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WhatsApp Image 2026 04 29 at 19.11.17Foto: Fernando SouzaAdensar um espaço da universidade à beira da Rodovia Washington Luiz com novos cursos e oferecer mais assistência para um corpo estudantil muito vulnerável. Essa é a missão assumida pela professora Marisa Suarez, diretora do campus da UFRJ em Duque de Caxias desde novembro de 2024. “Há muitos desafios”, diz.
É difícil, mas nada parece impossível para o grupo de professores, técnicos e alunos que há 18 anos luta com garra para fazer ensino, pesquisa e extensão na Baixada Fluminense enfrentando cenários bastante adversos.
Bastaria dizer que a história começou em Xerém, um distrito de Caxias, em 2008, com módulos alimentados por geradores, em um terreno compartilhado com time de futebol e uma fundação do município. Mas não foi só isso.
Quando a UFRJ iniciou a transferência para o atual endereço, em 2018, o campus sequer apresentava água encanada. O sistema elétrico não comportava a instalação de aparelhos de ar-condicionado em todas as salas e laboratórios. Em dias de muito calor, aulas eram suspensas.
Os prédios, herança de um projeto abandonado da prefeitura local, nunca haviam passado por uma reforma nos telhados — cada chuva representava goteiras, infiltrações, perda de mobiliário e até de equipamentos.
A “virada de chave” aconteceu em 2025. As obras de reforma dos telhados, iniciadas em setembro de 2024, acabaram em junho do ano passado. A expansão da rede elétrica e instalação da ligação dos 103 aparelhos de ar-condicionado também foram concluídas no mesmo mês. “A reforma elétrica permitiu que a gente pudesse ligar equipamentos em laboratório de forma simultânea. Antes, ligava um, não podia ligar outro. Agora temos capacidade para fazer isso”, afirma a professora Luisa Ketzer, diretora da ADUFRJ e docente do campus.
É esse mínimo de condições de infraestrutura que permite à comunidade universitária sonhar com voos mais altos.

NOVOS CURSOS
Está prevista para janeiro de 2028 a entrega de um novo prédio (bloco F), aos fundos do campus, que está sendo construído pela Prefeitura de DuqueWhatsApp Image 2026 04 29 at 19.11.17 8 de Caxias. A nova estrutura deve abrigar 6 laboratórios (5 didáticos e 1 anatômico), 18 salas (15 de 58 m2 e 3 de 86 m², uma biblioteca e um espaço para os docentes.
A ideia é aproveitar a futura instalação para quatro novos cursos: Medicina (com entrada de 30 alunos por semestre), Biofármacos (20/ano), Ciência de Dados (20/ano) e Licenciatura Interdisciplinar (25/semestre). Todos já fazem parte do Plano de Desenvolvimento Institucional da UFRJ até 2029.
“Estamos fazendo estudo de implementação de todos estes cursos. E de alguns, eventualmente, no período noturno”, afirma a diretora do campus. “Atenderia melhor a população da região que trabalha durante o dia”.

MAIS OBRAS
Em paralelo, a administração local realiza outras obras com apoio do Escritório Técnico da Universidade. No prédio do bloco E, onde nada foi feito desde a instalação da UFRJ no campus, ficarão todos os núcleos de pesquisa hoje espalhados e parcialmente acomodados em módulos habitacionais. “Mas não acabaremos com os módulos. Com o crescimento do corpo docente, precisaremos de mais espaço”, completa Marisa.
No bloco D, ficarão concentrados os equipamentos de pesquisa de grande porte do campus, que atendem não só à UFRJ, mas a outras instituições, com foco interdisciplinar. O projeto básico já foi finalizado. A previsão de conclusão da obra é junho de 2027.
Outra iniciativa em andamento é a instalação de placas fotovoltaicas nos telhados. A diretora está otimista e espera concluir esta etapa ainda em 2026.

