Accessibility Tools
Com 37 votos favoráveis, 22 contrários e cinco abstenções, o 14º Conad Extraordinário do Andes — reunido em Brasília nos dias 12 e 13 de novembro — aprovou a proposta de desfiliação da entidade da central sindical CSP-Conlutas. A proposta será debatida e terá deliberação final no 41º Congresso do sindicato nacional, em Rio Branco (AC), entre os dias 6 e 10 de fevereiro.
As principais críticas dos favoráveis à saída da CSP-Conlutas tratam do sectarismo da frente sindical e da sua posição diante do golpe contra a presidente Dilma Rousseff em 2016 (quando a CSP defendeu o “fora, todos”), a negativa em apoiar a candidatura de Fernando Haddad contra Jair Bolsonaro, nas eleições presidenciais de 2018, e até mesmo uma defesa da prisão de Lula, também em 2018, feita por um representante da frente à época.
“O Conad veio em um momento muito importante, porque estamos nessa discussão desde 2016, quando ficou claro o posicionamento da CSP-Conlutas. Hoje eles estão na mesma posição. Não conseguem entender as pautas que temos como professores e como classe trabalhadora”, avaliou a professora Elisa Guaraná, presidente da Adur-RJ, a associação dos docentes da Rural do Rio, e integrante do Renova Andes, grupo de oposição à atual diretoria do sindicato nacional.
Para Elisa, a decisão tomada no Conad é também histórica, mesmo que ainda tenha que ser referendada pelo Congresso do Andes. “Chegamos aqui, em um momento pós-eleição do Lula, colocando a importância de a gente continuar muito mobilizado e organizado. E é exatamente por isso que esse tema é tão central. Precisamos conseguir efetivamente nos articular com o Fórum Nacional Popular de Educação e com tantas organizações e entidades das quais nos afastamos por conta de um sectarismo da linha estreita que governa o nosso sindicato”, explicou.
O Renova Andes foi um dos grupos que apresentou um texto de resolução sustentando a saída da CSP-Conlutas, mas não foi o único. Outros quatro textos propunham a saída imediata da CSP, como no caso dos TRs apresentados pela Asduerj e por professores da Unidade Classista, corrente sindical ligada ao PCB. O Sindoif, seção sindical do IFRS, também apresentou um texto no mesmo sentido.
A própria diretoria do Andes apresentou um texto em que faz o balanço da atuação da CSP-Conlutas nos últimos dez anos, conforme deliberado no 39º Congresso, e com a indicação de desfiliação para o 41º Congresso. O TR tem trechos em que critica o posicionamento da central. “Sucessivos erros de avaliação da conjuntura nacional marcaram indelevelmente a central, levando-a a uma posição de isolamento político e sindical. A central não teve capacidade de rever seus erros e aprofundou um discurso ‘esquerdista’ que de fato levava água para o moinho dos setores direitistas”, diz o texto, além de apontar que a CSP não consegue mais “agregar setores do bloco proletário e popular nas lutas concretas em curso”.
Os rumores de que a diretoria do sindicato estava dividida diante do tema circulavam pelo Conad e eram mencionados em falas durante o debate, o que gerou uma resposta da diretora Rosineide Freitas, 2ª vice-presidente da Regional Rio de Janeiro. “Nós tivemos responsabilidade, colocamos a realidade dos estados, pensamos o acumulado de outras diretorias com relação ao balanço e enfrentamos de forma fraterna, mas não menos complexa, este debate. Mas no que nos detemos, e foi muito central, foi no nosso texto de balanço”, disse a diretora.
CRÍTICAS AO MÉTODO
Em sua fala, a professora Mayra Goulart, vice-presidente da AdUFRJ, criticou o método de discussão do Conad. “Eu me dirijo a um plenário cansado de uma manhã inteira já depois de um dia inteiro de deliberação, e o método de deliberação tem como resultado a exclusão. Deliberamos de uma maneira que exclui qualquer professor que está fora desse ambiente sindical, qualquer professor que não tem disposição de ficar doze horas discutindo sobre um assunto sobre o qual já fomos informados e discutimos amplamente. Esse é um sindicato só para sindicalista, porque quem não é sindicalista já treinado, não consegue participar”, criticou.
Mayra também apontou o principal problema de manter o Andes filiado à CSP. “A Conlutas tem adotado uma posição sectária diante dos grandes processos que vivemos nos últimos anos, por considerar que governos de coalizão são uma traição aos reais interesses do proletariado, sem compreender que o mesmo não existe mais (se é que já existiu), enquanto categoria homogênea. Então aqueles que, como eu, são favoráveis a governos de coalizão, em virtude da sua maior capacidade de lidar com a natureza plural da sociedade, e que entendem que governos assim precisam de atores progressistas para movimentar essa coalizão em prol das categorias não hegemônicas, são a favor de uma central sindical e de um sindicato que estejam dispostos a cumprir a missão de participar dos processos políticos. Isso não fere a nossa autonomia. Pelo contrário, faz com que ela deixe de ser uma bandeira vazia e se torne um instrumento de luta”, defendeu a professora.
