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WhatsApp Image 2026 01 22 at 19.43.13 1Kelvin Melo e Silvana Sá

Além das universidades, o governo Lula recompôs os orçamentos da Capes e do CNPq. A medida foi bastante comemorada pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e pela Academia Brasileira de Ciências (ABC).
As entidades divulgaram uma nota conjunta no dia seguinte à medida: “A ABC e a SBPC reconhecem o esforço do governo em reconstruir o financiamento da educação superior e da ciência e apostam que essa recomposição represente o início de um novo ciclo de valorização das universidades, da pós-graduação e da pesquisa científica”, diz um trecho.
Antes da recomposição, deputados e senadores haviam reduzido o orçamento do CNPq em R$ 92,4 milhões, em relação à proposta do Executivo. A Capes havia perdido R$ 359,3 milhões.
“Isso demonstra que estas pautas estão entre as prioridades do atual governo”, afirmou a presidente da SBPC, professora Francilene Garcia, à reportagem. “Mas precisamos de um orçamento mais adequado aos desafios (da área)”, completou.
A presidente da SBPC cobra mais investimentos e continuidade, algo que não cabe no atual modelo de negociação do orçamento. “Fora do ambiente do FNDCT (Fundo Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico), você não consegue fazer um planejamento para três, quatro ou mais anos em algumas áreas”, argumenta. “Para dar um exemplo, se o Brasil quiser daqui a dez anos estar na linha de frente da área das tecnologias quânticas, precisa investir de forma robusta e continuada desde agora”.
Para ajudar a pensar uma nova forma de financiamento da ciência e de olho nas eleições no fim do ano, a SBPC realiza um seminário nesta sexta-feira (23). “A cada ano de eleições federais, fazemos um debate com comunidade científica para apresentar pautas aos candidatos. Este será sobre orçamento. Em meados de abril, vamos lançar uma publicação com o resultado dessas discussões”, afirma Francilene.
Presidente da ABC, a professora Helena Nader celebrou a recomposição, mas também reforçou a necessidade de mais recursos para o setor: “Os valores ainda estão aquém do ideal que o Brasil precisa”, disse.
“Se você olhar, o país tem um número de doutores e engenheiros por população muito abaixo de outros países da América Latina. Quando você compara com os países desenvolvidos, é mais abaixo ainda. Então o Brasil teria que estar formando mais recursos humanos”, completou.

EDUCAÇÃO VALORIZADA
O Ministério da Educação recebeu uma recomposição de R$ 977 milhões. Os valores serão destinados à formação técnica e superior. Desse total, R$ 488 milhões serão usados no custeio das universidades federais, enquanto R$ 230 milhões irão para a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Também serão destinados R$ 218 milhões para obras do Programa de Acaleração do Crescimento (PAC) que engloba infraestrutura para as instituições de ensino.
Ministro da Educação, Camilo Santana declarou que a devolução de valores cortados pelo Legislativo revela o compromisso do governo em defesa da educação. “Vamos continuar na luta para que cada vez mais a gente possa aumentar os recursos para as nossas instituições”, afirmou Santana.
A Capes, instituição de fomento à pesquisa ligada ao MEC, ainda não recebeu a recomposição integral dos valores. Dos R$ 359,3 milhões cortados, o governo restabeleceu R$ 230 milhões neste primeiro momento.
Apesar do valor parcial, a recomposição é uma boa notícia para a presidente da instituição, professora Denise Pires de Carvalho. “A Capes recebe a notícia com entusiasmo, porque os cortes efetuados pelo Parlamento foram muito duros e sem nenhuma razão, uma vez que executamos totalmente o orçamento de 2025 com muita responsabilidade e apoio do ministro Camilo Santana”, conta a dirigente. “Desde que soubemos dos cortes orçamentários no final de 2025, temos trabalhado incessantemente para que pudéssemos ter o orçamento recomposto”, diz.
A restauração do orçamento ajudará a agência a manter as bolsas de estudo e os contratos. ”Ainda não tivemos o valor total recomposto, mas este movimento do Executivo no primeiro mês do ano demonstra claramente a prioridade que o atual governo dá à Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação”, celebra Denise. “Se os cortes fossem mantidos, não conseguríamos honrar bolsas e contratos até dezembro”.
Para a coordenadora do Observatório do Conhecimento, professora Mayra Goulart, a movimentação célere do governo federal para restabelecer o orçamento das instituições de ensino e pesquisa mostra que governo e Congresso têm visões distintas sobre a política. “O Congresso tem uma visão solapsista, muito mais voltada para seus próprios interesses”, avalia a cientista política. “Enquanto o governo mantém uma perspectiva republicana”, diz.
Para a docente, a atuação do Observatório ao denunciar os cortes do chamado orçamento do conhecimento ajuda a sociedade a compreender a dimensão dessas perdas. “É um tema transversal a todos os setores republicanos, não só os ligados à esquerda. É uma questão relacionada ao desenvolvimento do país”, defende.
Presidenta da AdUFRJ, a professora Ligia Bahia também elogia a recomposição anunciada pelo governo. “É uma notícia que causou alívio. Entretanto, sabemos que necessário não é sinônimo de suficiente”, ressalta.
Ligia avalia que a conjuntura política internacional mostra a urgência do investimento em Ciência e Tecnologia. “Nesse momento no qual as tensões mundiais se agudizam, fica totalmente evidente a impossibilidade de avançar as fronteiras do desenvolvimento, sustentabilidade e paz sem investimento no conhecimento”, afirma a dirigente.
O CNPq e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação – a pasta recebeu uma recomposição de R$ 186,3 milhões destinados exclusivamente à agência de fomento – não responderam aos questionamentos da reportagem até o fechamento desta edição.

