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Quem caminha pelas tendas da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) tem a nítida sensação de estar diante de uma vitrine do país do futuro. Entre experimentos, exposições, oficinas interativas e tecnologia de ponta, o público acompanha de perto como a produção acadêmica se conecta com as transformações da sociedade.
A área dedicada às inovações tecnológicas e à robótica é um dos pontos altos do evento. Crianças e adultos formam filas para ver de perto as tecnologias apresentadas, com destaque para os robôs desenvolvidos por pesquisadores brasileiros — incluindo um robô-cachorro adaptado para missões de mapeamento e inspeção em terrenos complexos.
A diversidade do conhecimento científico brasileiro ganha força com a presença marcante de grandes instituições de ensino e pesquisa do país, como UFRJ, Fiocruz, INPA, MAST entre outros. São 69 expositores nesta edição da SBPC.
Para quem está na monitoria, o evento representa uma oportunidade única de formação. "É muito diferente do que estamos acostumados a ver dentro de sala de aula. É muito legal aplicar o que estamos aprendendo", diz a monitora Emilly Cruz, do curso de Pedagogia da UFF.
O sentimento é compartilhado por quem transita entre os diferentes espaços e tem a chance de vivenciar a interdisciplinaridade do evento. "Estamos tendo contato com a ciência na prática e em diversas áreas", comemora o também estudante da UFF Luiz Miguel Diniz, do curso de Biologia.
A magnitude da Reunião Anual também atrai acadêmicos de diversas regiões do país. "Estou amando a experiência. É algo único que não tem na minha cidade", diz Rayssa Gabrielly da Silva, estudante da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), que participa do evento pela primeira vez.
Para incentivar o percurso pelos espaços da SBPC, a organização criou o "Passaporte da Ciência": a cada seis carimbos acumulados ao visitar os estandes, os participantes garantem um brinde exclusivo da 78ª edição.
Fotos: Alessando Costa
"Estou achando incrível. Aprendi muita coisa legal sobre pedras, sobre o Aedes aegypti", exemplifica a estudante do ensino médio Inah Gimenes, de 16 anos, enquanto percorria os estandes para completar seu passaporte.
O impacto da SBPC extrapola os muros da universidade e alcança em cheio as famílias que aproveitam a programação. "Estou muito feliz que Niterói tenha sediado este evento. É uma cidade muito voltada para as artes, para a cultura, mas sempre faltou algo científico de mais fôlego", avalia a bióloga Luciana de Paula, que visitava a feira acompanhada do filho Lucca, de 8 anos, e do sobrinho Camilo, de 10. "Eu quero ser cientista!", disse o animado Lucca. Seu primo Camilo ficou fascinado ao explorar a biodiversidade exposta nas tendas e com os animais taxidermizados trazidos pelos institutos de pesquisa. "Quero ser veterinário", afirmou o garoto.
Entre inovações robóticas, projetos de preservação e a empolgação de jovens e crianças, a 78ª Reunião Anual da SBPC reafirma que o futuro da ciência brasileira se constrói hoje e está ao alcance de todos. As programações se encerram neste sábado (1° de agosto).
Durante a programação da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada no campus da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, a ex-ministra da Saúde e pesquisadora Nísia Trindade proferiu a conferência "A Saúde Global em um Mundo em Transformação". A mesa contou com a coordenação e a mediação da presidente da ADUFRJ, professora Ligia Bahia.
Ao conduzir o debate, Ligia ressaltou que a disputa contra a extrema-direita não é um debate convencional entre direita e esquerda, mas o combate a um projeto de regressão histórica e ataques diretos às instituições e às universidades. "Nós estamos diante da extrema direita. O projeto da extrema direita é a regressão a um passado idílico. O alvo são as nossas instituições, são as universidades, porque nas universidades está o futuro e, para a extrema direita, não interessa o futuro", afirmou a presidenta da ADUFRJ.
A professora convocou docentes, entidades sindicais e a comunidade universitária a perderem o medo de pautar o debate político de forma ampla e unificada. "Esse slogan 'A esperança venceu o medo' é filosófico, é uma pauta contra a extrema direita. Vencido o medo, nós precisamos continuar vencendo o medo, porque isso não quer dizer que por um sopro essas coisas deixaram de existir", disse Ligia. "Nós e nossas entidades e instituições podemos e devemos travar esse debate. Precisamos ter uma bancada capaz de construir um projeto de futuro".
Desafios para a saúde
Em sua exposição, Nísia Trindade estruturou sua análise em torno de sete grandes desafios contemporâneos que impactam a saúde e a sociedade: a transição demográfica desigual; as mudanças climáticas; a transição digital e a soberania sobre dados; as transformações no mundo do trabalho; a perda de confiança nas instituições; as desigualdades entre nações e o avanço da extrema-direita associado ao negacionismo científico.
A ex-ministra enfatizou o negacionismo científico como barreira para o desenvolvimento da ciência e para a garantia da saúde como direito. "O ataque à ciência hoje vem muito junto com esse avanço da extrema direita. É fundamental nós pensarmos como se dá esse negacionismo como projeto".
A pesquisadora também abordou as desigualdades no mundo e exemplificou com a assimetria na distribuição de vacinas de covid-19 em várias partes do mundo. "Não bastava ter o dinheiro. A África tinha dinheiro e não conseguiu comprar as vacinas pela reserva que as próprias empresas fizeram aos países europeus e aos Estados Unidos" lembrou. "É fundamental trabalharmos pelo fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde no Brasil", destacou, defendendo também a soberania científica nacional.
A conferência pode ser assistida na íntegra no canal oficial da SBPC: http://www.youtube.com/watch?v=HOuU0sJB1HA .
Foto: Alessandro Costa
A série Caminhos para o Brasil, da AdUFRJ, recebe no dia 28 de julho o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, em um debate sobre os desafios do Brasil para o fortalecimento da ciência, o crescimento econômico e a democracia.Selecionamos algumas imagens das primeiras horas da Colônia de Férias da ADUFRJ. Esta segunda edição também acontece em parceria com a Equipe Coloriê. Crianças e adolescentes aproveitam a manhã ensolarada de inverno em atividades e brincadeiras com água e brinquedos infláveis. Na programação ainda tem brincadeiras na quadra, muita hidratação, lanchinhos, almoço e muita, muita diversão! ![]()
O tema da Colônia é a Copa do Mundo. Uma das primeiras lições do dia foi a sustentabilidade. Cada participante recebeu uma caneca para não utilizarem copos descartáveis. As canecas vêm com o rosto de cada uma das crianças em formato de figurinhas da Copa. A cada dia, os participantes também conhecerão um pouco mais sobre os continentes que participaram do torneio encerrado no último domingo.
Colônia de Férias é na ADUFRJ!
Fotos: Fernando Souza