APOIO AOS ESTUDANTES
Uma das grandes preocupações no campus é o cuidado com os estudantes, 80% deles os primeiros da família a cursar o ensino superior, de acordo com o levantamento mais recente disponível — o perfil socioeconômico do corpo discente será atualizado este semestre, por meio de um questionário para elaboração do Plano de Desenvolvimento da Unidade (PDU).
“A gente se depara com alunos em situação de muita vulnerabilidade. ‘Ah, professora, não posso ir todos os dias porque não tenho dinheiro para a passagem’. São questões delicadas que afetam o trabalho docente”, afirma Marisa.
Os estudantes têm direito ao Jaé Universitário com gratuidade apenas no município do Rio. “O aluno que mora em Campo Grande pega a condução com o Jaé, vai até o Fundão, pega o nosso ônibus intercampi e chega ao campus. Mas o aluno que mora em outro município não tem isso. Muitos dependem do auxílio-transporte da universidade”, explica a diretora. A pró-reitoria de Políticas Estudantis (PR-7) informa que 100 estudantes de Caxias receberam o benefício em dezembro do ano passado.
O bandejão local serve até 300 refeições no almoço e, desde março do ano passado, 100 lanches no café da manhã. “Mas já há um pedido atual dos alunos para ampliar o funcionamento para o jantar também. Eles chegam de manhã e voltam para casa de noite com fome”.
Em Caxias, mesmo o básico foi conquistado recentemente para dar um pouco mais de conforto para o segmento. Bancos de madeira foram instalados nos corredores para acomodar os estudantes fora do horário de aulas e o espaço da biblioteca passou por uma reorganização para ampliação de uma sala de estudos.
Uma preocupação recorrente do corpo docente é o atendimento a estudantes com deficiência e as adaptações pedagógicas necessárias. Segundo a professora Luisa Ketzer, que faz parte da Comissão Interna de Acessibilidade, o número de estudantes atendidos aumentou consideravelmente no pós-pandemia.
Luisa informa que há um diálogo constante com a Diretoria de Acessibilidade da universidade (DIRAC), responsável pela alocação de monitores de acessibilidade e inclusão. “Ainda assim, é imprescindível institucionalizar orientações para a condução de estágios obrigatórios práticos e experimentais e para o desenvolvimento de monografias, necessárias à conclusão do curso”, afirma.

MAIS INSTITUCIONALIZAÇÃO
O campus de Caxias aparece no estatuto da universidade desde 2018 como se não tivesse nenhuma unidade acadêmica. Ele funciona ainda com um conselho deliberativo provisório. A diretora possui mandato de apenas dois anos, prorrogáveis por mais dois.
No final do ano passado, uma comissão interna formada por docentes e técnicos-administrativos ficou encarregada de elaborar um novo regimento. “A comissão se reuniu algumas vezes em 2025 e já revisou o organograma do campus. Estamos na fase de discussão e ajustes. No entanto, o trabalho está paralisado, devido à greve dos servidores”, explicou a diretora do Campus, Marisa Suarez.

WhatsApp Image 2026 04 29 at 19.11.17 2A UFRJ lidera uma das 33 redes universitárias contempladas pelo novo programa de internacionalização da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o Capes Global.Edu. A seleção final, divulgada em 20 de março, abriga 112 instituições de ensino e pesquisa das cinco regiões do país, reunidas em 33 redes que terão como objetivo promover a colaboração científica entre as suas integrantes, além de parceiras internacionais. Os recursos totais do programa são de R$ 1,4 bilhão para o ciclo 2026-2030.
Coordenada pela UFRJ, a rede Diálogos Globais para Cooperações Multilaterais e Equitativas conta também com a participação da Universidade Federal do Acre (UFAC), das estaduais do Rio Grande do Norte (UERN) e do Sudoeste da Bahia (UESB), da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. São ao todo 105 programas de pós-graduação (PPGs) envolvidos, sendo 77 da UFRJ, nove da UESB, oito da UTFPR, cinco da UFAC, quatro da UERN e dois do Jardim Botânico.
O Capes Global substitui e amplia o antigo programa Print, que investiu na internacionalização de 35 instituições de educação superior. “O novo programa amplia para 112 instituições e busca a cooperação em torno de temas de importância global. Agradeço o empenho da comunidade acadêmica, que enviou 54 projetos, a maior parte altamente qualificada. O comitê internacional elogiou muito a Capes pelo desenho do programa e a comunidade científica pela excelência dos projetos”, comemora a presidenta da Capes, professora Denise Pires de Carvalho.

