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FSOU9481Foto: Fernando Souza/AdUFRJForam inauguradas nesta sexta-feira (18) as instalações do Centro Nacional para a Identificação Molecular do Pescado (Cenimp), que fazem parte do Instituto de Biologia da UFRJ. Construído com recursos dos ministérios da Pesca e Aquicultura (MPA) e da Agricultura e Pecuária (MAPA), do CNPq e da Faperj, o Cenimp tem entre seus objetivos a pesquisa e o desenvolvimento em metodologias para análises genéticas de pescado e em aquicultura. O novo centro de pesquisa ocupa um espaço próprio de 400 metros quadrados e já conta com o maior banco de sequências de DNA de pescado da América Latina. Esse banco permite a identificação precisa de amostras de pescado mesmo quando processadas — na forma de filés — ou altamente processadas, como em bolinhos.

A Faculdade Nacional de Direito reparou o erro cometido em julho do ano passado quando negou a indicação do advogado, escritor e artista Nei Lopes ao título de Doutor Honoris Causa. A Congregação da unidade voltou a se reunir e aprovou a indicação do ex-aluno da FND. Lopes tem vasta produção na área de culturas africanas, é também compositor, cantor e ativista do movimento negro. Desta vez, o pedido chegou ao Conselho Universitário, que aprovou a indicação por unanimidade e sob forte aplauso. Decano do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas, o professor Flávio Martins comemorou a aprovação. “Entra aqui em discussão qual modelo do Direito e de universidade que queremos. Se é um modelo extremamente formalista, tecnicista, ou se é um modelo mais abrangente”, disse. “Nei Lopes é um ex-aluno nosso, um advogado e destaca-se em outras áreas culturais e políticas, inclusive na defesa da ancestralidade da cultura de matriz africana no nosso país”, afirmou o decano. Nei Lopes também foi condecorado pelas federais do Rio Grande do Sul e Rural do Rio de Janeiro, além da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Além dos sucessivos recordes de desmatamento na Amazônia ou de liberação de armas de fogo, entre outras destruições, o governo Bolsonaro alcançou mais uma marca difícil de ser batida: em três anos de mandato, liberou mais de 1.500 novos agrotóxicos no Brasil. Dez por semana, em média. Mas pode piorar. Na semana passada, a Câmara aprovou, por 301 votos a favor e 150 contra, o projeto de lei (PL) 6.299/02, que tramita desde 2002 no Congresso e que altera a legislação sobre o tema no Brasil, revogando a Lei dos Agrotóxicos (Lei 7.802/89). Chamado de “Lei do Alimento Mais Seguro” pela bancada ruralista e pelo agronegócio, o projeto foi batizado pelos críticos como “PL do Veneno”, e ainda terá de passar pelo crivo do Senado, onde deverá sofrer forte resistência.

Entre outras mudanças, o PL 6.299 exclui do processo decisório para aprovação de novos agrotóxicos o Ministério da Saúde, o Ibama e a Anvisa, concentrando a decisão no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Os demais órgãos podem emitir pareceres nos processos de aprovação, mas não têm mais poder de veto. “Esses pareceres podem ser ignorados. Fazer análise, mas sem poder de veto? A centralização da aprovação no Mapa, excluindo as áreas de Saúde e Meio Ambiente, mostra que os interesses econômicos devem prevalecer. Com todo o respeito, é colocar a raposa para tomar conta do galinheiro”, compara o toxicologista e epidemiologista ambiental Armando Meyer, doutor em Saúde Pública e professor do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da UFRJ.

CRÍTICAS SEVERAS
O Brasil encerrou 2021 com 562 agrotóxicos liberados, o maior número da série histórica iniciada em 2000 pelo Mapa. A escalada se acentuou a partir de 2016, nos governos Temer e Bolsonaro. Para o deputado estadual Carlos Minc (PSB-RJ), ex-ministro do Meio Ambiente (MMA), o PL 6.299 abre precedentes para que essa escalada avance ainda mais. “É um retrocesso terrível. O governo Bolsonaro liberou mais de 1.500 agrotóxicos, a maior parte dos quais proibida ou com fortes restrições na Europa e nos Estados Unidos. Estamos importando venenos que são rejeitados lá fora, virando uma lata de lixo químico. Estão desovando aqui o que não podem vender lá”, avalia Minc.

