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Um acordo mínimo em relação às medidas de combate à pandemia da Covid-19 pode canalizar as insatisfações de diferentes matizes ideológicas contra o atual governo. É o que indica a troca de ideias entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B-MA) e o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, promovida pela Coppe, no domingo (7).
No foco, a defesa do Sistema Único de Saúde, a renda mínima e o respeito ao pacto federativo. O debate virtual recebeu mais de 47 mil visualizações e 5,7 mil comentários do público. “A pandemia coloca acima de tudo a questão da saúde”, avaliou o mediador do debate, professor Luiz Pinguelli Rosa.
“A pandemia deixa expostas as fraturas da nossa sociedade, as más condições sociais que aprendemos a tolerar, conviver e, de alguma forma, incentivar a existência”, considerou o Ministro do Supremo, Gilmar Mendes. Como exemplo, ele destacou as “péssimas condições sanitárias” da população mais pobre e a “insuficiência dos cadastros” do Executivo. “São os invisíveis que, de tão pobres, se perderam do cenário”, criticou.
O ministro do STF defendeu o Sistema Único de Saúde (SUS) e a renda básica, além da universalização dos sistemas de fornecimento de água e saneamento básico. “O quadro pós-pandemia tem toda essa carga de tragédia, mas a Covid também nos deu a oportunidade de nos reencontrar com o Brasil profundo”, disse. E frisou a atuação do Supremo para garantir aos estados o protagonismo nas ações contra a pandemia.
Para Flávio Dino, uma frente ampla em favor da democracia “não é uma opção, é um imperativo” e “o tema da saúde é premente”. Em sua visão, a defesa do SUS reforça a agenda federativa. “O que é o Sistema Único de Saúde senão um arranjo federativo que limita arbítrios do poder central?”, argumentou durante o debate. Mais à esquerda do Ministro do Supremo, ele acrescentou à lista de demandas democráticas uma reforma tributária distributiva e o socorro ao pequeno comércio.
Provocado por uma pergunta do público, o governador do Maranhão descartou um ensaio eleitoral para 2022. “Articulações políticas são sempre possíveis, mas a frente não é palanque eleitoral”, afirmou. Flávio Dino pediu “mais leveza” no tema. “Uma frente ampla pela democracia não é cartorial, não tem um programa no TSE. Mas ela tem uma identidade comum”, advertiu. E enfatizou: “Temos legiões de brasileiros sofrendo muito”.
O presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, também advogou pelo foco na crise sanitária. “Não podemos reproduzir de forma incoerente um discurso político que não leve em conta o isolamento”, avaliou. Segundo ele, a Ordem aguarda o retorno às atividades presenciais do Congresso para encaminhar denúncias contra o presidente Jair Bolsonaro. “Verificamos denúncias graves de aparelhamento da Polícia Federal. Uma discussão que não pode ser feita por telepresença”, relatou.
Sobre o Brasil pós-pandemia, Santa Cruz acrescentou uma reflexão sobre comunicação e democracia, destacando a atuação de “milícias digitais” com capacidade de produzir “fatos próprios que não dizem respeito à realidade”. Informações falsas sobre os riscos da pandemia ou benefícios da cloroquina foram citadas.
O advogado sugeriu mais diálogo com as camadas mais desfavorecidas da sociedade, sobretudo, a juventude: “É fácil falar sobre as vantagens democráticas com as classes A e B. Mas é difícil trazer para essa luta setores que não conhecem isso”.
CRISE NA SAÚDE
A Coppe promove neste domingo, 14, mais um debate do fórum virtual “O Brasil após a pandemia”. Com o tema “A crise na Saúde e o SUS”, o evento terá a participação do ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS); o professor Carlos Grabois Gadelha, da Fiocruz; o professor Antônio Carlos Campos de Carvalho, do Instituto de Biofísica; e o professor Roberto Medronho, da Faculdade de Medicina e do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva, ambos da UFRJ. O evento será transmitido ao vivo na página da Coppe no Facebook, a partir das 18h.
Kim Queiroz e Liz Mota Almeida
Vida, saúde, solidariedade, meio ambiente, ciência e educação. Estes foram os pilares da Marcha Virtual Pela Vida, que reuniu mais de 500 entidades e movimentos sociais — a AdUFRJ, entre elas —, em 9 de junho. A programação do evento contou com transmissões ao vivo pelas redes sociais, debates, atividades culturais e um tuitaço. As hashtags #MarchaPelaVida e #FrentePelaVida alcançaram a quarta posição entre os assuntos mais comentados no Twitter nacional.