SOLIDARIEDADE
Um dos principais articuladores da rede da UFRJ, o pró-reitor de Pós-Graduação e Pesquisa, professor João Torres, vê no programa um avanço não só no caminho da internacionalização, mas também da colaboração interna entre as instituições. “Nossa rede é uma das maiores em número de PPGs. Estou muito animado com a possibilidade de colaborar com os PPGs pelo Brasil, temos instituições de regiões periféricas. Nós não temos financiamento para fazer pesquisa articulada entre PPGs no Brasil. Temos recursos para ir ao exterior, mas faz falta um programa forte de articulação interna. O Capes Global vem colaborar nesse sentido”, avalia.
A rede tem quatro eixos temáticos: Ciências da Vida, Saúde e Meio Ambiente; Energia, Infraestrutura e Cidades Sustentáveis; Educação de Qualidade e Ciência Básica; e Equidade, Justiça e Sociedade. “Temos R$ 71 milhões para gastar em quatro anos (veja tabela), estimamos em 12 mil pessoas beneficiadas por essa rede. São recursos para viagens de pesquisadores e de alunos e, sobretudo, bolsas em vários níveis”, explica João Torres. O trabalho começa em 1º de junho próximo e vai até julho de 2030 — as verbas se encerram em 2029, mas as saídas podem ocorrer até 2030.
Para a professora Ethel Pinheiro (FAU/UFRJ), do Comitê Administrativo da rede, o Capes Global é um programa inovador: “Ele não nos faz pensar com a cabeça de uma só instituição, mas com uma ideia de solidariedade. As redes são formadas por uma instituição coordenadora, já com elevado estágio de internacionalização, e instituições associadas que estão em processo de desenvolvimento internacional, são de menor porte, ou afastadas dos grandes centros. É um programa que nos faz pensar em rede”.
Nesse conceito, segundo a professora da FAU, a UFRJ tem muito a trocar com as parceiras da rede. “Temos cinco instituições com PPGs cujos temas se cruzam com o que a UFRJ faz. O Jardim Botânico faz pesquisas com a Mata Atlântica que têm muita interseção com pesquisas nossas em meio ambiente. Temos mais de 450 parcerias internacionais mapeadas na rede, sendo mais de 400 da UFRJ. Nossa experiência internacional vai ser compartilhada, contribuindo para a evolução das outras instituições. Tenho 20 anos de UFRJ e nunca vivi algo assim”, diz Ethel Pinheiro.

POTENCIAL
O entusiasmo da professora da FAU é compartilhado por outras participantes da rede Diálogos Globais. Para a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da UFAC, professora Margarida Lima Carvalho, a participação na rede é estratégica. “A inserção em uma rede liderada por uma instituição de reconhecida excelência acadêmica possibilita o acesso a circuitos internacionais de pesquisa já estabelecidos, favorecendo a formação de consórcios e o desenvolvimento de projetos multicêntricos com outras instituições associadas”, avalia a pró-reitora.
Margarida Carvalho acredita que os PPGs da UFAC — que envolvem 75 docentes e 166 alunos — têm grande contribuição para a rede: “Há o potencial de internacionalização de temáticas estratégicas vinculadas à Amazônia nas áreas de saúde, educação, inovação e sustentabilidade, permitindo à UFAC transformar suas especificidades regionais em ativos relevantes no cenário científico global”.
A chegada do Capes Global é saudada pela pró-reitora da UFAC, mas ela aponta a necessidade de investimentos contínuos em pesquisa no país. “O programa é um avanço importante, mas é indispensável que seja acompanhado por financiamento doméstico robusto e contínuo para a pesquisa de ponta, especialmente em regiões estratégicas como a Amazônia”, diz ela.
Pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da UERN, a professora Ellany Gurgel avalia que, em um cenário de restrição orçamentária, a chegada do Capes Global é estratégica: “O programa introduz uma lógica baseada em cooperação em rede, permitindo o compartilhamento de infraestrutura e conhecimento, o desenvolvimento de pesquisas colaborativas nacionais e internacionais e a ampliação de oportunidades para docentes e pós-graduandos. Para instituições localizadas fora dos grandes centros, como a UERN, isso é ainda mais relevante, pois contribui diretamente para a redução de desigualdades regionais na produção científica”.
Os PPGs da UERN participantes da rede têm atividades sediadas em cidades do interior do Rio Grande do Norte, como Mossoró, Caicó e Pau dos Ferros. “A importância da rede está na interiorização da internacionalização, na ampliação de oportunidades de cooperação internacional, mobilidade acadêmica e produção científica para além dos grandes centros. Isso fortalece a democratização do acesso à ciência”, ressalta Ellany.

Orçamento na UFRJ
71,4 milhões
(2026-2030)
. 9,2 milhões
para missões
. 3,1 milhões
para projetos e ações institucionais
. 59,1 milhões
para bolsas
2026: 17,1 mi
2027: 18 mi
2028: 18,2 mi
2029: 18,1 mi

WhatsApp Image 2026 04 29 at 19.11.17 1Fotos: Fernando SouzaTreze novos professores reforçam o quadro da UFRJ a partir desta semana: são 9 no Colégio de Aplicação, 1 no Instituto de Estudos em Saúde Coletiva, 1 na Escola de Educação Física e Desportos, 1 no Instituto de Psicologia e 1 na Escola de Comunicação. O grupo — que recebeu materiais de boas-vindas da ADUFRJ — assinou o termo de posse em uma pequena cerimônia realizada no gabinete da reitoria, na segunda-feira, 27.