WhatsApp Image 2026 01 22 at 19.43.13 9A UFRJ passou exatamente um mês sob a angústia de iniciar 2026 com um orçamento mais apertado do que esperava. No dia 19 de dezembro, o Congresso cortou R$ 488 milhões do custeio das universidades, sendo R$ 25,3 milhões da instituição. Na noite de 19 de janeiro, o alívio veio com a notícia de recomposição das verbas pelo governo Lula.
“Traz um ótimo alento para nós”, comemorou o reitor Roberto Medronho. “Entretanto, teremos ainda a necessidade de suplementação orçamentária ao longo do ano para que possamos desempenhar melhor nossas atribuições”.
“Mas, assim como em 2025, posso assegurar que não haverá corte de nenhum item essencial. Vamos manter a universidade aberta, pois é isso que a sociedade espera da gente”, completou o dirigente.
A “tesourada” na UFRJ fez parte de uma manobra do Legislativo para turbinar emendas parlamentares e o Fundo Eleitoral em mais de R$ 11 bilhões, o que deixou o reitor indignado.
“Estavam cortando a Educação para fazer a política de varejo. Emendas parlamentares podem até existir — o ideal seria que nem existissem — mas em um nível muito menor do que estamos vendo hoje”, disse Medronho. “Isso é muito ruim para a sociedade. O governo foi eleito para implantar suas políticas públicas, mas precisa de dinheiro”.
O reitor apontou resultados de ações da UFRJ — como a pesquisa de apoio à exploração do pré-sal e o medicamento polilaminina para reversão de lesões medulares (leia mais em entrevista na página 8) — para justificar a importância do investimento na educação superior. “Se a gente faz o que faz com um orçamento muito aquém das nossas necessidades, imagine se a gente estivesse recebendo recursos adequados ao nosso funcionamento”, completou.

AINDA FALTA
Por enquanto, a recomposição aconteceu na rubrica voltada para o funcionamento da universidade: R$ 19,2 milhões, já divulgada no Diário Oficial de terça-feira (20). A administração central aguarda outras publicações do governo com o restante das verbas retiradas pelo Congresso. Em especial, na assistência estudantil, que sofreu uma redução de R$ 4,6 milhões. “Estamos esperando que saia uma nova portaria com esses itens que são muito importantes para o nosso funcionamento”, afirmou Medronho.
Enquanto isso não acontece, a universidade faz contas para fechar o ano: as chamadas receitas próprias (de R$ 61,3 milhões) não sofreram alteração entre a proposta do governo e a aprovação do Congresso. Mas, como o próprio nome indica, são recursos que dependem da arrecadação da universidade a partir de aluguéis de terrenos, entre outras fontes.
Sobre estes valores, porém, haverá uma perda gradativa ao longo do exercício fiscal. Desde o ano passado, entrou em vigor um dispositivo que ampliou o alcance da Desvinculação das Receitas da União (DRU) para as verbas patrimoniais das universidades.
No caso da UFRJ, a medida representou um recolhimento ao Tesouro de aproximadamente R$ 18 milhões em 2025. E a expectativa da pró-reitoria de Finanças (PR-3) é que o valor seja um pouco maior este ano, em função do reajuste dos contratos de aluguel.
A conta da UFRJ é ainda mais complexa por carregar um passivo de exercícios anteriores. A PR-3 estimava um déficit acumulado de R$ 64 milhões desde 2016 até o fim do ano passado, sendo R$ 25,5 milhões o total até 2024 . O déficit preciso de 2025 ainda não foi calculado pois a maioria das notas fiscais de dezembro ainda não chegou.