O ex-ministro do Meio Ambiente lembra que, de 2008 a 2010, quando esteve à frente da pasta, conseguiu banir 19 agrotóxicos do mercado nacional, em parceria com o então ministro da Saúde, José Gomes Temporão. A duras penas. “Eram princípios ativos que já tinham sérias restrições ou estavam proibidos na Europa, e para os quais tínhamos substitutivos eficazes e viáveis economicamente. Foi uma guerra. Para cada processo, setores da bancada ruralista ou das empresas químicas entravam com ações contra os analistas do Ibama e do MMA que atestavam que esses princípios ativos eram prejudiciais”, recorda o ex-ministro.

A concentração de poderes nas mãos do Mapa é também criticada pelo doutor em Ciências Biológicas João Paulo Machado Torres, professor do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho (IBCCF/UFRJ): “A mudança é péssima”, diz. Ele chama a atenção para outra alteração prevista no projeto, segundo a qual também fica só por conta do Mapa a reanálise do registro de produtos, e apenas quando solicitada por organização internacional. “É um claro retrocesso”, define o professor. Foi por meio de solicitações de reanálise que a Anvisa proibiu (em parecer conjunto com a Fiocruz), em 2020, o uso do paraquate, agrotóxico associado à doença de Parkinson e até então largamente usado na cultura da soja.

RISCOS À SAÚDE
O PL 6.299 tem outras alterações preocupantes. Ele prevê que a vedação da importação e produção de agrotóxicos se restrinja ao termo generalista de “riscos inaceitáveis”. A legislação atual define a proibição para agrotóxicos que tenham características teratogênicas, carcinogênicas, mutagênicas e causem distúrbios hormonais e danos ao aparelho reprodutor. “O projeto permite que venenos considerados medianamente cancerígenos possam ser licenciados. É o poço mais profundo do obscurantismo e da agressão à saúde. E também introduz quase um autolicenciamento, porque se o produto não for aprovado em tantos dias está previamente aprovado até ordem em contrário”, critica o ex-ministro Carlos Minc.

O professor Armando Meyer estuda há anos os efeitos dos agrotóxicos sobre a saúde humana e faz alertas importantes. “Os seres humanos guardam diversas similaridades biológicas com os organismos que são alvos dessas substâncias, como os insetos. A dose que usamos para matar os insetos não vai nos matar. Mas, gradativamente e continuamente, vai causando alterações nos processos biológicos que nós temos em comum com os insetos. Um exemplo é o sistema nervoso. Todos os inseticidas matam os insetos através da desregulação de uma via bioquímica qualquer do sistema nervoso central deles. Os seres humanos também têm essas vias. Então, essas substâncias atuam sobre o sistema nervoso central dos seres humanos, causando danos muito importantes”.

Meyer fez vários estudos relacionando o uso de agrotóxicos no Brasil e a mortalidade por câncer. “Existe uma relação estatística significativa entre esse uso e o aumento do risco da mortalidade por diversos tipos de câncer. É bastante preocupante do ponto de vista da saúde pública”, adverte.

Já em 2018, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SPBC) ressaltava os malefícios à saúde embutidos no PL 6.299. “A SBPC se manifestou firmemente contra a aprovação desse PL, posição que sustenta até hoje”, recorda o físico Ildeu de Castro Moreira, professor do Instituto de Física da UFRJ e presidente da SBPC à ocasião. Na carta por ele assinada em em 22 de maio de 2018, a SBPC destacou alguns dos malefícios: “Dentre os efeitos sobre a saúde humana associados à exposição aos agrotóxicos, os mais preocupantes são as intoxicações crônicas, caracterizadas por infertilidade, impotência, abortos, malformações, neurotoxicidade, manifestadas através de distúrbios cognitivos e comportamentais, e quadros de neuropatia e desregulação hormonal”.

PRESSÃO NO SENADO
Se o PL do Veneno passou como um trator pela Câmara, o mesmo não se pode prever para o Senado. Além de um maior equilíbrio de forças entre a base do governo e a oposição, a pressão da sociedade civil sobre o Senado deverá ser bem mais forte do que foi na Câmara. O presidente da Casa, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), já afirmou que o trâmite da proposta não terá “nenhuma especificidade”.