“É sempre um momento muito especial receber novos servidores. A UFRJ é uma potência reconhecida nacional e internacionalmente. Só que ela não é feita das suas edificações. Ela é feita de pessoas”, afirmou o reitor da universidade, professor Roberto Medronho. “Temos problemas, mas nenhum deles é relacionado à qualidade, à excelência e ao compromisso com a sociedade. O que vocês vão fazer é manter e ampliar a excelência da universidade”, completou.

Virna da Silva Bemvenuto, do Colégio de Aplicação, não escondia a emoção durante o evento. “Amo ser professora. É uma grande realização para mim e para toda minha família”, disse a docente, que vai integrar o Setor Curricular de Artes Visuais da escola.

Confira a seguir o depoimento dela e de mais três colegas ouvidos pelo Jornal da AdUFRJ.

VIRNA DA SILVA
BEMVENUTO
Setor de Artes Visuais do CAp

WhatsApp Image 2026 04 29 at 19.55.51 1Sou do Jardim Novo, em Realengo, da periferia do Rio, e é uma grande realização para mim e para minha família ter passado para a UFRJ. Amo ser professora. Estou muito animada para todas as frentes de trabalho.
Espero contribuir para a construção de uma educação pública, gratuita, laica , democrática e de qualidade, que é a tradição do Colégio de Aplicação. Tive a oportunidade de fazer o estágio supervisionado lá durante meu curso na Escola de Belas Artes da UFRJ, em 2019. Depois, fui substituta no colégio entre 2022 e 2023, quando vivi uma experiência transformadora: ali eu entendi meu desejo de me engajar nesse espaço de luta e de arte na educação pública .
Presenciei quando a educação infantil recebeu o laudo de interdição e participei desse processo doloroso de ir para outro território desconhecido, e muito limitado, para as crianças pequenas. Houve muito trabalho de acolhimento e reinvenção. Mais recentemente, houve a queda do muro. Ainda são vários desafios enfrentados atualmente. São muitos pedaços de escola que a gente precisa recolher para pensar em estratégias políticas e poéticas para a construção de outros possíveis na escola diante os processos de precarização. Acredito que, com esse corpo social muito potente da UFRJ, vamos conseguir trabalhar juntos nisso.

VICTOR
CORRÊA NETO
EDUCAÇÃO FÍSICA

WhatsApp Image 2026 04 29 at 19.55.51 2A ficha está caindo aos poucos. Mas a sensação é de felicidade de poder fazer parte desta instituição gigante. Assim que recebi a notícia da aprovação, ainda no ano passado, compartilhei logo com a família e minha namorada. Estou animado, realizando um grande sonho!
Conheço bem a realidade da Escola de Educação Física. Sou do Rio de Janeiro mesmo. Concluí o mestrado lá em 2013, assim como o doutorado, em 2020. Fui professor substituto de 2023 até 2025. Mas, independentemente da estrutura física do prédio, que passou por dois desabamentos no telhado, o que observo é a mudança que continua acontecendo na vida dos estudantes.
Pretendo atuar ao máximo que puder no ensino, na pesquisa, na extensão. Na pesquisa, venho trabalhando nos últimos anos com resposta da pressão arterial ao exercício físico, com marcadores genéticos de hipertensão arterial e quero continuar nessa linha.

MELINA APARECIDA
DOS SANTOS SILVA
Escola de Comunicação

WhatsApp Image 2026 04 29 at 19.55.51Achei que não tinha passado para a UFRJ e não fui ver o resultado do concurso. Os amigos ligaram me avisando e levei um choque. Comecei a gritar no meio da rua (risos).
É uma grande responsabilidade ser professora da UFRJ. Você entra com a pressão de seguir um nível muito alto de excelência. O que é desafiador, mas estou com bastante energia para gastar.
As minhas expectativas são as melhores possíveis. Esperei muito por este momento. Nasci em Barra do Piraí, fiz a graduação em Jornalismo no Centro Universitário de Barra Mansa. Mudei para cá, em 2011, para fazer o mestrado e doutorado na UFF. Depois, fiz dois pós-doutorados: um na PUC-RS e outro, na própria UFF, no programa de Culturas e Territorialidade. Acabei me descobrindo na docência. É um lugar libertador e onde é possível fazer a diferença na sociedade.
Entrei agora na ECO, na disciplina de Teorias da Comunicação e Antropologia, do núcleo comum das habilitações. Pesquiso culturas urbanas, principalmente cenas musicais de rock e heavy metal. Comecei pesquisando bandas aqui no Brasil, mas depois passei a estudar a cena de Angola, somente com instrumentistas negros. Tento mostrar como essas bandas apresentam uma outra forma de ser negro, no contemporâneo. Aqui no Rio, por exemplo, essa identidade é muito ligada somente ao samba.