Na avaliação da vice-presidente da AdUFRJ, a votação do Conad mostra que há espaço para a ampliação, dentro do Andes, de um grupo que abarque a pluralidade necessária para a atual conjuntura, especialmente considerando as eleições para o sindicato nacional, que acontecem no ano que vem. “O Renova tem potencial para abarcar essas visões mais plurais, uma chapa de coalizão que faça oposição à visão sectária da atual diretoria”, afirmou.
A professora da UFRJ Marinalva Oliveira, ex-presidente do Andes, defende a manutenção da filiação à CSP-Conlutas. “O neofascismo, a ultradireita estão na rua, nós vamos ter um governo que foi eleito, e temos que garantir a posse deste governo, e também garantir que esse governo atenda às reivindicações da Educação Superior, que nos últimos anos foi extremamente prejudicada com os cortes de recursos”, defendeu.
Para Marinalva, a unidade é importante neste momento. “Independentemente de como essa conjuntura se desenrolar até o Congresso de fevereiro, será um erro gravíssimo aprovar a desfiliação de uma central justamente no momento em que precisamos unificar. Não estou dizendo que não há erros na central que precisamos corrigir, mas erros não justificam a desfiliação. Erros justificam fazer o debate pela base para fortalecer e corrigir os rumos”, disse a professora. Para ela, o debate central agora deve ser feito pela unidade em torno da recomposição do orçamento das universidades.
Demolir as ruínas do Canecão e os muros próximos e, no lugar, abrir uma praça e instalar um equipamento cultural multiuso sofisticado. A proposta da reitoria, apresentada em agosto ao Conselho Universitário, modifica completamente a atual paisagem do campus da UFRJ na Zona Sul da cidade.
O local terá espaço para 1.786 lugares na modalidade “teatro”, e 3.829 no formato “show”. Neste caso, os espectadores da plateia principal, localizada no térreo, permanecem em pé. A universidade teria direito ao uso do palco principal por 50 dias no ano.
A área também deverá possuir um espaço cultural flexível denominado Espaço Ziraldo, concebido com o objetivo de suprir demandas artísticas e culturais (música, dança, exposições) de produção da UFRJ ou compartilhadas, especialmente as de caráter acadêmico. Além disso, viabilizará a preservação e observação pública do fragmento restante da obra “Santa Ceia” do artista homenageado. Hoje, o painel sofre deterioração no interior do Canecão.
CONTRAPARTIDAS
A gestão da nova casa de shows será privada, em uma concessão por 30 anos. Em contrapartida, quem adquirir o direito de gerir o espaço multiuso deverá investir na construção de um bandejão, com capacidade para 2,5 mil refeições por dia, e um prédio de 8 mil m2, com até 80 salas de aula.
O restaurante deverá ficar nas imediações da nova casa de shows. Já para o prédio de aulas, há duas possibilidades: a primeira seria construí-lo no centro do campus. O problema é que no local hoje existem o atual aulário de contêineres, o anexo do Centro de Filosofia e Ciências Humanas, a garagem e o antigo prédio da Associação Latino-Americana de Física. Todos precisariam ser demolidos, o que desalojaria unidades como a Biblioteca do CFCH e o NEPP-DH. Outra alternativa discutida é utilizar a área do antigo bingo para a construção do prédio.
O “Novo Canecão” deverá ter 20 metros de altura desde a base do solo para comportar óperas ou concertos, o que repercutiu no gabarito da região, que antes limitava as edificações a 20 metros de altura a partir da lâmina d’água, que está a cerca de dois metros abaixo do nível do terreno.
HISTÓRICO
O projeto de valorização do patrimônio da UFRJ nasceu em 2018, ainda na gestão do professor Roberto Leher, mas foi bastante modificado pela atual administração da universidade. A Praia Vermelha não entra mais como um ativo. Também foram retirados todos os onze terrenos do Fundão que seriam destinados à iniciativa privada e não há hipótese de demolição do Instituto de Psiquiatria.