Vários senadores de oposição já se manifestaram contra o PL. A senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) classificou-o como “nocivo ao meio ambiente, à saúde e à economia brasileira”. Em suas redes sociais, o senador Fabiano Contarato (PT-ES) fez duras críticas: “Somos contra essa tragédia do pacote do veneno. Está em risco a saúde de quem consome os produtos intoxicados por esses venenos, e os recursos naturais ficam extremamente contaminados — da terra à água”, postou. Na mesma linha se manifestou a senadora Zenaide Maia (Pros-RN): “Além de envenenar alimentos, poluir o solo e contaminar a água, as multinacionais que enriquecem com a venda de agrotóxicos ainda são premiadas, no Brasil, com generosas isenções de impostos! É isso o que queremos para o nosso país?”, questionou.

A SBPC se prepara para uma ofensiva no Senado, de acordo com Luciana Barbosa, coordenadora do Grupo de Trabalho de Meio Ambiente da entidade e pesquisadora do Departamento de Fitotecnia e Ciências Ambientais da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). “A SBPC vai se manifestar com um parecer do grupo de trabalho de Meio Ambiente, levantando os pontos negativos do PL, que são muitos. O risco da liberação desses agrotóxicos é grande. Alguns têm substâncias associadas à incidência de alguns tipos de câncer, ou a distúrbios reprodutivos e hormonais, e vários são proibidos na União Europeia. Essa liberação crescente de agrotóxicos não me parece justificável ou racional”, avalia Luciana.

Uma das primeiras resistências no Senado virá da Comissão de Meio Ambiente, presidida pelo senador Jaques Wagner (PT-BA). Segundo ele, o PL “será um desastre para o Brasil, do ponto de vista ambiental e também econômico”. Wagner é autor do PL 3.668/21, que trata da pesquisa, experimentação e incentivos à produção de bioinsumos para agricultura — oriundos de substâncias de natureza vegetal, animal, microbiana e mineral, e destinados ao uso na produção, no armazenamento ou no beneficiamento de produtos agrícolas e florestais. São uma alternativa ao uso dos agrotóxicos, termo que, aliás, o PL 6.299 propõe alterar para “pesticidas e produtos de controle ambiental e afins”. Pelo tanto de retrocesso que representa, o PL bem poderia defender a manutenção do termo agrotóxico, ou sugerir outro, tão simples quanto adequado: veneno.

Para quem estuda o desenvolvimento urbano brasileiro, não basta pensar em medidas pontuais para evitar tragédias como a que aconteceu em Petrópolis. É preciso retomar uma política de planejamento das cidades. Quem defende esta posição é o professor Luiz Cesar de Queiroz Ribeiro, do IPPUR/UFRJ. “A Constituição de 1988 estabelece os princípios de planejamento e de reforma urbana, obrigando que a cidade pratique uma gestão baseada nesses princípios, traduzidos nos planos diretores e nas leis de planejamento urbano. Mas esse projeto acabou sendo derrotado na sociedade brasileira”, explicou o professor.

A derrota do projeto de planejamento urbano proposto pela Constituição de 1988, na avaliação do professor, levou a um modelo que privilegia os interesses econômicos de grandes agentes. “As cidades são também os lugares onde se organizam os blocos de poder que dirigem o nosso desenvolvimento capitalista. Os interesses econômicos e políticos têm uma importância muito grande na gestão do planejamento urbano como negócio e como moeda política”, avaliou.

Luiz Cesar é também coordenador do Observatório das Metrópoles, que reúne pesquisadores de 16 capitais do Brasil pensando os desafios do planejamento urbano no contexto social, econômico e político do país. “Estamos preparando um trabalho, para ficar pronto este ano, com um diagnóstico com as 16 metrópoles onde estamos, com propostas que retomem esses princípios e instrumentos da reforma urbana”, contou o professor. Algumas ações que ele citou como exemplo são um maior controle do uso e ocupação do solo, restrição do uso das áreas de encostas e de preservação ambiental, além de políticas de ampliação do acesso à moradia. “Precisamos de uma política habitacional de massa, para dar alternativa àqueles que não têm acesso à habitação pelo mercado”. (Lucas Abreu)

WhatsApp Image 2022 02 25 at 22.41.47Artigo
LUIZ CESAR DE QUEIROZ RIBEIRO
Professor do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR) da UFRJ
e coordenador do Observatório das Metrópoles

Devemos, na medida do possível, procurar atuar na desconstrução da narrativa do senso comum presente na mídia baseada na suposição da “desordem urbana” como a causa dos tantos desastres urbanos que têm ocorrido: Petrópolis (RJ), Franco da Rocha (SP), Belo Horizonte, sul da Bahia.

