ciência. No dia a dia, os companheiros de trabalho relatam uma relação de generosidade, amizade e rigor acadêmico com os colegas. É o que atesta o professor Felipe Ribeiro, do Instituto de Bioquímica Médica. “Conheço o Mychael desde 2011, quando eu era da Iniciação Científica e ele já fazia mestrado. Ambos somos crias da UFRJ”, lembra. “Ele é um excelente colega e todos nós nos sentimos muito orgulhosos do prêmio que ele recebeu, porque também somos um pouco parte disso. É uma imensa alegria para todos nós poder compartilhar o dia a dia de trabalho com ele e também essa premiação”.
Andréa Tosta, pós-doutoranda do Laboratório de Neurociência Molecular, também é só elogios. “Eu conheci o professor Mychael durante meu doutorado da UFF e fico até sem palavras para falar sobre ele. É um pesquisador muito competente, absolutamente fora da curva”, diz. “Está sempre disponível para todos os colegas. É uma referência para mim. Está sendo muito importante para minha formação ter essa experiência de pós-doc aqui na UFRJ com ele”.
A professora Flávia Gomes, titular do Instituto de Ciências Biomédicas, também não poupa adjetivos para elogiar o colega. “Ele é um pesquisador jovem e muito completo quando pensamos no que é desejável para o perfil de um pesquisador. Mychael é muito sério e absolutamente criterioso na pesquisa, mas também se preocupa com outras áreas, como a formação de recursos humanos, e tem importante atuação na divulgação científica”, elenca. “Colaborei muitos anos com o grupo de pesquisa onde ele fez sua formação científica e tive oportunidade de vê-lo atuar como profissional não só na UFRJ, mas fora do Brasil, em conexões com sociedades científicas internacionais”, revela a professora. “É uma alegria tê-lo como professor da UFRJ”.

O Senado aprovou o fim da lista tríplice para a escolha de reitores de universidades federais em 10 de março. A partir da sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as comunidades universitárias terão autonomia para escolher o dirigente máximo da instituição.

O peso da votação dos docentes (70% em relação aos demais segmentos) também foi extinto na lei. Pelo projeto, o peso do voto de professores, técnicos e estudantes será definido por um conselho em cada universidade.

O relator do PL 5.874/2025 no Senado, Randolfe Rodrigues (PT-AP), destacou o caráter democrático da matéria: “O projeto garante que a comunidade universitária eleja o seu reitor e garanta a sua posse”, disse.

A comunidade acadêmica comemorou. “É o fim de uma prática antidemocrática e o reconhecimento da autonomia universitária, um dos pilares da educação pública brasileira”, declarou nas redes sociais a pró-reitora de Extensão da UFRJ, professora Ivana Bentes.

José Geraldo Ticianeli, presidente da Andifes, afirmou que a aprovação do projeto é um marco para as universidades federais. “A Associação Nacional dos Dirigentes do Ensino Superior celebra este momento como uma conquista da democracia, do diálogo institucional e do reconhecimento da vontade das universidades”.

Presidenta da AdUFRJ, a professora Ligia Bahia destacou a importância da medida. “É o reconhecimento de um princípio constitucional. Consagra o princípio da autonomia universitária. É uma importante conquista pela qual temos lutado por décadas”, avaliou a dirigente. “Agora, as universidades finalmente terão o direito de decidir sobre sua reitoria. Não é uma notícia irrelevante. Ao contrário, é algo fundamental para as instituições de ensino superior brasileiras”.

Tão fundamental que o jornal O Globo publicou um editorial contra a decisão do Senado. O texto apresentava desinformações sobre as universidades. A AdUFRJ criticou o editorial, apontando equívocos (veja a íntegra acima).

A lista tríplice deixa brechas para a nomeação de reitores que não foram eleitos pela comunidade universitária. Foi o que aconteceu com a UFRJ, em 1998. O professor Henrique Vilhena perdeu a eleição, mas foi nomeado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Mais de 20 instituições federais sofreram intervenção em suas reitorias sob a gestão Bolsonaro.