Outra iniciativa de sucesso da Marcha foi a utilização do aplicativo francês Maniff.app. Pela ferramenta, é possível posicionar o avatar em um mapa virtual para demonstrar apoio a uma causa. E mais de seis mil pessoas utilizaram o Maniff.app ao longo do dia.
Para a médica e professora da UFRJ Lígia Bahia, a Marcha foi uma oportunidade de articulação nacional num momento muito difícil para a Ciência. “A manifestação virtual permitiu uma maior unidade e, também, encontrar pontos em comum nos problemas concretos que a área de Ciência e Tecnologia está enfrentando”, afirmou a ex-diretora da AdUFRJ.
Um dos consensos da iniciativa foi a defesa do Sistema Único de Saúde. “Não dá para imaginar enfrentar essa pandemia sem o SUS”, afirmou um dos convidados ilustres da Marcha, o médico Dráuzio Varella. “Quando falamos de distribuição de renda no Brasil, citam o Bolsa Familia. Mas ele é uma pequena ajuda comparado ao orçamento do SUS”, disse. “O SUS é o grande programa de distribuição de renda, que permite defendermos a vida dos brasileiros agora”, completou.
Dráuzio observou que o sistema de saúde sofre com problemas de financiamento e gestão. Mas ressaltou as qualidades apresentadas no combate ao novo coronavírus. “Nessa hora, vemos a agilidade do SUS e como foi possível abrir leitos e unidades de pronto atendimento”. O médico encerrou sua participação na Marcha com um apelo:”Que fique essa missão para quando tudo isso acabar. Devemos confiar no sistema único de saude, pois é com ele que todos nós contamos, no final das contas. O SUS é quem defende nossas vidas, dos indígenas do Norte até o Rio Grande do Sul”.
O professor Ildeu Moreira, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e um dos idealizadores da Marcha, defendeu a máxima de que todas as vidas importam. “Vidas negras importam, vidas de quaisquer etnia, gênero e classe social importam e muito”. A Frente pela Vida — que realizou a Marcha — surgiu como um movimento de organização da sociedade civil brasileira para enfrentar a crise. “Estamos cansados de ouvir discursos, e a população continuar morrendo sem assistência médica adequada.”
Moreira acredita que o fortalecimento do SUS é imprescindível nesse quadro de pandemia atual. Guinar Azevedo, presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), foi mais um representante da Frente pela Vida a reverenciar o SUS. “Para mostrar que o SUS é capaz de dar essa resposta, precisamos da união de todos, de muita solidariedade e, sobretudo, cobrar ao Estado o dever dele de garantir a saúde para todos e todas”.
CIÊNCIA EM DEBATE
Na manhã do dia 9, como atividade local da Marcha, a SBPC e a AdUFRJ promoveram o debate “Ciência e Realidade” mediado por Luana Meneguelli Bonone, da Associação de Pós-graduandos (APG). Richarlls Martins, professor do NEPP-DH da UFRJ, destacou o impacto dos discursos políticos sobre a sociedade. “Temos uma produção discursiva de líderes públicos que nega e minimiza os impactos da Covid-19 no interior da sociedade brasileira”, afirmou. “Essa orientação normativa vai ter impacto direto sobre determinados grupos sociais”, completou.
Na análise da professora Liv Sovik, da Escola de Comunicação da UFRJ, somente o conhecimento pode contribuir para solucionar a violência que predomina nos discursos, lares e ruas do país. “Vamos ler para salvar vidas. Vamos ler para aumentar o nosso conhecimento”, ponderou. A leitura, de acordo com a professora, é um caminho para combater a crise de empatia, pois “ela nos ajuda a entender o outro”.
O debate abordou recortes raciais, sociais, de gênero e de sexualidade. Jaqueline Gomes de Jesus, professora de psicologia do IFRJ, ressaltou os desafios que a pandemia potencializa. “Estamos falando de um projeto de nação eugenista. Pessoas pretas, periféricas e, principalmente, transsexuais, não têm acesso a nenhum tipo de apoio. É um projeto intencional de exclusão dessas vidas e corpos”, declarou.