21 de novembro de 1950
União cede área em favor da Associação dos Servidores Civis do Brasil (ASCB)
23 de setembro de 1965
ASCB celebra contrato com a Canecão Promoções e Espetáculos Teatrais S/A para a construção de um imóvel no local
28 de fevereiro de 1967
Doação de terreno à UFRJ de área anteriormente cedida à ASCB
28 de junho de 1967
Ignorando a devolução do terreno à UFRJ, é inaugurada cervejaria no espaço. Daí o nome "Canecão"
1968
Transformação em casa de espetáculos, com construção de palco para shows de revista
9 de maio de 1969
Maysa faz o primeiro grande show do Canecão
1971
Primeira ação reivindicatória movida pela universidade contra o Canecão
7 de outubro de 1999
Lei estadual determina tombamento da casa de espetáculos
10 de maio de 2010
A propriedade foi retomada pela UFRJ
17 de maio de 2010
Casa foi reaberta por liminar judicial que devolveu a posse provisória ao antigo inquilino
26 de maio de 2010
STF confirmou que a UFRJ é a dona do terreno
16 de outubro de 2010
Bibi Ferreira realiza o último espetáculo do Canecão
17 de outubro de 2010
Casa de espetáculos fecha as portas definitivamente
2018
Apresentação do projeto Viva UFRJ, que prevê como uma das contrapartidas a construção de um espaço cultural no lugar do Canecão
4 de junho de 2019
Canecão é destombado
25 de agosto de 2022
Apresentação, no Consuni, do projeto do espaço cultural multiuso



O Conselho Universitário do dia 27 deu início ao processo de escolha da reitoria, no próximo ano.
Os conselheiros aprovaram a resolução que define a constituição e objetivos da Comissão Coordenadora da Pesquisa junto ao corpo social para os cargos de reitor e vice-reitor.
Serão 11 representantes titulares dos colegiados superiores — sendo quatro do Consuni, dois do CEG, dois do CEPG, dois do Conselho de Extensão e um do Conselho de Curadores —, além de nove nomes de cada segmento (professores, técnicos e estudantes).
O Consuni já indicou seus representantes na comissão: os professores Eduardo Mach (titular), Clynton Lourenço (suplente), Carlos Riehl (titular) e Leonardo Cinelli (suplente); as estudantes Natália Trindade (titular) e Júlia Vilhena (suplente); e as técnicas Gilda Sousa (titular) e Ana Célia (suplente).
HOMENAGEM A PINGUELLI
Em mais uma homenagem ao ex-presidente da AdUFRJ e ex-diretor da Coppe, o Consuni do dia 27 aprovou que o Parque Tecnológico da UFRJ passe a se chamar Luiz Pinguelli Rosa. Não haverá mudança na logomarca. Pinguelli faleceu em março deste ano.
Os atos bolsonaristas antidemocráticos interromperam um trabalho de campo do Instituto de Geociências da UFRJ. Trinta estudantes e três professores, que estavam a caminho de Uberaba (MG) em um ônibus e uma van, foram bloqueados na Rodovia Presidente Dutra, em Barra Mansa (RJ), na segunda (31). Hostilizado pelos bolsonaristas, o grupo desistiu de seguir viagem e retornou à universidade no dia seguinte (foto). Em nota, a reitoria repudiou o triste episódio e se solidarizou com os docentes, alunos, motoristas e seus familiares.
Reunidos em assembleia na sexta-feira (21), os professores da UFRJ referendaram a proposta da diretoria da AdUFRJ para dar início a uma nova campanha de filiação ao sindicato. Entre outros mecanismos de adesão, a proposta prevê um período de dois anos de carência, sem pagamento de mensalidade, para novos filiados que estejam enquadrados até o nível de professor adjunto.
A professora Mayra Goulart, vice-presidente da AdUFRJ, observou que há atualmente 4.242 docentes na UFRJ, sendo cerca de 1.300 não filiados, que estão desprotegidos sob vários aspectos: “Teremos um Congresso muito conservador, que vê na universidade pública um inimigo preferencial. Vamos precisar estar juntos e sindicalizados”.
Pela proposta, após os dois anos iniciais de carência, o novo filiado contribuiria com um percentual de 0,4% dos vencimentos a partir do terceiro e até o quarto ano de filiação. Ao final do quarto ano, ele passaria a colaborar com a contribuição cheia de 0,8%.
O professor Gustavo Costa de Souza, do Ippur, sugeriu um adendo à proposta. Recém-ingresso na UFRJ, ele ponderou que os professores novos e que se filiaram recentemente também poderiam ter direito à carência nas mensalidades. Em nome da diretoria, o presidente da AdUFRJ, professor João Torres, informou que a proposta incorporaria a sugestão do professor Gustavo.
A assembleia definiu os nomes da delegação da AdUFRJ ao 14º Conad Extraordinário do Andes, nos dias 12 e 13 de novembro, em Brasília. A delegada será a professora Mayra Goulart e os observadores/suplentes serão: Eleonora Ziller, Ana Lucia Fernandes, Marinalva Oliveira, Cleusa dos Santos, Luís Acosta e Janete Luzia Leite.