MARIANA MOLLICA
Instituto de Psicologia

WhatsApp Image 2026 04 29 at 19.55.51 3É a maior conquista da minha vida. Fiz 13 concursos em todo o país. Esse é o segundo para o qual passo como professora efetiva de Universidade Federal. Passei na UniRio em 2023 para uma vaga na Educação. Mas meu maior sonho era a UFRJ. Terminei aqui o mestrado em 2005 e o doutorado em 2014, além do pós-doutorado pela CAPES e FAPERJ. Pesquiso a partir da Psicanálise intervenções de uma clínica-política na contramão da necropolítica, cujo Rio de Janeiro é o Epicentro do extermínio da população negra e periférica no país.
Sou hoje coordenadora acadêmica da Rede de Atenção a Pessoas Afetadas pela Violência do Estado (RAAVE), um projeto no qual 100 mães de vítimas mortas pela polícia se tornaram pesquisadoras bolsistas da UFRJ e também agentes de saúde mental, ligadas ao SUS, SUAS e instituições da Justiça.
Temos estudado também como os conceitos da psicanálise podem ser revisitados a partir de autores negros e indígenas que, normalmente, não são validados na área acadêmica. Quero dar continuidade a esse campo de construção do conhecimento e em áreas afins, ligadas às questões de gênero e outras vulnerabilidades sociais.
No ensino, vou assumir quatro disciplinas neste semestre, duas delas são conceitos fundamentais em Psicanálise. Introdução à Freud: o desafio é transmitir o inconsciente para os estudantes a partir da vivência deles...Estou animadíssima!!
Já dei essas disciplinas antes, mas agora, como docente da UFRJ, será algo completamente novo para mim.

WhatsApp Image 2026 04 29 at 19.11.16Peça da campanha da AdUFRJ para valorização do professor foi instalada esta semana na fachada do bloco A do Centro de Tecnologia. O outdoor, de 27,6 metros de comprimento por 7,03 metros de largura, pode ser visto das Linha Vermelha e Amarela.

A ideia da campanha é mostrar as várias faces do trabalho de professoras e professores da UFRJ nos campi e nas unidades isoladas da universidade. Ao todo, 2.233 mulheres e 2.319 homens dão aulas, são gestores, pesquisam, produzem conhecimento, artes, cultura, ciência, formam, orientam e fazem história. Tudo com excelência, compromisso e dedicação, em um trabalho que atravessa gerações, há mais de um século.

A campanha inclui peças voltadas para o público externo e interno, com windbanners, adesivos, reportagens, outdoors, cartazes, bolsas, cadernetas e muita disposição para mostrar e enaltecer o trabalho docente. 

A Baía de Guanabara terá um Centro de Formação em Economia do Mar, com sede no Hangar Náutico da universidade. O lançamento da iniciativa — uma parceria entre o Núcleo Interdisciplinar para o Desenvolvimento Econômico e Social (Nides/UFRJ), o movimento Baía Viva e a Petrobras — aconteceu na manhã desta sexta-feira.
O Centro vai capacitar grupos de comunidades tradicionais, como pescadores,indígenas e quilombolas nas áreas de economia solidária, economia do mar e sustentabilidade. Estão previstos cursos e oficinas de carpintaria naval artesanal, turismo de base comunitária e mecânica de motor de barco, entre muitos outros. O Hangar está sendo reformado para receber as primeiras atividades já no segundo semestre deste ano.
"Estamos ressignificando este espaço que foi construído em cima de oito ilhas aterradas. Moravam aqui os pescadores artesanais e, antes deles, os povos indígenas. E hoje os pescadores moram nos lugares mais degradados da Baía de Guanabara ou da Baía de Sepetiba onde não têm o saneamento básico", disse o integrante do movimento Baía Viva, Sérgio Ricardo.
"Será um momento de muito aprendizado. O conhecimento não está só na universidade. O conhecimento também está no povo, que cria muitas inovações no seu dia a dia. Acredito que a interação entre esses conhecimentos trará as grandes inovações tecnológicas e sociais para mudar este país", disse o reitor Roberto Medronho.
"A gente lutou para que este fosse um espaço de formação popular. Que a gente fortaleça essa interação e que a UFRJ cada vez mais sirva à população carioca e fluminense", reforçou o diretor do Nides, professor Felipe Addor.
 
Leia a matéria completa na próxima edição do Jornal da AdUFRJ.
 
Foto: Alessandro Costa
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