SOLUÇÕES INOVADORAS
Apesar de todas as dificuldades, as despesas consideradas principais estão em dia ou dentro do prazo que as empresas devem entregar o serviço sem suspensão do serviço, pela legislação federal. “Contratualmente, as empresas se obrigam a ter dois meses no caixa delas para fazer frente às oscilações do orçamento do poder público. O problema é que certas empresas não têm esse capital de giro”, afirmou o pró-reitor de Gestão e Governança, Fernando Peregrino.
Um caso recente que circulou nas redes sociais foi o da firma responsável pelos restaurantes universitários, atrasando o pagamento de salários dos funcionários terceirizados. “Nós não temos dívida com eles. Ela que não pagou aos funcionários”, disse Peregrino.
Em paralelo à demanda por mais orçamento, a administração central vai lançar ainda este ano uma iniciativa inédita em busca de respostas para os problemas da UFRJ. O 1º Concurso de Soluções Inovadoras convocará a própria comunidade acadêmica a pensar ideias que poderão ser contratadas pela instituição em um futuro próximo, com potencial de redução das despesas.
“Vamos eleger alguns problemas. Por exemplo, reduzir custo de água na universidade. Eu descrevo este problema. As pessoas apresentam suas propostas e, após as filtragens, chegamos a um vencedor. Vamos poder comprar aquela solução sem fazer uma licitação tradicional”, disse Peregrino.
“O poder público só pode comprar alguma coisa de mercado. Neste caso, ele vai comprar algo que não existe: uma ideia. E poderemos financiar o desenvolvimento dessa ideia”, explicou.

Gisele Pires assume pró-reitoria de Finanças

A tarefa de dirigir a pró-reitoria de Finanças (PR-3) em um ano tão delicado caberá à professora Gisele Viana Pires, da Faculdade de Medicina. Ela foi nomeada pro tempore, no lugar do professor Helios Malebranche. A indicação precisa ser aprovada pelo Consuni, que está em recesso.
“Agradeço muito a dedicação do professor neste período todo. Já a professora Gisele agrega à nossa equipe uma experiência fantástica. Ela foi diretora de graduação da Faculdade de Medicina, pró-reitora de graduação da UFRJ (2019 a 2023) e trabalhou os últimos anos na SESu (Secretaria de Educação Superior). Estou muito feliz com a chegada dela”, afirmou o reitor Roberto Medronho. “Eu a nomeei em caráter temporário. O nome será colocado em votação na primeira sessão do Conselho Universitário do ano”, completou. O colegiado retorna aos trabalhos em fevereiro.

OBSERVATÓRIO DO CONHECIMENTO DENUNCIA INTERFERÊNCIA DE
EMENDAS PARLAMENTARES  NA EXECUÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS

A crescente influência das emendas parlamentares no orçamento da União não é objeto de indignação apenas do reitor da UFRJ. Em nota divulgada esta semana, o Observatório do Conhecimento — rede de associações docentes que defendem a universidade pública — critica que esse tipo de execução das verbas não permite previsibilidade às políticas públicas, “uma vez que as emendas dependem da configuração política e prioridades parlamentares, ressaltando seu caráter altamente instável e dissipativo”.
“As emendas parlamentares, enquanto fontes de financiamento, são precárias, instáveis e erráticas”, analisa a professora Mayra Goulart, coordenadora do Observatório do Conhecimento. “As emendas dificultam a programação e a previsibilidade das instituições de ensino e pesquisa”, analisa a docente.
Dados extraídos em 20 de janeiro do Painel do Orçamento Federal mostram que as receitas das universidades de 2026 serão suplementadas em R$ 506 milhões por emendas parlamentares (R$ 242 milhões, individuais, e R$ 263 milhões, de bancada). Um valor que supera a atual recomposição feita pelo governo Lula nas instituições federais de educação superior. Só a UFRJ terá R$ 21,1 milhões deste montante.
Enquanto as emendas ganham espaço, o orçamento geral continua muito abaixo das necessidades e do montante já destinado, no passado, às universidades federais. O Observatório aponta que o montante de recursos de 2026 equivale a 45,9% do orçamento de 2014, em valores corrigidos pela inflação.
“Embora tenhamos tido importantes recomposições, especialmente no atual governo, o orçamento ainda está aquém daquilo que já foi. Então, muitos parlamentares tentam contribuir de alguma maneira com o orçamento dessas instituições”, explica Mayra. (colaborou Silvana Sá)

WhatsApp Image 2025 12 18 at 09.54.49 8Magno Junqueira
Professor Associado da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Coordenador do Laboratório de Espectrometria de Massa Translacional e Neuroproteômica - LEMTEN

 

A universidade pública brasileira vive hoje um conflito profundo entre seu papel social, suas ambições científicas e a realidade do financiamento. De um lado, espera-se que ela seja inclusiva, garanta permanência estudantil por meio de políticas como o restaurante universitário, bolsas e moradia. De outro, cobra-se produtividade científica de padrão internacional, inovação, patentes, empreendedorismo e impacto econômico. O problema central é que essas duas missões vêm sendo exigidas sem o financiamento compatível com nenhuma delas. Desde 2018, o orçamento discricionário das universidades federais, que sustenta laboratórios, contratos de limpeza, segurança, energia, insumos e assistência estudantil, sofreu cortes severos em termos reais. Em vários períodos, as perdas ultrapassaram 40%. Embora tenha havido recomposições parciais recentes, a instabilidade orçamentária tornou o planejamento de médio e longo prazo praticamente inviável. Não se faz ciência de fronteira com orçamento intermitente.
WhatsApp Image 2025 12 18 at 09.54.49 9O debate sobre o “bandejão” é emblemático. Ele consome parcela visível do orçamento, mas não é um luxo: é política de permanência. Sem alimentação subsidiada, estudantes de baixa renda simplesmente abandonam a universidade. Cortar o RU não gera eficiência; gera exclusão social. Ao mesmo tempo, enquanto se financia corretamente o acesso, falta investimento estrutural em infraestrutura científica, manutenção predial, atualização tecnológica e pessoal técnico.
Sobre o professor universitário, a contradição é ainda mais aguda. Além de ensinar e pesquisar, passou a ser pressionado a fazer extensão, ser empreendedor, captar recursos, gerar patentes e criar startups. Porém, grande parte das universidades não dispõe de escritórios de inovação estruturados, núcleos de patentes eficientes, apoio jurídico ou administrativo. Exige-se produtividade de “Harvard” com condições de país em austeridade permanente.
Isso nos leva à pergunta central: afinal, que universidade a sociedade quer? Um modelo altamente seletivo, caro, competitivo e globalizado? Ou uma universidade massificada, inclusiva, com forte função social? O erro histórico do Brasil foi tentar impor simultaneamente os dois modelos sem financiar adequadamente nenhum deles.
A universidade é, ao mesmo tempo, instrumento de mobilidade social, produtora de conhecimento estratégico, formadora de profissionais e motor de inovação. Seu retorno para a sociedade não é apenas econômico: é sanitário, tecnológico, cultural, democrático e civilizatório. Cada real investido retorna em forma de médicos, engenheiros, professores, vacinas, tecnologia, pensamento crítico e soberania nacional.
Sem um pacto real de financiamento estável, com previsibilidade orçamentária, proteção das políticas de permanência e investimento em infraestrutura e inovação, a política pública atual empurra a universidade para o sucateamento: nem plenamente inclusiva, nem verdadeiramente excelente.
O dilema não é “comida ou ciência”. O dilema é se o Brasil escolhe, de fato, ter uma universidade pública forte, ou apenas mantê-la funcionando no limite da sobrevivência.