Viviane Salles, da Frente CDD (Cidade de Deus) Contra a Covid-19, avaliou o uso das redes sociais pelas populações mais vulneráveis. “É importante termos em mente o papel relevante dos comunicadores comunitários neste momento”, observou. Ela vê um movimento valioso emergindo nas periferias. “O que está acontecendo é o nascimento de uma nova ciência, a ciência da favela”, afirmou. “A própria favela está criando ferramentas científicas, de análise e de ação, em diálogo com as demandas reais e sociais”, completou a socióloga.

O Conselho Universitário aprovou na terça-feira (2) uma resolução sobre o trabalho dos servidores da UFRJ durante o período da pandemia. A medida, com 46 votos favoráveis e apenas um contrário, foi resultado de um amplo debate interno ao longo de semanas.
“O Consuni foi um evento extraordinariamente importante. A resolução resultou de um trabalho de ouvir, interpretar e dar forma aos desejos da comunidade”, afirmou a presidente da AdUFRJ, professora Eleonora Ziller. “Isso demonstrou a capacidade de a universidade ter um entendimento comum sobre sua diversidade, sobre sua especificidade”, completou.
A associação docente teve papel destacado na elaboração do texto final. Dialogou com a reitoria e com o Sintufrj, mobilizou reuniões nas unidades e do Conselho de Representantes e participou do grupo de trabalho criado pela reitoria para discutir o tema. O protagonismo da AdUFRJ foi elogiado em um encontro virtual com mais de 30 diretores e decanos, após o Consuni. “Foi uma roda de conversa muito produtiva com nossa assessoria jurídica sobre o emaranhado de leis e portarias que hoje regem o trabalho remoto na universidade”, observou Eleonora.
A reunião com os diretores pós-Consuni não esgotou o assunto. Reitoria e o grupo de trabalho passaram a tarde de terça e toda a quarta-feira pensando as orientações aos gestores de unidade para o lançamento dos códigos de frequência. Tarefa que deverá ser cumprida até esta sexta (5) pelos departamentos de pessoal.
A dificuldade tem relação direta com as instruções normativas emitidas pelo Ministério da Economia durante a pandemia. O governo determina que os servidores em trabalho não presencial devem perder todos os adicionais ocupacionais e o auxílio-transporte.
INCERTEZAS CONTINUAM
Apesar do elevado grau de consenso alcançado no colegiado, nem todas as dúvidas foram eliminadas. Na véspera do prazo, os gestores manifestaram à reitoria diversas incertezas sobre a melhor forma de classificar as atividades, presenciais ou remotas, realizadas em cada local da universidade.
“Estamos colocando dois casos muito claros: trabalho remoto e presença normal. E existem as exceções, que devem ser tratadas como exceções. Essa é a nossa indicação”, disse o vice-reitor, professor Carlos Frederico Leão Rocha, na abertura de uma plenária de decanos e diretores realizada no dia 4. “Confiamos nas chefias imediatas, que vão saber fazer essa ponderação”, completou.
“O Ministério da Economia emitiu algumas instruções normativas que devem regrar o trabalho. A reitoria está se movendo com três objetivos: preservação do nosso corpo social, preservação da imagem da UFRJ e proteção dos CPFs dos dirigentes”, afirmou.
Pró-reitor de Planejamento e Finanças, o professor Eduardo Raupp reforçou: “A nossa interpretação não quer dizer que seja a interpretação. A resolução foi uma construção que fizemos com toda a universidade para proteção de nossos servidores”, afirmou. “Nossa administração tem trabalhado no limite da autonomia com sucesso”, concluiu, em referência a decisões tomadas sobre a realização de concursos e relacionadas às progressões dos docentes.
Decano do Centro de Tecnologia, o professor Walter Suemitsu resumiu a situação: “Estamos querendo resolver um problema político de forma administrativa. Não vamos conseguir”.
Muitos diretores solicitaram a extensão do prazo para o lançamento dos códigos, pois a resolução do Consuni só teria sido votada poucos dias antes. A administração central respondeu que não seria possível. A pró-reitoria de Pessoal organizou um plantão para responder às questões dos dirigentes e viabilizar os procedimentos relativos à folha salarial.

O Museu Nacional completa 202 anos olhando para o futuro. A instituição reúne ciência, arte, história e vida em atividades de ensino, pesquisa e extensão há dois séculos. Faz e divulga ciência para públicos de todas as idades. O incêndio de 2018 transformou o Museu em Fênix, que renasce das cinzas e se reinventa para dar conta dos novos tempos. Para marcar o aniversário de uma das mais importantes unidades da UFRJ, em 6 de junho, convidamos o diretor Alexander Kellner para contar, em artigo emocionante, sobre as ações e etapas que envolvem o processo de reconstrução do espaço físico. Este ano, a pandemia não permite festa, mas, a despeito de todas as dificuldades, as notícias são boas e devem ser celebradas. O Museu Nacional vive!