Estamos assistindo às consequências trágicas de uma ordem urbana fundada no laissez-faire do mercado, do mandonismo urbano e da estrutural desinstitucionalização e desestatização dos governos municipais. A gramática do governo das emergências substituiu a gramática do planejamento, dos planos diretores e das leis de desenvolvimento urbano. A burocracia profissional na gestão das cidades foi desprestigiada e deslocada para abrir espaço para o governo direto pelas forças e interesses do mercado e patronagem urbana.

A adoção do governo das emergências é mais rentável eleitoralmente que o pouco visível governo do planejamento e da norma. Gera votos, alimenta clientelas eleitorais e incentiva financiamento de campanha, além de legitimar narrativas salvacionistas. Imaginem o rendimento político alcançado pelos donos do poder, prefeitos, governadores e até o presidente, ao aparecerem na grande imprensa e nas telas dos jornais nacionais com o colete das “defesas civis” e apresentando as “soluções salvadoras”!

Enquanto isto, vemos o que não foi feito para preparar antecipadamente as cidades para atravessarem estes eventos extremos do clima. A evidência deste padrão de governo das emergências como prática consciente dos donos do poder: a gestão de Cláudio Castro (PL), governador do Rio, gastou apenas metade do previsto em prevenção de tragédias no Rio de Janeiro. Segundo matéria da Folha de São Paulo com dados do Portal da Transparência, apenas 47% do valor previsto em orçamento para ser gasto em 2021 no programa de prevenção e resposta a desastres foi de fato empenhado. Em 2013, o então governador Sergio Cabral (PMDB) investiu apenas 37% da verba destinada a obras na Serra e na Baixada — dos R$ 4 bilhões disponíveis, apenas R$ 1,5 bilhão foi efetivamente usado em obras, segundo a Revista Veja. Isso tudo mesmo com o conhecimento das tragédias anteriores ocorridas na Região Serrana, como a que ocorreu em 2011 e afetou os municípios de Nova Friburgo, Teresópolis, Petrópolis, Sumidouro e São José do Vale do Rio Preto, resultando em mais de 900 mortos e 100 desaparecidos, além das 35 mil pessoas que perderam suas casas ou tiveram que sair por conta do risco de desabamento.

Estes são desfechos esperados da nossa ordem urbana.

Beatriz Coutinho e Lucas Abreu

 

Depois de escapar com vida de uma infecção pela covid-19, o que pode acontecer com o paciente? Que sequelas ele poderá ter? Para aprofundar essa questão, o Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade (Nupem/UFRJ), do campus Macaé, e o Centro de Acolhimento e Reabilitação Pós-Covid (Carp), da prefeitura da cidade do norte fluminense, iniciaram em janeiro a pesquisa “Epidemiologia das afecções pulmonares e neurocognitivas pós-covid nos munícipes de Macaé”. Com uma equipe composta por 23 pessoas e financiada pela Faperj, a pesquisa tem duração prevista de três anos e estimativa de monitorar entre 200 e 500 pessoas. O foco principal são as sequelas renais, respiratórias e neurológicas deixadas pela doença que já matou mais de 635 mil brasileiros.

“Nos chamavam a atenção diversos distúrbios que os pacientes relatavam pós-covid. Alguns apareciam logo após a infecção e outros só seis, doze meses depois”, explicaWhatsApp Image 2022 02 08 at 15.58.331 a neurocientista Cintia Monteiro, professora da UFRJ e coordenadora do projeto. A pesquisa é uma consequência do trabalho de testagem, rastreamento do genoma do vírus, monitoramento da imunidade após infecção e acompanhamento da eficácia da vacinação que vem sendo realizado desde o começo da pandemia pelo Nupem. Alguns dados desse trabalho, ainda em curso, servem de base para a pesquisa atual.

“Passamos questionários perguntando aos voluntários das últimas pesquisas para saber se eles tiveram algum tipo de afecção, convidando para o novo projeto”, detalha a coordenadora. “Quando a resposta era ‘sim’, eles retornavam ao Nupem ou ao Carp para realizar a coleta de sangue”. Para ser voluntário não é necessário ter participado das pesquisas anteriores, nem residir em Macaé. “Aceitamos todos que queiram participar”, diz Cintia. Com duas semanas apenas, o projeto já soma 15 pessoas no time de voluntários.