A primeira segunda-feira de 2026 teve ares de festa para a pesquisadora Tatiana Sampaio, chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular, do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ. Logo às seis da manhã, ela confirmou pelo Diário Oficial da União o que dezenas de ligações para o seu celular já tentavam informar: a aprovação, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do início da primeira fase de estudos clínicos com humanos da polilaminina, medicamento experimental para tratamento de lesões da medula ao qual ela se dedica há mais de duas décadas.

"Foi uma felicidade acordar com a notícia da aprovação do estudo clínico. Saiu no Diário Oficial logo cedo. E ela veio junto com a aprovação pelo Comitê de Inovação, uma instância nova criada pela Anvisa para avaliar os casos mais urgentes e com maior impacto para o desenvolvimento científico e tecnológico do país. A aprovação do estudo clínico da polilaminina foi a primeira decisão desse novo comitê", comemorou Tatiana, recebida no ano passado pelo presidente Lula, que entrou na "campanha" pela aprovação do estudo clínico pela Anvisa.

O objetivo da primeira fase de estudos é avaliar a segurança da polilaminina, observando potenciais riscos e efeitos colaterais da aplicação. "É importante dizer que esse estudo clínico inicial é pequeno, apenas para cinco pacientes, e deve evoluir rapidamente. Acredito que ele comece daqui a um mês, e que possamos logo ter a comprovação da segurança em um estudo regulatório. Isso vai abrir as portas não apenas para a fase 2, para lesões recentes, a próxima etapa que já está programada, mas também nós vamos poder pedir outros estudos, inclusive para testar o efeito da polilaminina em lesões crônicas, de meses ou anos", se entusiasma a pesquisadora.

Nessa primeira fase do estudo clínico, o medicamento será aplicado em cinco pacientes de 18 a 72 anos, com lesões da medula entre as vértebras T2 e T10, ocorridas até 72 horas antes. Até agora, a polilaminina tem se mostrado altamente promissora para o tratamento desse tipo de lesão. Um caso de evolução notável já registrado com a droga foi o do bancário Bruno Drummond de Freitas, de 31 anos, que foi diagnosticado com tetraplegia depois de um acidente de carro em 2018. Graças ao uso da polilaminina, ele recuperou parte dos movimentos.

Foto: Fernando Souza/Arquivo AdUFRJ

WhatsApp Image 2025 12 18 at 09.54.49Divulgação/Oga MitáA ADUFRJ acaba de ampliar sua cartela de convênios com benefícios aos professores sindicalizados e seus dependentes. A escola Oga Mitá, tradicional instituição da Zona Norte da cidade, está com matrículas abertas em uma parceria inédita com o sindicato. Dependentes de filiados têm 30% de desconto na matrícula e 15% nas mensalidades, desde que pagas até o dia 3 de cada mês. A escola atende da Educação Infantil ao Ensino Médio e tem unidades na Tijuca e em Vila Isabel.
No setor privado de ensino, a escola Oga Mitá se destaca pela atuação e cultura democráticas. Fundada em 1978, seus processos pedagógicos e administrativos têm como base a atuação coletiva. O calendário acadêmico é definido pela equipe escolar, pais e estudantes. Os valores de mensalidade também. “A gente tem um processo de gestão democrática. Semestralmente, a gente faz o planejamento participativo. Esse grupo fez o planejamento para 2026 e definiu o valor da mensalidade. Eu acho que no Rio temos exclusividade nessa metodologia. Chama-se Processo-Projeto Oga Mitá. Não conheço outra escola particular com essa perspectiva”, orgulha-se o diretor e fundador do colégio, Aristeo Leite Filho.
“A gente fez uma escola diferente da que a gente teve. A gente não quer uma escola impostora, impositiva, punitiva”, avalia o diretor. “Se um aluno quebra a vidraça, ele vai para a biblioteca fazer um trabalho sobre quais consequências aquele ato gerou, o que poderia ter acontecido de pior e o que ele fará pra arrumar o que fez. É a conscientização dos atos e a responsabilização na cooperação, na solidariedade”, defende.
A escola resiste a um modelo predatório de ensino, imposto por grandes conglomerados internacionais de educação. “Trabalhamos a consciência ambiental, a educação pela paz, a antiviolência, o antirracismo. Normalmente, são elementos que não aparecem na proposta pedagógica das escolas. A gente integra essas questões sociais e humanitárias na grade curricular”, afirma o diretor.
Aristeo é professor do Departamento de Estudos da Infância, da Faculdade de Educação da UERJ, e professor do curso de Especialização em Educação Infantil da PUC-Rio. A atuação diária na formação de professores e no desenvolvimento de pesquisas sobre educação demonstra que o setor privado tem sucumbido a uma lógica predatória de ensino. “A gente tem visto barbaridades no setor. A qualidade passa pelo equilíbrio pedagógico-financeiro. É isso que norteia esses conglomerados de educação. Não há um compromisso com a formação cidadã”, avalia. “Esses conglomerados compraram as instituições de ensino e as editoras de livro didático”.WhatsApp Image 2025 12 18 at 09.54.49 10DIRETOR: “A gente não quer uma escola impositiva, punitiva” - Foto: acervo pessoal
O diretor conta que manter uma escola independente é um processo difícil, mas necessário. “Resistir é uma luta diária, que passa pelos resultados que a gente tem tido com a formação dos nossos estudantes. Nossos ex-alunos, que retornam com seus filhos e já com seus netos, são resultados desse processo”, acredita Aristeo. “São pessoas que compreenderam que educar crianças é um processo coletivo. A escola não é um prédio. A escola são pessoas. A escola não pode ser encarcerada, não pode ser punitiva. Oga Mitá busca o equilíbrio entre ensinar e educar. Escola boa é onde a gente aprende com relações comunitárias e participativas”.