ALEXANDER KELLNER
Diretor do Museu Nacional
O Museu Nacional/UFRJ está comemorando 202 anos de existência. Para quem militou na instituição científica mais antiga do país por praticamente toda a carreira e fez dela a sua segunda casa, essa não é uma data fácil. Não apenas pela tragédia, que no próximo dia 02 de setembro completará dois anos, ainda estar muito perto, mas, sobretudo, pelo fato de muitos dos técnicos, professores e alunos ainda não terem um local que possa oferecer condições mínimas de trabalho. Estamos amontoados, compartilhando salas com colegas – que já não tinham muito espaço – que se ofereceram de maneira solidária para abrigar aqueles que tudo perderam. Também cabe a lembrança da difícil situação dos nossos cursos de pós-graduação, em especial o Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS), que foram particularmente prejudicados, correndo, inclusive, o risco de perderem os bons conceitos no sistema de avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoa de Nível Superior (CAPES). Para complicar ainda mais, vivemos essa situação delicada da pandemia que tomou o mundo inteiro como refém.
Como não poderia deixar de ser, estamos atentos às informações das autoridades sanitárias e seguindo as instruções da Reitoria, de isolamento social. Aliás, cabe aqui um importante reconhecimento que várias unidades da universidade, dentro de sua capacidade e possibilidade, têm procurado mitigar os efeitos negativos da COVID-19, visando não apenas o corpo social universitário, mas também a sociedade como um todo. Todos estão de parabéns e nos enchem de orgulho de fazer parte da UFRJ!
Mesmo diante das incontestáveis dificuldades, trago informações com excelentes perspectivas para o Museu Nacional! Inicio com a mais importante: os projetos, tão necessários para a reconstrução, estão em curso. O maior deles, apesar de um atraso considerável, é o dos telhados e da fachada. Existe a expectativa de iniciar as obras ainda este ano, partindo do princípio que a licitação possa ser realizada. O financiamento será feito pela ALERJ, que se comprometeu com 20 milhões para as obras.
Outra linha de frente que temos atuado é o Campus de Pesquisa e Ensino do Museu Nacional/UFRJ. Essa foi a designação recentemente aprovada pela Egrégia Congregação do Museu para denominar um terreno que foi cedido pela Secretaria do Patrimônio da União. Foram várias reuniões até sair a documentação necessária para as obras de cercamento e de infraestrutura. Iniciadas ainda no final do ano passado, tiveram que parar por causa da pandemia. Segundo os responsáveis, existe uma perspectiva de recomeço tão logo que as condições sanitárias sejam favoráveis.
Também estão prosseguindo os projetos da elaboração de estruturas laboratoriais para a parte acadêmica no campus, dos termos de referência relativos a diversos projetos diretamente relacionados ao palácio. Estes incluem ações desde a renovação do site até a contratação de empresas para a elaboração dos projetos arquitetônicos e museográficos. Por falar nas novas exposições, temos a perspectiva de implementar alguma ação ainda nesse ano, com uma mostra a céu aberto nos arredores do Palácio. A ideia é procurar realizar ações para as escolas, procurando voltar, mesmo que em pequena escala, às nossas ações educativas.
Além de todas essas ações, um outro motivo para otimismo, além do comprometimento da UFRJ, são as parcerias realizadas com outros atores que se aproximaram da instituição no intuito de ajudar na sua reconstrução. Entre as diversas que realizaram ações concretas está a UNESCO. Juntamente com técnicos da Alemanha, essa instituição foi a primeira a fornecer ajuda e continua firmemente imbuída no seu propósito de estar do lado do Museu Nacional e da UFRJ até recuperação definitiva da instituição.
Também destacamos o Governo Alemão que, através de suas agências e institutos como o Instituto Goethe, tem liderado ações internacionais que culminaram em uma carta aberta onde 26 museus e instituições científicas alemãs se comprometeram ajudar na recuperação do Museu, inclusive, com a possível doação de exemplares originais. Cabe frisar que a recomposição das coleções é o maior desafio a ser enfrentado. Dentro desse tema, várias instituições nacionais e internacionais se comprometeram em doar exemplares para o Museu, como a Sociedade Brasileira de Zoologia e o Universalmuseum Joanneum da cidade de Graz, Áustria, para citar alguns. Este último doou 197 objetos etnográficos de populações indígenas, algo que nos é muito caro. O Museu, assim que receber esse material, fará contato com representantes das respectivas nações indígenas para decidir, em parceria, qual a forma mais apropriada de lidar com esses objetos culturais nas novas exposições.