A pesquisa pode ter um grande impacto social. Com o diagnóstico precoce e eficaz e o mapeamento dessas afecções, a gravidade e o número de mortes pode diminuir. “É bom para a população e poupa dinheiro público com medicação e internação”, pontua Cintia. A princípio, a ideia é fazer três coletas de sangue e testes complementares nos próximos três meses, e depois observar. “Caso os sintomas persistam, pretendemos ter uma avaliação mais adiante, talvez seis meses depois ou até um ano”, estipula. Apesar das conquistas, a coordenadora acredita que o trabalho poderia ter começado mais cedo. “Perdemos muitas informações de afecções que não foram mapeadas em 2020 e 2021. Muitas não eram nem relacionadas ao coronavírus”, lamenta.

Minuciosa, a pesquisa parte de diversos métodos de análises. “Temos uma ideia de estudar o sistema imunológico através da análise de produção de citocinas e anticorpos relacionados ao coronavírus, ambos marcadores inflamatórios”, explica a neurocientista, que questiona por que algumas pessoas desenvolvem afecções e outras, não. O grupo também faz investigações cruzadas, herança da última pesquisa de mapeamento de genomas, procurando relações entre as afecções e as variantes. “Como as variantes têm sintomas diferentes, pode ser que cada uma possa levar a afecções diferentes, ou não. Vamos investigar”.  

A investigação vai ser feita a partir de biomarcadores. Caso o paciente ateste algum sintoma neurológico, por exemplo, serão buscados biomarcadores neurais no sangue. “Existem proteínas que só são encontradas no nosso cérebro. Quando há algum dano no sistema nervoso, essas proteínas podem vir a cair na circulação sanguínea. Isso pode ser um indicador”, explica Cintia. Antes, é realizado um teste para medir a memória e a concentração do paciente e, para complementar, pode ser feito um encefalograma. Se os sintomas forem pulmonares, é realizada uma espirometria, exame que indica o quanto está comprometida a respiração. Se for renal, a busca é por biomarcadores renais na urina.

Todos os voluntários realizarão coleta de sangue, mas somente os que apresentarem os três distúrbios mencionados terão seus exames aprofundados. “Não temos profissionais qualificados em quantidade o suficiente para avaliar todos os problemas. Fazer de todo mundo demandaria uma equipe maior”, desabafa Cintia. Para ela, a centralização das atividades no Carp, onde a equipe do Nupem envolvida no estudo está trabalhando, aumenta a adesão da população e garante o seu retorno.

 “A parceria com o Nupem é um investimento na saúde”, explica Nichollas Augusto, idealizador e coordenador do Carp. Ele também entende que há necessidade de tratar a questão da covid-19 como um todo, inclusive o momento depois da infecção, e destaca que todos os profissionais atuam com base na literatura científica. “A universidade deve participar do tratamento. Foi um casamento, unindo o útil ao agradável, saúde e ciência”, destaca. O Carp tem uma taxa de resolução de até 84% dos casos, e foi fundado, em novembro do ano passado, para otimizar recursos físicos, financeiros e humanos.

Graziele Sousa é pesquisadora voluntária no Nupem desde abril de 2020, e agora atua na pesquisa dos efeitos do pós-covid. “No início, nosso intuito era a parte mais clínica do diagnóstico, do isolamento e da testagem”, conta. Com a chegada de outros testes, o grupo se voltou para a pesquisa. “A pessoa contraiu covid, mas e agora?”, perguntava o grupo, que via cerca de 50% a 80% dos pacientes apresentando sequelas. “A importância está nesse trabalho multidisciplinar de procurar saber como ajudar essa pessoa”, conclui Graziele, que não recebe bolsa. “Faço pelo bem do próximo. O governo investiu em mim da graduação ao doutorado, então quero retribuir para a sociedade o que eu aprendi”, conta, orgulhosa.  

Para o professor Rodrigo Nunes da Fonseca, a pesquisa é mais um resultado positivo da parceria estabelecida entre o instituto e a prefeitura de Macaé. “O Nupem tem mais de 30 anos de parceria com a prefeitura, contribuindo com os variados temas de interesse da sociedade macaense”, exalta Rodrigo. O professor também celebra os ganhos que a parceria oferece para a sociedade, para a população da cidade e para a UFRJ Macaé. “Dentre os principais resultados da parceria está a geração do conhecimento e, claro, o treinamento dos alunos que futuramente serão profissionais de saúde”, diz.

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