AFETO E
RESPONSABILIDADE SOCIAL
A escola trabalha três princípios: cooperação, afetividade e autonomia. “A cooperação vai na contramão de escolas que preparam para a competição; a afetividade trabalha o acolhimento e as amizades. Já a autonomia permite a livre expressão dos alunos. Os nossos quadros murais expressam através do registro quem é aquela turma, o que eles gostam, do que têm medo, o que estão fazendo”, conta Aristeo. “É uma escola que expressa essa vivência. A Oga Mitá tem vida”.
O nome Oga Mitá significa, em tupi, oca curumim, a casa da criança. “Esse nome é para reforçar a importância da cultura brasileira, da cultura de quem estava aqui antes de os portugueses chegarem. O nosso nome é um posicionamento crítico e político”, reforça o diretor. “Não formamos o aluno só para passar no Enem. Isso faz parte, mas o cerne é formar o cidadão que respeite o outro, que melhore o mundo, que compreenda que não dá para viver sozinho”, conclui.
A fotógrafa Fabíola Lima, mãe do Antônio, de 7 anos, escolheu a escola justamente pela sua posição político-pedagógica. “O que me faz acreditar no Oga e ter esse encantamento pelo colégio é testemunhar a forma como eles veem a infância. Eles respeitam a criança, ela é ouvida, trabalham sua individualidade”, avalia Fabíola. “A maneira que a escola se posiciona politicamente é outro diferencial. Não há eventos de dia das mães, dia dos pais. A escola consegue fugir da influência do mercado”, conta. “Há forte valorização da cultura afro-brasileira, dos povos originários, e eu vejo o quanto o Antônio se apropria mesmo desses conteúdos”, atesta.
Antônio vai completar cinco anos no colégio. Chegou aos dois anos de idade. “Minha formação inicial é em licenciatura”, conta a mãe. “Quando conheci Oga Mitá, não tive dúvidas de que um dia meu filho estudaria lá. Eu admiro muito como eles conduzem o dia a dia da escola. Confio muito. Trabalham valores inegociáveis de cidadania”.

CARTELA DE CONVÊNIOS AMPLA

A ADUFRJ também possui convênios com outros colégios do Rio e de Macaé, como Meaple Bear Tijuca, Centro Educacional da Lagoa, Creche Escola Amanhecendo, Creche Escola Recriar, Jardim Botânico Educação Infantil e Escola Alpha. Ainda há parcerias com cursos de idiomas, academias, farmácias, home care e outros serviços. Mais informações podem ser obtidas pelo nosso site adufrj.org.br/servicos/convenios. Para solicitar o desconto com algum dos parceiros do sindicato, é necessário enviar e-mail para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo., com o assunto “solicitação de convênio”.

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