Entre os apoiadores também contamos com a Fundação Vale, que se comprometeu não apenas em aportar R$ 50 milhões para o projeto Museu Nacional Vive, mas também em auxiliar na gerência, trazendo toda sua experiência em projetos culturais. Ainda temos o apoio do BNDES, que, entre outros, está liderando o comitê de sustentabilidade do Museu após a sua inauguração. Certamente, os fundos patrimoniais serão objetos de muita discussão.
Por último, destaco o importante apoio da Fundação Universitária José Bonifácio, da Fundação COPPETEC e da Associação Amigos do Museu Nacional (SAMN), parceiros essenciais nesse projeto de reconstrução. Certamente outros parceiros – instituições científicas nacionais e do exterior, empresários e representantes da sociedade civil – se juntarão nesse esforço coletivo. Como dizemos, temos cada vez mais convicção, especialmente nos dias de hoje, que o Brasil precisa do Museu Nacional/UFRJ!

O Conselho de Ensino para Graduados (CEPG) se debruça há três sessões sobre quando e como retomar as aulas da pós-graduação. Depois de aprovar a Resolução 05/2020, que permite aos programas de pós-graduação darem aulas ou outras atividades acadêmicas de forma remota, o colegiado agora discute um novo calendário acadêmico. A proposta foi apresentada neste dia 5 de junho e deve ser fechada na próxima sessão, prevista para o dia 12. O calendário prevê diferentes datas de início e fim dos períodos letivos, a depender do formato do programa: semestral, trimestral ou bimestral.
Para programas semestrais, o primeiro período de 2020 se estenderá de 3 de agosto a 14 de novembro; o segundo período, de 30 de novembro a 27 de março de 2021. Programas trimestrais, que têm, em geral, cargas horárias maiores, precisarão iniciar mais cedo o primeiro período de 2020: em 6 de julho, com término previsto para 3 de outubro. O segundo período aconteceria de 13 de outubro a 16 de janeiro de 2021. A proposta sugere que o terceiro período aconteça em concomitância com os cursos de verão promovidos por esses programas: de 1º de fevereiro a 24 de abril de 2021.
Já os bimestrais, que possuem, portanto, quatro períodos dentro do ano letivo, teriam a seguinte divisão: 2020.1 inciaria em 3 de agosto, com término em 19 de setembro; 2020.2 seria realizado entre 28 de setembro e 19 de novembro; 2020.3, entre 30 de novembro e 30 janeiro; o último bimestre ficou previsto para 08 de fevereiro a 1º de abril de 2021. Pelo planejamento apresentado, o calendário da pós-graduação deve ser normalizado a partir de março 2022.
De acordo com a resolução aprovada no dia 29, cada programa terá liberdade para decidir quais serão essas atividades iniciadas nas datas sugeridas pelo calendário, incluindo a abertura de novas turmas. Também fica a cargo dos programas definirem se realizarão avaliações a distância ou presenciais, após a pandemia. Os estudantes podem cancelar disciplinas em qualquer tempo, durante o período de excepcionalidade. Ficou determinado que nenhum aluno pode ser penalizado por não aderir a atividades remotas.
A proposta de datas foi bem aceita pelos conselheiros, mesmo por aqueles que discordavam da retomada das aulas de forma remota – a aprovação da resolução, na semana anterior, não foi unânime. A professora Fátima Grave Ortiz, do CFCH, que votou contra a retomada das atividades na sessão passada, parabenizou o trabalho do GT. “É algo muito difícil e cansativo elaborar um calendário com tantas variáveis. Sou favorável ao modo como foi apresentado”, disse. “Acredito que um retorno em agosto, como é o caso do meu programa, dá tempo para todos nos prepararmos, para os alunos serem atendidos em suas necessidades, para não deixarmos ninguém para trás”.