O fim da lista tríplice é parte do projeto de reestruturação de cargos do Serviço Público Federal. O PL prevê a criação de mais de 24 mil novos cargos. Desses, 3.800 de professores do MS e 9.587 do EBTT.

Aqui tem Professor. Esse é o lema da nova campanha de valorização das atividades docentes que a AdUFRJ vai lançar nos próximos dias. A ideia do projeto é mostrar as várias faces do trabalho de professoras e professores da UFRJ nos campi e nas unidades isoladas da universidade. Ao todo, 2.233 mulheres e 2.319 homens dão aulas, são gestores, pesquisam, produzem conhecimento, artes, cultura, ciência, formam, orientam e fazem história. Tudo com excelência, compromisso e dedicação, em um trabalho que atravessa gerações, há mais de um século. A campanha inclui peças voltadas para o público externo e interno, com windbanners, adesivos, reportagens, outdoors, cartazes, bolsas, cadernetas e muita disposição para mostrar e enaltecer o trabalho docente — veja algumas dessas peças. A UFRJ tem docentes que mudam o futuro. 

 

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WhatsApp Image 2026 03 19 at 13.32.21 1No próximo dia 26 de março, às 18h, será lançada a Rede Universitária Segurança Pública para Todos RJ (Artigo 5º), iniciativa que reúne instituições científicas em torno da construção de argumentos que norteiem a política de segurança pública do estado.

O objetivo da rede é a garantia de direitos humanos e a redução da violência no Rio de Janeiro, notadamente, a violência de Estado. O evento ocorre na sede do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), ao lado do campus Praia Vermelha da UFRJ.

Estão confirmadas as presenças do diretor do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), Marcio Portes de Albuquerque; o presidente da Fundação Oswaldo Cruz, Mário Moreira; e dos reitores Antonio Cláudio Lucas da Nóbrega (UFF), Gulnar Azevedo e Silva (Uerj), Roberto Medronho (UFRJ) e José da Costa Filho (Unirio), além de dirigentes de instituições científicas do RJ.
A iniciativa surgiu a partir de uma parceria entre a AdUFRJ, a SBPC, o CBPF e a Fiocruz. De caráter multidisciplinar, a Rede é formada por pesquisadores da UFRJ, PUC-Rio, Uerj, Fiocruz e UFF. A coordenação do evento será do professor Marcelo Burgos, e a apresentação ficará a cargo da professora Lígia Bahia, presidenta da AdUFRJ e uma das fundadoras da Rede.

Para Ligia, cabe também à academia pensar os problemas contemporâneos. “Para nós, a perspectiva de contribuir para uma abordagem racional sobre segurança pública é vital. Vivemos e trabalhamos no Rio”, afirma a pesquisadora, que é referência nacional em saúde coletiva.

Ela aponta as contradições da política pública de segurança que não resolve o tema da violência. Ao contrário, faz novas vítimas a cada dia. “A fórmula matar e deixar morrer fracassou sucessivamente, mas segue orientando as políticas públicas”, diz. “A pesquisa tem o que dizer, há alternativas não letais de combate ao crime”, conclui a presidenta da AdUFRJ.

Para o diretor do CBPF, Marcio Portes de Albuquerque, a iniciativa é agregadora. “As instituições de pesquisa acreditam que o conhecimento produzido pela ciência é capaz de transformar realidades. Nesse esforço, nosso apoio reforça a importância de colocar a ciência a serviço da sociedade”, diz.

Ele concorda que as instituições de pesquisa são fundamentais para formular políticas. “Utilizar dados, informações e saberes construídos pela academia e por métodos científicos ao longo dos anos é um caminho sólido e viável para propor e desenvolver ações de segurança pública que permitam mudar a realidade que vivemos cotidianamente”, conclui.

Presidente da Fiocruz, o pesquisador Mario Moreira lembra que a segurança pública, assim como a saúde, é um desafio complexo "que exige compromisso com a vida, com os direitos e com políticas baseadas em evidências". "Temos urgência de uma abordagem orientada pela prevenção e pela proteção da vida. Diante desse cenário, a criação desta Rede reafirma o papel da ciência, da universidade pública e das instituições de pesquisa na defesa da paz.”

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