“Todo mundo reconhece que é fundamental termos um calendário, mas sabemos que vamos votar por aulas remotas por pelo menos um semestre”, ponderou o professor Fabrício Leal de Oliveira, do CCJE. “Qualquer aluno nosso que se deslocar para o campus vai ser contaminado no transporte superlotado. Precisamos, então, saber como está o apoio da UFRJ para os alunos que não têm meios de acompanhar as aulas remotas. Estamos aprovando um calendário para alunos que podem acompanhar aulas a distância. Precisamos ter uma solução para aqueles que não podem”, defendeu o professor.
Kemily Toledo, da Associação de Pós-Graduandos e integrante do GT do CEPG, reforçou que os alunos não podem ser penalizados, caso não realizem as atividades a distância, e defendeu que um calendário dá possibilidade a estudantes, professores e técnicos se planejarem, assim como ajuda com que a universidade tenha um prazo para suprir a necessidade dos alunos mais vulneráveis. “Não cabe ao GT pressionar a universidade sobre esta questão, mas, certamente, permite um norte, um prazo, uma data-limite para que os problemas sejam solucionados para todos”. A APG também foi crítica à resolução de volta às aulas.
Coordenadores defendem retorno
Ao longo da semana, coordenadores de programas de pós-graduação criaram um manifesto defendendo o retorno das atividades para o segmento. A carta é assinada até o momento por 70 coordenadores dos 132 programas existentes na universidade. O documento afirma a importância da decisão do CEPG e expõe preocupação “com as demandas de discentes, que responderam em grande maioria positivamente ao início das aulas remotas, e do enorme interesse de docentes em dialogar e trabalhar, em conjunto, para a manutenção de conteúdos remotos de forma democrática”, diz trecho.
A professora Silvana Allodi, do Instituto de Biofísica, é uma das proponentes da carta. Ela coordena a área de Pós-graduação e Pesquisa do Centro de Ciências da Saúde. Sob sua responsabilidade, estão os 39 programas do CCS. Mais da metade se posicionou formalmente pela retomada das atividades. “A pós-graduação não parou neste período da pandemia. As aulas presenciais foram suspensas, mas as reuniões com orientadores continuam acontecendo, mesmo remotamente. As pesquisas seguem sendo realizadas, defesas, experimentos, seminários”, argumenta.
A abertura de novas turmas foi um dos pontos de polêmica da resolução aprovada no dia 29. O professor Bruno Diaz, representante do CCS, argumentou que abrir novas turmas permite a recomposição do calendário. Relator da resolução aprovada, o docente sustentou que o documento não interrompe “o processo de discussão” sobre reposição de conteúdos presencialmente pela universidade. “Ela é uma resolução para resolver o calendário atual. Não se relaciona com cenários futuros”.
Em posição contrária argumentou a professora Hebe Signorini Gonçalves, do CFCH. “Entendo que a Resolução 05/2020, antecipando a análise detida do cenário de dificuldades, antecipando a própria definição do que seja atividade remota, e abrindo o calendário da pós-graduação para que disciplinas sejam registradas a qualquer tempo, carrega um potencial conflito entre os calendários dos diversos programas e entre os calendários da graduação e da pós-graduação”.
A polêmica do calendário foi levada ao Conselho Universitário, do dia 2, pelo conselheiro Igor Alves Pinto, da APG, e levou a reitora Denise Pires de Carvalho a se manifestar. “O calendário não está suspenso. Se estivesse, não teríamos colado grau de quase 200 engenheiros, mais de 70 médicos. Nós temos uma nota da reitoria que diz que as atividades presenciais estão suspensas, não o calendário”, argumentou a reitora. Ela assegurou que todos os estudantes terão seus direitos garantidos. “Não deixaremos ninguém para trás”.
Para o professor Nelson Braga, coordenador do programa de Física, a resolução expressa uma solução acertada da universidade, mas considera que o diálogo deve ser fortalecido. “Nosso interesse, como coordenadores, é justamente encontrar os melhores caminhos para que a formação de nossos alunos não seja prejudicada pela pandemia”, argumenta o docente.
Henrique Cairus, representante do CLA no colegiado, considera que o CEPG agiu numa perspectiva de “redução de danos”. “Não é o melhor, evidentemente: é o que as circunstâncias nos permitem em caráter imediato e emergencial”, defende o professor. O resultado final, acredita, expressa o compromisso de contemplar “a maior parte dos problemas apontados durante a reunião” do CEPG. “Uma reunião, sem dúvida, já prejudicada pelo fato de não ter sido presencial. Ela própria é uma boa amostra do que se perde nas atividades remotas”, reconhece.